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"O Manifesto japonês"



Katayama escreve que o atual ministério japonês, formado pelo Primeiro Ministro Conde Okuma, recebeu suporte entusiasmado de todo o povo, já que o Conde prometeu uma imprensa livre, liberdade de expressão e o direito de reunião. Até agora, toda propaganda política e sindical foi proibida. Sob o novo ministério, os socialistas formaram um Partido Trabalhista Japonês e emitiram o Manifesto que segue, o qual foi prontamente censurado pelo Conde Okuma, tão cheio de gentis promessas antes da eleição do seu próprio partido. Pensamos que esse documento pode ser valioso para nossos próprios leitores.


Para as Classes Trabalhadoras?


Senhor Trabalhador! Você trabalha o ano todo, e no suor da sua testa, produz tudo no mundo.


Senhor trabalhador! Você constrói casas, e mesmo assim você não vive em uma cabana suja, velha e pequena de um só cômodo, de mais ou menos 2,7m por 3,6m, que fornece apenas uma pequena proteção da chuva e do relento?


Você fiou, teceu e faz roupas para todos. E mesmo assim você não está sempre vestido roupas gastas e sujas que mal cobrem seu corpo?


Senhor trabalhador! Você produziu e preparou toda a boa comida. E mesmo assim você não se alimenta da comida mais inferior e sem sabor, que mal te nutre?


Sim, você fez tudo no mundo. Você construiu todos os carros da ferrovia, locomotivas e automóveis que são o orgulho da civilização humana hoje, e mesmo assim você nunca andou confortavelmente neles.


Você fez tudo no mundo e proveu para todos. E mesmo assim você tem uma casa, mesmo de 2,7m por 3,6m, que você pode chamar de própria? Existe nesse país a dita nobreza e os ricos, que comem e bebem à vontade, que aproveitam a vida luxuriosamente e mesmo assim continuam a enriquecer.


Porque isso ocorre, enfim? Em uma sociedade bem organizada, alguém que vive gratuitamente na casa de outro é chamado “Isoro”, um dependente. Tal pessoa, parasita inútil, é vista com desprezo, como baixa e como peso morto. E mesmo assim, aqueles nobres e milionários, que não trabalham, se divertem e aproveitam a vida fácil de forma suntuosa, continuam a conseguir mais dinheiro, mais riqueza. Não te chamando de classe baixa, mas de coolie, e colocando na sua cabeça todos os títulos e epítetos desrespeitosos; você, que está labutando diligentemente, trabalhando, fazendo todas as coisas boas no mundo?


Você deveria refletir bem e seriamente sobre o assunto com você mesmo, mais ou menos dessa forma: “Porque eu, o mestre desse mundo, comandante da indústria, o próprio pilar da sociedade, sou empurrado a levar essa vida?”


Senhor Trabalhador! Nunca, na sua vida miserável, você pensou nisso? Nunca pensou no seu presente destino como triste e inferior até ao de alguns animais?


Nunca pensou em se livrar dessa vida horrível o mais rápido possível? Você não deseja viver uma vida digna de um homem, a última e maior de todas as criações, a imagem de Deus?


Senhor trabalhador! Se você pensa nesse assunto como nós pensamos, então você deve se organizar com outros trabalhadores; quanto mais rápido, melhor, para você e para todos nós, e então você deve se livrar daqueles que vivem de te explorar. Você deve pensar então: “Nós, que não temos nada além de um colete, não podemos fazer nada, mesmo que nós devêssemos nos organizar”. Porém, meus amigos, pensem! Uma vez que você, que não tem nada além de um só colete, segurar mutuamente as mãos dos seus camaradas e calmamente pararem de trabalhar juntos. O gás e a eletricidade que transformam a noite em dia na cidade não os darão luz, e a cidade ficará no escuro. Se você não trabalhar! Pense! Os trens, carros elétricos e automóveis não vão ficar parados? Com certeza não haverá arroz, batatas, peixe, madeira ou carvão sendo trazidos para a cidade. Então, mesmo que eles sejam orgulhosos e arrogantes, quão superiores a classe trabalhadora eles se sentiriam? Não iriam ao fim passar fome e frio, morrer de fome e frio?