"Como em Playa Girón, outra lição inesquecível da Revolução Cubana"
- NOVACULTURA.info

- 9 de set. de 2025
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Com a captura, em 1965, dos notórios bandidos Luis Vargas e José Rebozo, que atuavam na zona montanhosa do Escambray, pertencente então à província de Las Villas; e, posteriormente, com a localização e derrota do último bando que operava em Cuba, dirigido por Juan Alberto Martínez Andrade, chefe do chamado Frente de Camagüey, dava-se por concluída a épica batalha travada pelo povo cubano contra o banditismo.
Ficavam para trás dias e anos de muitos sacrifícios, e também de muita tristeza, pelas atrocidades cometidas pelos fora da lei, que não hesitaram em assassinar mestres, crianças, mulheres e idosos indefesos, entre eles os alfabetizadores Conrado Benítez, Manuel Ascunce Domenech e Delfín Sen Cedré, cujo único “crime” era contribuir para combater a ignorância em Cuba.
Evelio Duque, Osvaldo Ramírez, Julio Emilio Carretero, Margarito Lanza, Maro Borges e Cheito León foram alguns dos mais notórios bandidos que semearam o terror naquelas regiões intrincadas. A eles se enfrentaram milhares de combatentes, operários e jovens que, sob a direção de Fidel, demonstraram heroísmo em condições extremamente difíceis.
Aquela gesta, que agora completa 60 anos, também fez surgir homens e mulheres do povo, entre eles Puro Villalobos, Mongo Treto e o lendário Gustavo Castellón, apelidado de Caballo de Mayaguara, que, com sua sabedoria camponesa e o compromisso que os unia à nascente Revolução, souberam estar à altura do momento histórico que lhes coube viver.
A GÊNESE DA DESONRA
O fenômeno do banditismo explica-se pelo interesse declarado do imperialismo em destruir o processo iniciado em 1º de janeiro de 1959, expresso, desde o triunfo, em uma feroz campanha de descrédito, desinformação e pressões de todo tipo.
Para alcançar seus objetivos, era necessário contar com uma contrarrevolução fortalecida, que pudesse concretizar os planos e, no momento oportuno, facilitar a agressão direta, tal como ocorreu em abril de 1961, com a invasão mercenária em Playa Girón.
Já em outubro de 1959, o presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, ordenava a elaboração de um programa de ações encobertas contra Cuba, que incluía diversos atos terroristas por meio de atentados, sabotagens e vandalismos, a serem perpetrados por elementos contrarrevolucionários organizados e financiados por Washington.
Assim surgiram os primeiros grupos, que se estabeleceram inicialmente na região do Escambray, e depois se estenderam a outras regiões do país, com o objetivo de criar o caos e a insegurança e, no momento oportuno, dar apoio a uma intervenção direta dos EUA.
As primeiras bandas armadas apareceram em 1959, compostas principalmente por antigos membros dos corpos repressivos da tirania que, buscando escapar da justiça dos Tribunais Populares, refugiaram-se em zonas de difícil acesso, mais como forma de fuga do que de resistência organizada.
Embora oficialmente se considere Ramón Trujillo como o primeiro insurgente do Escambray, especificamente na zona de La Macagua, outras fontes indicam que o primeiro bandido contrarrevolucionário foi Luis Santana Gallardo, conhecido como Luis Vargas. Essas primeiras bandas foram combatidas com êxito por esquadrões da Polícia Rural Revolucionária e milícias operárias e camponesas.
No entanto, em julho de 1960, diante de novos e maiores levantes, o Comandante em Chefe ordenou a mobilização de camponeses da região, para organizá-los sob o comando de oficiais do Exército Rebelde, sendo designado como Chefe de Operações o comandante Manuel “Piti” Fajardo, morto em combate em 30 de novembro daquele mesmo ano.
Iniciava-se assim a Luta Contra Bandidos de maneira organizada, constituindo uma resposta revolucionária aos planos do império para destruir o processo emancipador. A primeira ação foi um pequeno enfrentamento em 7 de setembro de 1960, no qual não houve mortos, apenas três feridos, e foi capturado o fora da lei Sinesio Walsh.
OPERAÇÃO JAULA
Diante do aumento das bandas mercenárias e da iminência de uma agressão imperialista em grande escala, Fidel concebeu a Operação Jaula, popularmente conhecida como Limpia del Escambray, mediante a qual 80 batalhões das Milícias Nacionais Revolucionárias, integrados por cerca de 60 mil operários e camponeses de todo o país, marcharam rumo àquela serra para enfrentar a contrarrevolução.
Nessa contenda, que se estendeu de dezembro de 1960 até abril de 1961, participaram dezenas de homens e mulheres do povo, simples e humildes, muitos dos quais perderam a vida ou ficaram marcados para sempre, devido à dureza dos combates.
Como resultado das ações realizadas nesse período, foram neutralizados 420 insurgentes, dos quais 39 morreram e 381 foram feitos prisioneiros, incluindo seis dos dez principais chefes de bandas. Essa ação constituiu, além disso, o batismo de fogo para muitos batalhões de milicianos que combateriam poucos dias depois, em abril de 1961, em Playa Girón.
Após a primeira grande derrota do imperialismo na América, os bandidos dispersos pelo Escambray se reorganizaram com o apoio da CIA e iniciaram uma série de assassinatos e atos de vandalismo. Para se ter uma ideia da magnitude do fenômeno, basta dizer que somente em Las Villas operavam 41 bandas, que se estenderam gradualmente a outras províncias do país, chegando a quase 30 grupos armados.
Diante desse novo incremento, a direção da Revolução decidiu instituir, em setembro de 1961, as Regiões Militares A e B nos territórios do Escambray e Corralillo, respectivamente. Isso estabeleceu as bases para que, em 3 de julho de 1962, fosse fundada pelo Comandante Juan Almeida, então chefe do Exército do Centro, a Seção de Luta Contra Bandidos (LCB), sob a direção do comandante Raúl Menéndez Tomassevich.
Nessa época, o governo dos EUA já havia colocado em prática a chamada “Operação Mangosta”, através da qual os especialistas em guerra irregular do Pentágono sustentavam que grupos de comandos, devidamente treinados, poderiam criar focos de insurgência. O chefe das operações foi o general Edward Lansdale.
Diante de tanta agressividade imperial, as forças revolucionárias intensificaram suas ações, provocando a queda de várias das principais bandas. Derrotada no Escambray e em outras regiões do país, a CIA tentou novamente em 1964, infiltrando indivíduos na região oriental e formando focos em Baracoa, a fim de que pudessem ser apoiados a partir da ilegal Base Naval estadunidense em Guantánamo e até mesmo a partir do território da República Dominicana.
No entanto, a unidade e a organização alcançadas, assim como a determinação do povo liderado por Fidel Castro Ruz, permitiram liquidar, entre 1959 e julho de 1965, as 299 bandas que atuaram no país, reunindo cerca de 4.190 bandidos e 9.250 colaboradores.
Segundo consta no livro Bandidismo: Derrota da CIA em Cuba, dos autores Etcheverry e Gutiérrez, calcula-se que as baixas das forças revolucionárias que lutaram contra as bandas foram de cerca de 590 homens, com centenas de feridos e cerca de 250 incapacitados permanentemente.
A luta contra o banditismo contou, no total, com a participação de mais de 100 mil efetivos das Milícias Nacionais Revolucionárias, das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, somando todas as forças que integraram a LCB ao longo de seis anos de combate.
Também se tem a confirmação de 214 pessoas assassinadas pelas bandas contrarrevolucionárias, entre elas 63 camponeses e trabalhadores agrícolas, 55 milicianos camponeses, 13 crianças, oito idosos e três mulheres, além de nove professores voluntários, brigadistas e colaboradores da campanha de alfabetização.
A isso deve-se acrescentar o imenso custo econômico provocado por uma guerra à qual a nascente Revolução teve que dedicar numerosos recursos.
Como assinalou Fidel, em 26 de julho de 1965, em Santa Clara: “A erradicação dessas bandas não se fez sem sacrifícios. Milhares de homens, operários e camponeses, do Escambray, a imensa maioria, lutaram durante anos perseguindo incansavelmente e sem trégua o inimigo”.
E, em seguida, acrescentou: “O imperialismo recebeu uma lição inesquecível, o imperialismo recebeu uma lição não menos importante que a que recebeu em Playa Girón”.
Do Granma




















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