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História das Três Internacionais

Zetkin: "Salve a Terceira Internacional Socialista!"

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  • há 11 horas
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A celebração do Primeiro de Maio é a única tentativa séria da Segunda Internacional Socialista de passar das palavras aos atos e de unir os proletários de todos os países numa ação comum, unificada, de grande importância e força impressionante. Essa tentativa não estava destinada a alcançar completo sucesso, e o destino da celebração de Maio foi um significativo prenúncio do ignominioso fracasso da Segunda Internacional no início da guerra mundial. Ainda assim, a celebração de Maio fez correr fortes correntes de vida estimulante e inspiradora entre as massas exploradas e oprimidas, correntes de uma nova vida que transformaram inúmeros sofredores desesperançados em combatentes ardorosos.

 

Pois nela atua a poderosa ideia da solidariedade internacional que une os trabalhadores escravizados do mundo inteiro. E essa ideia não é um sonho vago da imaginação. É uma realidade viva, expressão das condições idênticas de existência que o domínio do capital cria em toda a Terra para a esmagadora maioria dos trabalhadores escravizados e explorados; é um conhecimento comum derivado de uma necessidade comum que deve levar a uma vontade comum, a uma ação comum. Assim, a ideia da fraternidade internacional do proletariado mundial é parte essencial da grande ideia de libertação, luz no caminho dos escravizados em sua luta contra o capital. Como a própria ideia de libertação, ela é ao mesmo tempo a força motriz e o objetivo a ser realizado na prática e, portanto, compartilha também o seu destino: vencer em meio a lutas, buscas e tateios, erros e deficiências; lentamente, demasiado lentamente para a impaciência ardente de nossos corações, que anseiam por uma Internacional que una a humanidade libertada.

 

Mais de 70 anos se passaram desde que o Manifesto Comunista nos convocou a transformar a ideia da solidariedade internacional de todos os explorados em um poderoso ato de libertação!

 

Trabalhadores do mundo, uni-vos! Essa ideia tocou os corações e despertou vontades, e ainda assim levou quase duas décadas até encontrar expressão concreta na formação da Associação Internacional dos Trabalhadores em Londres, em 1864. Poucos anos de ação foram concedidos à Primeira Internacional, e fracos eram seus recursos materiais. Logo após a queda da heroica Comuna de Paris, a organização entrou em colapso. No entanto, no curto período de sua existência, realizou feitos imortais e imperecíveis. Tornou a ideia de solidariedade internacional patrimônio comum de todas as associações operárias que desejavam conduzir o proletariado da miséria e da escuridão à liberdade. As formas da Primeira Internacional tornaram-se estreitas demais para a vida nascente e crescente que constituía sua alma e que ela havia despertado em todos os países. A forma passou, a vida, a alma permaneceu e continuou a atuar em todo o mundo.

 

E quase duas décadas deveriam passar novamente antes que essa vida, essa ideia da solidariedade internacional do proletariado mundial pudesse encarnar-se numa união de trabalhadores combatentes. Em 1889, a Segunda Internacional foi proclamada no congresso socialista e operário internacional em Paris. Já não reunia apenas pequenas e fracas organizações operárias em seu estágio inicial de desenvolvimento; era a orgulhosa liga de partidos socialistas e organizações profissionais, jovem e avançando vigorosamente. Parecia unir uma vida cheia de força inesgotável e indomável, dar a essa vida uma direção comum, um objetivo comum, fiel aos princípios do socialismo internacional. Um congresso internacional após outro confirmava isso com discussões importantes, esclarecedoras e unificadoras, com resoluções sabiamente formuladas e inspiradoras, com brilhantes demonstrações de massa. Parecia que o tremendo poder material e moral acumulado na Segunda Internacional estava destinado a transformar-se numa poderosa ação contra o capitalismo.

 

Mas a Segunda Internacional limitou-se a permanecer uma simples oficina de fabricação de belas resoluções. Nunca a vontade comum, o poder total dos proletários unidos foi cerrado em um punho poderoso para realizar essas resoluções. Apesar de seu brilho, a Segunda Internacional não conseguiu sequer realizar a mais urgente das reformas econômicas que deveriam ter sido a pedra angular da proteção do trabalho — a jornada legal de oito horas. E, embora sua atividade fosse determinada por sua crença na alta missão do parlamentarismo, da democracia burguesa, em nenhum país ela conseguiu sequer estabelecer uma verdadeira e plena democracia política. E quando seu poder e seu valor foram postos à prova das provas, ela fracassou ignominiosamente. Quando a guerra mundial irrompeu, ela recuou diante da oposição à internacional dourada dos imperialistas embriagados de poder, à Internacional vermelha do proletariado que ansiava por liberdade e estava decidido a lutar por ela.

 

A Segunda Internacional não pôde sequer dizer, com Francisco I: “Tudo está perdido, exceto a honra”. Perdeu antes de tudo a sua honra, pois foi derrotada sem sequer lutar. Carregada de vergonha, pereceu nos campos de batalha onde proletários alemães e franceses se assassinavam mutuamente com a bênção da social-democracia alemã e do partido socialista unificado da França. O grandioso corpo da Segunda Internacional, suas vestes brilhantes e pomposas, continha apenas uma alma pequena, fraca e tímida. Uma alma que, em sua satisfação com os vermes rastejantes das reformas, havia perdido o anseio pelos tesouros dourados do socialismo. Um espírito incapaz de compreender que a época da evolução social lenta havia sido substituída por um período de progresso revolucionário tempestuoso. Uma vontade que preferia negociar com a sociedade burguesa por pequenas concessões em vez de combatê-la por grandes objetivos. O espírito, a vontade e a atividade da Segunda Internacional, em suas linhas principais, haviam sido moldados por sua “joia”, a social-democracia alemã. A decadência da social-democracia alemã, que ocultava uma política burguesa oportunista de reformas sob frases socialistas, foi a principal causa da morte da Segunda Internacional. Nenhuma tentativa de reanimação à maneira de Estocolmo ou Berna pode ressuscitá-la.

 

Mas a ideia da solidariedade internacional não pereceu com a Segunda Internacional na guerra fratricida. Viveu no orgulhoso “não” com que os social-democratas na Duma russa e na Skupshtina sérvia, e posteriormente no Parlamento italiano, recusaram conceder créditos de guerra a seus governos; deu asas à persistente agitação pela paz do Partido Trabalhista Independente britânico. Enquanto os cantos patrióticos de guerra dos social-democratas alemães, franceses, britânicos e austríacos se misturavam ao estertor dos proletários moribundos e aos gritos de dor dos feridos, a ideia de solidariedade ergueu-se novamente como guia das massas trabalhadoras em sua luta. Surgiu, ensanguentada da lama, com o rosto abatido e marcado pela dor, coberta de sujeira e ainda assim resplandecente de vida sublime e imortal. Na Conferência Internacional Socialista de Mulheres em Berna, em março de 1915, indicou aos socialistas fiéis aos seus princípios, aos proletários despertos de sua letargia, o caminho a seguir. Chamou-os: basta de palavras, é hora de agir. Unida seja a vossa vontade, unida a vossa ação!

 

Como a aurora que precede o nascer do sol, essa Conferência de Berna anunciou a Terceira Internacional Socialista. As conferências de Zimmerwald, Kienthal e Moscou redigiram sua certidão de nascimento, mas a prova mais forte de sua existência é dada pela atividade da nova Internacional. É certo que essa existência ainda não está regulada por regras e estatutos. Mas está ligada por algo infinitamente superior, infinitamente mais vinculante: os princípios do socialismo internacional. Transformar esses princípios de meras palavras em ação — essa é a tarefa histórica, a razão de ser da Terceira Internacional Socialista. É isso que a distingue de sua predecessora.

 

A ideia da solidariedade internacional dos proletários de todos os países, que levou os socialistas a se oporem corajosamente e com espírito de sacrifício à loucura da guerra mundial fratricida, foi a força que uniu a Terceira Internacional. Em meio às tempestades e às chamas da revolução mundial, ela agora a une ainda mais estreitamente, de forma indissolúvel. A desgraça da política de guerra sem princípios da Segunda Internacional deve desaparecer diante da glória da verdadeira política socialista da revolução mundial sustentada pela Terceira Internacional. Por meio da revolução mundial, o proletariado deve elevar-se novamente de sua profunda queda durante a guerra mundial às alturas do cumprimento consciente de sua missão histórica. A revolução mundial é a pedra de toque sobre a qual a Terceira Internacional deve provar seu direito de existir. Pois, apesar de todos os negadores da revolução mundial, de todos os céticos, já ouvimos o rugido da tempestade da revolução mundial.

 

Pois a revolução heroicamente iniciada na Rússia estabeleceu-se e fortaleceu-se. Por meio de sabotagem e terror branco, a minoria proprietária e seus seguidores intelectuais tentaram destruir a obra do socialismo revolucionário. Com seu poder concentrado nos sovietes, os proletários e camponeses sem terra quebraram sua resistência. O Exército Vermelho repeliu vitoriosamente as tropas estrangeiras, que, como mercenários do imperialismo internacional, eram esperadas para, em união com os contrarrevolucionários, estrangular a jovem república socialista. Esta não sucumbiu na luta, apesar de ter sido privada de seus mais ricos celeiros e isolada das regiões de carvão e petróleo, bem como de toda ligação com o mar. Ao contrário, os “selvagens bolcheviques” conseguiram até aliviar a mais negra miséria das massas, por meio de reformas de grande alcance e provisões sociais, lançando as bases de uma nova ordem econômica e, particularmente no que diz respeito à educação pública, realizando uma obra que, segundo o testemunho incontestável de Maxim Gorki, não tem precedentes na história.

 

Na Alemanha, a revolução arrancou a coroa da cabeça do monstro do capital. Agora a luta contra o próprio monstro está em seu auge. Para o proletariado alemão, já não se trata de mais ou menos democracia política e reforma social dentro de um Estado capitalista. O objetivo da luta é a aniquilação do próprio capitalismo, é a realização do socialismo. Com violência e terror sangrento, a ditadura de classe dos exploradores, exercida pelos “proletários” Ebert, Scheidemann e Noske, se opõe a tal objetivo. É uma profunda tragédia na luta dos trabalhadores alemães pela libertação que arrivistas proletários, pretensos social-democratas, armados com bombas e rifles, se coloquem diante da ordem capitalista como seus protetores. Mas esse punhado de malabaristas políticos será varrido em breve pelo ímpeto da tempestade revolucionária.

 

O triunfo do proletariado na Hungria fala com línguas de fogo aos escravos do capitalismo em todos os países. Com espantosa rapidez, a revolução rompeu a casca da discórdia nacional e revelou seu verdadeiro núcleo como luta de classes entre os produtores indigentes e escravizados e os apropriadores ociosos da riqueza social.

 

“O dia virá!”

 

A ideia da fraternidade internacional dos proletários de todos os países afirma-se vitoriosamente na gigantesca luta da revolução mundial. A revolução mundial é a essência e o objetivo da Terceira Internacional. A Segunda Internacional aspirava a uma manifestação mundial dos proletários combatentes. A vitória da revolução mundial deve ser o título de honra da Terceira Internacional. Por essa vitória devemos nos armar no Primeiro de Maio, com os olhos firmemente voltados para nosso objetivo, nossos corações cheios de ardente espírito de sacrifício, nossa vontade forte e intrépida. Baixamos nossas bandeiras em sinal de luto pelos heroicos mártires da revolução, erguemo-las com alegria na batalha vitoriosa, levamo-las firme e resolutamente adiante na última guerra sagrada dos trabalhadores. As saudações por ocasião das celebrações de Maio em todos os cantos do mundo só podem ser: “Salve a revolução mundial! Salve a Terceira Internacional Socialista!”

 

Por Clara Zetkin, publicado no The Communist International, Vol. I, Nº 3, 1919

 

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