"Estender as chamas da resistência no campo das Filipinas"

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O principal predador imperialista Donald Trump deve chegar ao país no próximo mês. Com garras afiadas manchadas de sangue e asas estendidas, ele traz o Pax Silica para tomar por completo as terras e riquezas do país em benefício dos capitalistas estadunidenses. Trazendo esquemas opressivos, certamente será recebido com vigorosos protestos do povo filipino.
Em várias partes do país, sobretudo no vasto campo, a resistência irrompe em meio à opressão cada vez maior sobre as amplas massas do povo. O sofrimento, as dificuldades, a fome e a queda do padrão de vida se intensificam em consequência dos programas e políticas do regime de Marcos, que favorecem os interesses da classe dominante e dos grandes capitalistas estrangeiros.
O “polo econômico e de segurança” em Tarlac, as ferrovias do Corredor Econômico de Luzon, as operações de mineração de Nueva Vizcaya, Mindoro, Romblon e Samar a Caraga e Saranggani, a “fazenda solar” em Nueva Ecija, o aeroporto em Bukidnon, a “plantação de bambu” em Lanao. Há um impulso para acelerar, aumentar e expandir projetos de exploração madeireira, mineração, plantações, turismo e energia, bem como de infraestrutura, que se apropriam de centenas de milhares de hectares e expulsam dezenas de milhares de camponeses e povos indígenas de suas terras, e pescadores de seus pesqueiros.
Isso agrava o generalizado problema da falta de terra dos camponeses. A reforma agrária do governo reacionário, em quatro décadas, é uma fraude. Sete em cada 10 lavradores ainda não possuem terra. Isso é mais evidente nos arrozais, nas terras de cana-de-açúcar e nas vastas fazendas e plantações, onde prevalecem as piores formas de exploração feudal e semifeudal. Dias inteiros de trabalho extenuante não trazem nenhuma promessa de uma vida melhor em meio a altos custos de produção e de vida, e a perdas causadas pela compra a preços aviltados e pela manipulação dos preços dos produtos agrícolas. Os agricultores se afogam em dívidas com agiotas e bancos que exploram sua situação desesperadora.
A intensa militarização e a repressão fascista por parte das forças militares e policiais ampliam esses sofrimentos. Onde avançam empreendimentos de exploração madeireira, mineração, plantações ou outros que se apropriam de terras, ali a repressão é mais brutal. A Lei Marcial, sob o marco do “combate à insurgência”, é imposta aos barangays por meio da limitação da circulação das pessoas, inclusive da proibição de que as massas camponesas trabalhem em seus campos, mesmo na época do plantio ou da colheita.
O medo se generaliza com a aproximação do Super El Niño, que devastará a agricultura, causará novas perdas às massas camponesas e trará fome severa ao campo. A ira do povo se inflama diante das medidas inócuas do regime de Marcos frente ao desastre iminente.
Os frequentes exercícios militares dos EUA e das Forças Armadas das Filipinas (AFP) também trazem medo ao campo. Além de atrapalharem o sustento das massas camponesas e dos pescadores, colocam em risco suas vidas e destroem o meio ambiente que os sustenta.
O sofrimento generalizado no campo é o sofrimento de toda a nação. As massas camponesas constituem a maioria do povo filipino. São a maior força produtiva do país. São famílias inteiras que lavram a terra e geram riqueza, apesar de muitas delas serem “invisíveis” nas estatísticas do Estado reacionário.
A conversão generalizada de terras agrícolas destrói a produção de alimentos, aprofunda a dependência de importações e provoca nova alta nos preços do arroz, das hortaliças e de outros produtos alimentícios. O custo de vida no país sobe incessantemente, enquanto os salários e rendimentos da maioria do povo permanecem baixos.
A grave situação no campo reflete a crise persistente do sistema semicolonial e semifeudal. Não há genuína reforma agrária nem industrialização nacional. A produção agrícola continua atrasada, faltam severamente empregos produtivos, sobretudo em meio a deslocamentos em massa. Cada vez mais camponeses ficam sem terra e se tornam trabalhadores rurais ou semiproletários no campo. Para sobreviver, contentam-se com trabalho sazonal ligado à produção e ao comércio agrícolas.
A crise cada vez mais profunda e as contradições cada vez mais agudas do sistema capitalista monopolista internacional agravam ainda mais a crise social e econômica do país. A crise no campo é particularmente severa, impulsionada pela investida das corporações americanas e transnacionais para monopolizar a pilhagem dos recursos naturais do país e derrubar os preços dos produtos de exportação.
Movidas pela aspiração a uma genuína reforma agrária, consagrada no programa do Partido e da Frente Democrática Nacional das Filipinas, as massas camponesas embarcaram na luta pela mudança social nacional-democrática. Nesse caminho, unem-se para avançar suas reivindicações imediatas: a redução da renda da terra, mediante a alteração da divisão da colheita e dos custos em favor dos camponeses; o aumento dos salários dos trabalhadores rurais e agrícolas; a eliminação da usura; e a garantia de preços justos na porteira.
As lutas antifeudais das massas camponesas estão ligadas à luta de todo o povo para defender os direitos à terra contra o crescente roubo de terras e a pilhagem das riquezas e do patrimônio do país. Assim, o povo das cidades e do campo deve se unir. O campo está virtualmente coberto de gravetos secos. As centelhas da resistência certamente acenderão um grande incêndio de resistência.
Operários, semi-operários, jovens estudantes e outros setores das áreas urbanas são convocados a ir ao campo e unir forças com as massas camponesas na luta para fazer avançar seus direitos à terra, combater a exploração e defender o patrimônio do país.
Todas as classes e setores democráticos são chamados a ingressar no Novo Exército Popular (NPA) e a participar da guerra camponesa, que é um componente importante da guerra popular. No campo, o Novo Exército Popular vem se fortalecendo continuamente, aprofundando e ampliando incansavelmente seus laços com as massas camponesas. Diante da opressão crescente, o Novo Exército Popular está determinado a avançar a luta armada em apoio às lutas das massas camponesas e de todo o povo.
Do Ang Bayan













































































































































