"O papel crucial das mulheres na luta anticolonial em África"
- NOVACULTURA.info

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Frequentemente, as histórias esquecidas de mulheres anticoloniais foram relegadas ao esquecimento pela história dominante.
A luta pela descolonização dos países africanos foi um processo extenso e complexo e, sobretudo, armado e sangrento, que levou à independência das antigas colônias europeias; a maioria delas ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, entre o final da década de 1940 e a de 1960, embora haja países como o Zimbábue que obtiveram sua independência em 1980. Por meio de lutas políticas, ideológicas, sociais e culturais, os países africanos conseguiram, através do chamado movimento anticolonialista, e de forma gradual, libertar-se do domínio estrangeiro e recuperar sua soberania.
Recordemos que a bem-sucedida resistência anticolonial na Etiópia sob o governo de Haile Selassie, ao derrotar a tentativa da Itália de colonizar o país entre 1935 e 1936, foi inspiradora para outras regiões africanas. A luta anticolonial foi e continua sendo também uma ferramenta teórica e analítica que busca desafiar e transformar a supremacia branca, a história colonial e as estruturas de poder que perpetuam a opressão e o racismo sistêmico.
As obras de pensadores anticoloniais como CLR James, Aimé Césaire ou Frantz Fanon, entre outros, investigaram o colonialismo como uma estrutura de dominação para revelar as contradições entre a visão europeia e a apreensão de seu projeto colonial. Poderíamos nos deter aqui e analisar de maneira mais minuciosa o processo anticolonial ocorrido no continente africano, mas seriam necessárias várias páginas para tal análise histórico-teórica.
Por outro lado, quando falamos de anticolonialismo e dos processos de luta emancipatória, a história nos remete à memória de figuras como Kwame Nkrumah, da República de Gana, líder anticolonialista e pan-africanista que liderou a independência de seu país; Jomo Kenyatta, pan-africanista e primeiro-ministro e presidente do Quênia após a independência; Thomas Isidore Noël Sankara, revolucionário, líder anticolonialista e pan-africanista, que foi presidente de Burkina Faso; ou Patrice Lumumba, líder anticolonialista, anti-imperialista e primeiro-ministro da República Democrática do Congo.
Andrée Blouin foi considerada pelos colonos a mulher mais perigosa da África por seu papel na luta pela descolonização.
As múltiplas histórias de resistência negra no continente africano deslocaram do imaginário figuras tenazes que lideraram a soberania de seus respectivos países; refiro-me a figuras femininas. Entre as mais importantes da luta anticolonial na África estão mulheres como Yaa Asantewaa, em Gana; Funmilayo Ransome-Kuti, na Nigéria; e a Rainha Nzinga, em Angola. Essas mulheres corajosas desafiaram os colonizadores europeus e lutaram pela emancipação de seus povos, apesar de a história ter invisibilizado tudo o que se relaciona a elas.
55 mulheres
Não se deve esquecer que, durante a presença britânica na Nigéria, as Associações de Mulheres do Mercado e a União das Mulheres de Abeokuta promoveram a defesa dos direitos das mulheres. Foram elas que lançaram as bases do sentimento de nacionalismo com a ideia de soberania e emancipação; esse sentimento conduziu à independência da Nigéria em relação aos britânicos.
A história dominante apagou todo vestígio da luta anticolonial das mulheres na Nigéria, e os líderes masculinos não apoiaram os direitos das mulheres e se encarregaram de minimizar seu papel na história da independência do país.
Os colonizadores europeus impuseram um sistema que limitava a participação das mulheres na vida pública e política. Apesar disso, muitas se organizaram em movimentos clandestinos, participaram de redes de resistência e contribuíram para a luta anticolonial pela liberdade de seus países.
Do Africa em Resumen




















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