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"Recordando o poeta e escritor Mario Benedetti"

  • Foto do escritor: NOVACULTURA.info
    NOVACULTURA.info
  • 6 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

 

O poeta e escritor uruguaio morreu em 17 de maio de 2009 em Montevidéu. Muitas de suas obras são baseadas na crítica política e social, assim como são o reflexo da sociedade latino-americana.

 

Mario Benedetti nasceu em 14 de setembro de 1920 em Paso de los Toros, departamento de Tacuarembó, Uruguai, como Mario Orlando Hamlet Hardy Brenno Benedetti Farrugia. Depois da falência da farmácia de seu pai, os Benedetti se mudaram para Montevidéu quando Mario tinha quatro anos. O menino que se entretinha com as obras de Emilio Salgari e Júlio Verne começou os estudos primários no Colégio Alemão de Montevidéu, de onde foi retirado por seu pai ao saber que ali faziam a saudação nazista.

 

Aos 14 anos começou a trabalhar como vendedor, taquígrafo de uma editora, office-boy, escriturário, gerente de uma imobiliária e jornalista, entre outros ofícios que exerceu. Chegou a Buenos Aires em 1938, aos dezoito anos, e se considerava discípulo de Fernández Moreno, do peruano César Vallejo e do espanhol Antonio Machado.

 

Em 1945 integrou-se à equipe do semanário Marcha, até 1974, quando foi fechado pela ditadura de Juan María Bordaberry. Suas viagens a Cuba foram consolidando o despertar de sua consciência política. Em 1968 criou e dirigiu o Centro de Pesquisas Literárias da Casa das Américas. Junto a membros do Movimento de Libertação Nacional Tupamaros, fundou em 1971 o Movimento de Independentes 26 de Março, um grupo que passou a fazer parte da Frente Ampla desde sua origem.

 

O gênero de suas obras é diverso, muitas são baseadas na crítica política e social, assim como no reflexo da sociedade latino-americana.

 

Em 1974 publicou O escritor latino-americano e a revolução possível. Em 1975, foi ameaçado de morte pela Triple A (Aliança Anticomunista Argentina), e teve que deixar a Argentina, partindo para o Peru. Em 1976, no Peru, foi detido e deportado, motivo pelo qual foi para Cuba, desta vez como exilado, e reincorporou-se ao Conselho de Direção da Casa das Américas.

 

Em 1985, com a restauração da democracia no Uruguai, retornou ao país. A partir de então, passou a residir parte do ano em Montevidéu e a outra parte em Madri.

 

Com mais de 80 obras, dirigiu de forma consequente seus dardos contra a política exterior dos Estados Unidos e contra traços internos negativos dessa civilização – como o racismo, o consumismo, o individualismo – tão atuais hoje. Escreveu: “...Não me suje as palavras / não lhes tire o sabor / e limpe bem a boca / se disser revolução".

 

Sua poesia virou canção na voz de Joan Manuel Serrat, no disco El sur también existe, depois de seu trabalho no final dos anos 70 com o outro grande cantor popular, Daniel Viglietti, com quem realizou A dos voces, um recital de poesia e música estreado pela primeira vez no México em 1978, e depois no Estádio Obras Sanitárias de Buenos Aires (1984).

 

“Se a arte por si só não derruba tiranias — escreveu também — foi, no entanto, ao longo da história, um elemento nada desprezível quanto à sua capacidade de converter em imagens, em cor, em pensamento certeiro, certos princípios norteadores dos povos”.

 

O desenvolvimento de sua obra demonstra falar de maneira simples e profunda ao mesmo tempo, tendo internalizado a noção de que nada do humano lhe é alheio.

 

Sua obra robusta e o impacto em vendas o tornam um dos três grandes escritores uruguaios de todos os tempos, junto com Eduardo Galeano e Juan Carlos Onetti.

 

Um dos poemas mais belos é Não te salves:

 

Não te salves

Não fiques parado

na beira do caminho,

não congeles o júbilo,

não queiras sem vontade,

não te salves agora

nem nunca

Não te salves

Não te enchas de calma,

não reserves do mundo,

apenas um rincão tranquilo

não deixes cair as pálpebras

pesadas como juízos,

não fiques sem lábios,

não fiques sem sonhos,

não penses sem sangue,

não te julgues sem tempo.

Mas se

apesar de tudo,

não pode evitar;

e congelas o júbilo,

e queres sem vontade,

e te salvas agora,

e te enches de calma,

e reservas do mundo,

apenas um rincão tranquilo,

e deixas cair as pálpebras

pesadas como juízos,

e te secas os lábios,

e dormes sem sonho,

e pensas sem sangue,

e te julgas sem tempo,

e ficas parado

à beira do caminho,

e te salvas;

então

não fiques comigo.

 

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