"Internacionalismo da Zâmbia a todos deve Inspirar e Estimular"

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Estimado e respeitado camarada, Kenneth Kaunda, Presidente do Partido Unido para a Independência Nacional (UNIP), Presidente da República da Zâmbia; Estimada e respeitada Mama Kaunda; Camaradas membros da Direção da UNIP; Honoráveis Ministros da República da Zâmbia; Estimados hóspedes da Zâmbia; Camaradas Dirigentes da FRELIMO e da República Popular de Moçambique; Distintos Representantes do Corpo Diplomático; Excelências; Camaradas; Amigos.
Receber um companheiro e um amigo das horas difíceis é uma festa para a amizade, uma manifestação de alegria profunda que nos anima ao constatarmos que juntos permanecemos lado a lado no combate comum.
O Povo zambiano viveu as experiências dolorosas e humilhantes da exploração, da opressão, da degradação da pessoa, que são próprias do colonialismo. O nosso estimado e respeitado camarada Kenneth Kaunda conheceu a brutalidade infame da prisão colonialista.
Mama Kaunda soube o que era visitar um esposo preso e teve que explicar aos seus filhos porque os muros e as grades os separavam do pai.
Foi nesta escola de repressão e luta que se forjou o Partido Unido para a Independência Nacional.
Por isso, conquistada a independência, a Zâmbia não se sentiu livre, descobriu-se como um corpo amarrado de grilhetas com um braço solto.
O Partido Unido para a Independência Nacional então conduziu o Povo e o Estado a vencer dificuldades para que a Zâmbia se reencontrasse na primeira fila do combate de libertação.
Fronteiriça de Moçambique e de Angola, da colônia britânica da Rodésia do Sul e da Namíbia, a decisão do Partido Unido para a Independência Nacional e da Zâmbia exigia um espírito resoluto de superar dificuldades e vencer sacrifícios.
É justo afirmarmos que a liberdade e independência hoje conquistadas na África Austral foram também fecundadas pelo sacrifício e até pelo sangue generoso da Zâmbia. É justo dizermos que a intensificação do combate libertador na nossa zona do continente está indissoluvelmente ligada à atitude heroica da Zâmbia.
LIÇÃO DE INTERNACIONALISMO
Hoje Moçambique desempenha também o papel de base de apoio da luta de libertação e, neste campo, temos muito a aprender do UNIP, do Povo e do Governo da Zâmbia, sobre o espírito de determinação e firmeza que exige esse difícil papel. Temos muito a aprender da capacidade da Zâmbia independente em tratar em pé de igualdade os Movimentos de Libertação; temos muito a aprender do espírito do Partido Unido para a Independência Nacional em não interferir nos assuntos internos dos Movimentos de Libertação. Alguns erros cometemos na Zâmbia e pacientemente o Povo zambiano os superou, mantendo inflexível o seu apoio à luta de Moçambique.
Esta é uma lição de internacionalismo que a todos deve inspirar e estimular.
Poderão alguns pretender que a Zâmbia teria sido forçada pelo condicionalismo geográfico a apoiar a luta do nosso Povo e doutros irmãos da África Austral. Esta concepção é errada, é errada porque outros Estados africanos independentes e em condições geográficas idênticas ou até mais favoráveis, se recusam a apoiar as causas justas e mesmo ativamente colaboram para reforçar o inimigo. E errada ainda, porque vimos a solidariedade da Zâmbia estender-se para outros continentes, apoiando a luta dos Povos da Indochina, ou do Oriente Médio.
A causa do engajamento da Zâmbia na luta de libertação encontra-se nos princípios que animam a UNIP, na sua base social.
Na sua essência o Partido Unido para a Independência Nacional é composto por trabalhadores; os princípios se enraízam nos interesses dos trabalhadores explorados, definem o sistema de exploração como o inimigo. Por isso a luta dos Povos oprimidos é parte integrante da luta do Partido.
BASE DA NOSSA UNIDADE
A experiência histórica demonstrou-nos que cada conquista dos trabalhadores zambianos no plano interno, cada recuo do capitalismo e do imperialismo na Zâmbia, traduziram-se no plano externo por um renovamento do engajamento zambiano na causa da libertação.
Esta é a base sólida sobre a qual se ergue a nossa unidade.
Tivemos um mesmo passado de exploração, de repressão, de discriminação. Temos um mesmo presente de combate contra o sistema de exploração, contra o capitalismo, contra o imperialismo, contra os sistemas que na África Austral destroem o Homem. Temos um mesmo futuro, uma mesma vontade de edificar a nova sociedade. Estamos pois unidos.
Esta unidade forjada entre nós nos momentos duros, é alvo do inimigo.
O colonialismo dividiu-nos e na nossa divisão encontrou a força para nos dominar.
Hoje de novo, o inimigo permanente, o imperialismo, tudo faz para nos dividir, e assim entravar-nos para poder controlar-nos. As nossas relações mútuas são distorcidas, as intrigas sucedem-se, a capacidade de cada um de nós é posta em causa quando edificamos a cooperação.
O inimigo procura minar a nossa confiança mútua, procura abalar a nossa certeza de que o desenvolvimento dos nossos países exige a colaboração íntima, a entreajuda e colaboração da Zâmbia, Tanzânia e Moçambique.
Saudando o respeitado camarada Kenneth David Kaunda.
A sua visita tem lugar num momento em que a classe trabalhadora moçambicana desencadeou uma grande ofensiva na frente da luta de classes, com o objetivo de destruir o aparelho do Estado, conquistar e consolidar o seu Poder na frente do Estado, da economia, da cultura, da ciência, conquistar e impor o seu poder em toda a sociedade.
Esta ofensiva interna habilitou-nos também a elevar a nossa capacidade de cumprir o dever internacionalista.
Por isso o povo moçambicano apoiou resolutamente as lutas de libertação do Zimbábue e da Namíbia. O Povo Moçambicano mantém-se firme ao lado dos nossos irmãos da República Democrática de Timor Leste, da República Árabe Democrática do Saara, que de armas na mão defendem a independência nacional.
A conjuntura africana revela-se extremamente favorável ao triunfo da luta dos povos e classes oprimidas.
Com efeito a agressividade intensificada do imperialismo, que se manifesta nas tentativas expansionistas que têm lugar em Timor Leste, Saara e Comores, as guerras coloniais de agressão na Namíbia e Zimbábue, longe de constituir expressão de força na realidade exprime o recuo do imperialismo, a sua impotência em manter dominados os ovos.
Em todos os continentes os Povos intensificam o seu combate pela afirmação da independência nacional, pela recuperação dos seus recursos naturais, pela conquista do direito à igualdade nas relações internacionais, pela participação ativa e igual na resolução dos problemas contemporâneos. Em toda a parte o movimento de libertação ampliou-se ao campo econômico e social. Em toda a parte as classes oprimidas intensificam o combate para derrubar a velha sociedade, ao mesmo tempo que os nossos aliados naturais, os países socialistas, consolidam a Zona Libertada da Humanidade.
Camaradas; Amigos; Excelências.
Quero pedir-vos que se juntem a nós neste momento de alegria profunda para brindarmos à saúde do nosso respeitado e estimado Camarada e Amigo Kenneth David Kaunda, Presidente do Partido Unido para a Independência Nacional e da República da Zâmbia, à saúde de Mama Kaunda, à saúde dos membros da Direção do UNIP e os honoráveis Ministros da Zâmbia, à saúde dos ilustres representantes do Corpo Diplomático e suas famílias, ao reforço das relações fraternais de solidariedade e amizade entre a FRELIMO e o UNIP entre a República Popular de Moçambique e a República da Zâmbia.
A Luta Continua!
Discurso do Presidente Samora Machel, no Banquete em honra do Presidente Kenneth Kaunda.
Publicado no "Notícias" em Maputo em 21 de abril de 1976













































































































































