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História das Três Internacionais

"Cinco dias com o Novo Exército Popular"

Foto do escritor: NOVACULTURA.info
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há 15 horas
5 min de leitura

Dia 1

 

Já estava escuro quando chegamos ao ponto de encontro. Trocamos de roupa imediatamente e nos preparamos para uma longa caminhada. Dois homens nos receberam e se apresentaram como Ka David e Ka Bryan. Na escuridão do trajeto, muita gente escorregou, afundou na lama, caiu no lamaçal dos búfalos, mas seguiu em frente.

 

Ka David disse primeiro que a caminhada duraria três horas. Era brincadeira, pois, meia hora depois de caminharmos alternando passos e escorregões, subimos (ou melhor, quase rastejamos por) uma íngreme escadaria de terra. No meio da escuridão e da altura das montanhas, alguém nos saudou de repente: “Bem-vindos ao Novo Exército Popular.”

 

Dia 2

 

Dia do aniversário do Partido Comunista das Filipinas. Ao acordar, a primeira coisa que ouvimos foi a voz de Ka Mira, uma camarada que não víamos havia muito tempo. Os camaradas da cidade pediram que a abraçássemos bem forte em nome deles. Fazia anos que ela havia decidido responder ao chamado do Movimento de Retificação e seguir o caminho da revolução como combatente em tempo integral.

 

Subimos (ou melhor, quase rastejamos por) uma íngreme escadaria de terra.

No meio da escuridão e da altura das montanhas, alguém nos saudou de repente: “Bem-vindos ao Novo Exército Popular.”

 

Toda manhã eles fazem uma reunião para discutir a milsit (situação militar), a formação das unidades e a programação do dia. Respeitam rigorosamente os horários e as tarefas designadas. Isso faz parte da profunda valorização da disciplina entre as tropas.

 

Realizamos tarefas de cenografia para a celebração do aniversário. Tiramos fotos e fizemos vídeos para o comunicado de aniversário e trabalhamos na produção do pano de fundo que seria usado no programa. Também nos ensinaram a segurar uma arma. Não é brincadeira o peso que ela tem.

 

Entre as muitas pessoas que conhecemos já no primeiro dia com o Novo Exército Popular, conhecemos também Ka Cleo del Mundo, porta-voz na região de Tagalog do Sul, o Comando Melito Glor. Ela contou sua história: as condições que a levaram a se juntar ao exército e suas experiências ali. Contou que entrou depois da faculdade e decidiu se tornar guerrilheira vermelha em tempo integral. Contou também como foi ser presa e depois libertada, após o Novo Exército Popular realizar uma incursão a uma delegacia de polícia!

 

Foi no campo que ela conheceu o marido e formou família. Embora seja doloroso estar longe do filho, Ka Cleo continua se dedicando de todo o coração ao triunfo da revolução. Ela diz que a melhor vida que pode dar ao filho é viver numa sociedade verdadeiramente livre.

 

Chegou a hora do almoço e ajudamos nos trabalhos da cozinha. O prato era frango frito, afinal era dia de aniversário! Só que as compras foram feitas errado e compraram o frango crocante extra picante, por isso o frango estava vermelhíssimo. Os responsáveis pela cozinha acabaram preparando mais arroz. Chegaram até a tentar fazer um molho!

 

À tarde teve início a discussão do comunicado de aniversário. Os convidados abriram com suas mensagens. Houve também uma homenagem cultural aos camaradas mártires. Estava presente ainda o irmão de um novo herói da unidade. A chuva que caiu acompanhou as lágrimas oferecidas aos mártires revolucionários.

 

Dia 3

 

Na segunda manhã, o sol estava forte, então os camaradas logo foram lavar roupa para pendurá-la no varal. A roupa de Ka Idol era especial, pois, assim que foi pendurada, começou a soltar fumaça! Não conseguimos descobrir por quê, só sei que secou rápido.

 

Uma das lembranças mais marcantes daqui é a orientação das tropas:

“multiplicar-se enquanto se luta, lutar para se multiplicar.”

 

Depois do café da manhã, todos se prepararam para a mudança de acampamento. A caminhada não foi brincadeira. Escorregadia, sim. Cansativa, sim. Mas levávamos o coração leve e confiante, porque tínhamos camaradas atrás e à frente, prontos para ajudar, qualquer que fosse o problema.

 

Sempre vou me lembrar de caminhar sobre as pedras do riacho e, ao olhar para trás, ver a fileira da tropa armada descendo a montanha. Sempre me lembro da sensação de arrepio e alegria. Quando conto essa imagem a outros camaradas, só consigo dizer: “que demais, o Novo Exército Popular.”

 

Foi também marcante a experiência de quebrar a romantização de ser um combatente. Você vê que eles também se cansam nas subidas, também escorregam, mas continuam. Durante uma pausa, meu parceiro de dupla largou sua mochila. Brinquei que eu é que a carregaria, mas não consegui nem levantá-la do chão! Eu, desafiando-me a carregar a mochila do oficial de logística!

 

Ao chegar ao novo acampamento, onde seria realizado o aniversário, montaram imediatamente os abrigos e a cozinha. Foram rapidíssimos, mesmo com a chuva. Foi aqui também que entendi a importância do facão.

 

Quando a chuva parou, Ka Estela nos acompanhou ao banho. Aproveitamos para lavar roupa também, embora fosse impossível secar. A escuridão nos pegou e a maioria não tinha lanterna (só fazendo a autocrítica, por favor, de que não estávamos preparados), mas Ka Estela serviu de guia na subida, mesmo carregando um pesado balde de água.

 

Dia 4

 

Preparação o dia inteiro para o aniversário. Trabalhei no programa junto com Ka Mandy. Também montamos a ambientação, ou seja, o design da celebração.

 

A caminhada de volta à cidade foi silenciosa, mas a promessa de voltar gritava alto.

 

Depois de um jantar delicioso, de feijão-mungo refogado com torresmo, conversamos, e fui designada como facilitadora. Os camaradas do exército deram suas mensagens e houve apresentações culturais. O exército dá grande valor à cultura, pois, como disse o Presidente Mao Tsé-tung, “um exército sem cultura é fraco e facilmente derrotado.”

 

Foi aqui que ouvimos os novos poemas de Ka Mandy. O programa também foi aberto para perguntas, especialmente sobre o trabalho militar e o trabalho de massas.

 

Uma das lembranças mais marcantes daqui é a orientação das tropas: “multiplicar-se enquanto se luta, lutar para se multiplicar.”

 

Dia 5

 

No último dia, o café da manhã continuou delicioso: peixe seco e uma montanha de arroz, que comíamos havia vários dias. E, finalmente, a roupa lavada secou.

 

De manhã começou o programa de celebração do aniversário do Partido Comunista das Filipinas. Entre tantos programas de que participamos na cidade, a emoção do programa no campo é diferente: é diferente cantar a Internacional com o Novo Exército Popular enquanto se agitam as três bandeiras, do Partido, do Exército e da Frente Nacional Democrática. É diferente a emoção de ouvir as mensagens de várias organizações revolucionárias, de gritar “Viva!” junto às massas e ao exército, em pleno coqueiral.

 

À tarde começou a avaliação dos dias em que estivemos ali. Trocamos mensagens uns com os outros e fizemos o juramento de continuar. As tropas cantaram para nós “Kumustahan”, e foi aí que escorreram as lágrimas dos camaradas que ainda estavam formando a decisão de permanecer ali.

 

A caminhada de volta à cidade foi silenciosa, mas a promessa de voltar gritava alto.

 

Bayang Banayad, ARMAS, capítulo Felix Salditos

 

Publicado no Liberation

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