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Marxismo-leninismo e lutas revolucionárias dos povos do mundo

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História das Três Internacionais

"Guerras do Imperialismo e Resistência"

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há 46 minutos
14 min de leitura

Visão geral introdutória dos pontos da cartilha

 

O mundo hoje enfrenta hostilidades interimperialistas intensificadas por meio de guerras de agressão, militarização crescente, coerção econômica, terror fascista de forças estatais e não estatais, e a normalização de conflitos prolongados que estão remodelando a atual ordem internacional. Ao lançar ataques descarados contra países, com impactos devastadores sobre a vida e os meios de subsistência das pessoas em todo o mundo, os EUA se desmascararam sem vergonha como a maior ameaça número um à paz e à estabilidade no mundo, tornando-se, com isso, mais isolados do que em qualquer outro momento de sua história. Com sua força econômica enfraquecendo e a ascensão da China, os EUA apostam tudo em seu poderio militar e devem aumentar seu orçamento militar para US$ 1,5 trilhão em 2027, partindo de mais de US$ 1 trilhão em 2026 — valor que já é maior do que os gastos militares combinados dos próximos 9 países.

 

A guerra é dolorosamente familiar para as massas de pessoas presas em seu meio e para aquelas compelidas ou forçadas a combatê-la. Mas as guerras de hoje são travadas em um campo de batalha muito mais amplo, que abrange cadeias de suprimentos inteiras e se estende até a esfera digital. O mundo passou a ser definido pelo choque mundial entre superpotências imperialistas pelo controle dos recursos e mercados globais, e quase todos os conflitos atuais no mundo são influenciados por essa disputa. Essa competição interimperialista nos aproxima cada vez mais do que pode vir a ser a guerra mais catastrófica do mundo desde a Segunda Guerra Mundial. O imperialismo estadunidense sabe que essa é a maior ameaça já existente em sua trajetória, pois está sendo destronado de sua posição hegemônica sobre o sistema imperialista mundial. Suas ações provam que não poupará nenhuma depravação contra a vida humana na tentativa de evitar esse destino.

 

Contudo, o imperialismo estadunidense também enfrenta outra ameaça poderosa à sua existência sob a forma de movimentos populares e guerras populares ascendentes por uma paz justa e duradoura, que estão unindo cada vez mais pessoas na luta por um mundo além do imperialismo — um mundo livre de guerras intermináveis.

 

Esta cartilha explica como o próprio sistema imperialista é a causa raiz de todas as guerras atuais. Ela descreve as diferentes formas que a guerra imperialista assume e como a guerra imperialista se contrapõe diretamente à guerra popular, uma guerra de resistência contra o imperialismo e seus fantoches ao redor do mundo. Por fim, explica como a única maneira de acabar com a guerra imperialista é acabar com o próprio imperialismo, e delineia como uma frente única global pela paz justa e duradoura pode unir os movimentos de massas democráticos pela paz em todo o mundo. Isso é feito por meio de uma variedade de táticas para mobilizar o apoio moral e político das massas às guerras populares de libertação nacional, que enfraquecerão as bases do imperialismo, regime fantoche por regime fantoche.

 

Qual é a relação entre guerra e imperialismo?

 

O imperialismo é o sistema político e socioeconômico do mundo atual. Os capitalistas monopolistas são a classe mais poderosa da sociedade, como proprietários dos negócios, das finanças e, em última instância, do capital. O imperialismo existe quando os detentores mais poderosos do capital no mundo dizimaram seus concorrentes em seus respectivos setores e passam a comandar grandes corporações multinacionais e instituições financeiras. Os capitalistas monopolistas são a classe dominante à frente do imperialismo. Essa oligarquia financeira precisa fazer seu lucro crescer constantemente, exportando seu capital por meio de cadeias de suprimentos em busca de recursos, terras e força de trabalho mais baratos. Esse sistema, em que tais oligarcas competem entre si para garantir essas fontes de superlucros, é propenso a choques caóticos e anárquicos de expansão e crise.

 

Para proteger e ampliar sua parcela privada crescente sobre os recursos, as economias e, em última instância, os povos do mundo, os imperialistas alegam defender a “independência” fictícia de antigas colônias, enquanto, na realidade, sustentam governos fantoches neocoloniais que servirão a seus interesses. Quando isso não garante o controle total sobre esses territórios, eles usam seu poder para impor violentamente sua vontade e saquear ainda mais recursos e capital, influenciando a estratégia diplomática e militar dos estados neocoloniais para alcançar seus fins. Estratégia militar e econômica estão intrinsecamente ligadas, o que leva a agressões recentes como a invasão dos EUA à Venezuela para tomar seu petróleo, a guerra EUA-sionista contra o Irã pelo controle de seu petróleo e das rotas de navegação, a guerra pelos vastos recursos agrícolas e minerais da Ucrânia, além da imensa concentração militar no Pacífico para controlar as rotas comerciais mais movimentadas e os mercados mais lucrativos do mundo.

 

A guerra é, portanto, um produto direto do imperialismo, e assim continuará até que o imperialismo seja encerrado. As guerras revolucionárias travadas por movimentos de libertação são uma resposta justa e necessária às guerras imperialistas e ao sistema explorador que elas protegem. Que outra opção têm os povos e nações oprimidos diante de tal sistema? As contradições geradas pelo imperialismo na sociedade precisam ser analisadas para compreender as causas raiz da guerra e do militarismo e construir uma frente única internacional que alcance uma paz justa e duradoura.

 

Uma contradição existente dentro do imperialismo é aquela entre os trabalhadores e a classe dominante capitalista monopolista. Esta última sempre busca maximizar seu lucro, e isso sempre passa por reivindicar a força de trabalho dos trabalhadores, que são forçados a vendê-la aos capitalistas para sobreviver. Nessa relação de exploração, os trabalhadores enfrentam inflação disparada constante, desemprego, escassez de alimentos e migração forçada, enquanto os que lucram no governo detêm o poder do Estado para iniciar novas guerras em seu próprio benefício.

 

Outra contradição do imperialismo é a existente entre nações e povos oprimidos, de um lado, e os países imperialistas, de outro. A classe dominante imperialista nunca se satisfaz apenas com a exploração do trabalho dos trabalhadores dentro de seus próprios países. Sua sede incessante de lucro a empurra a uma expansão violenta. Dessa forma, guerras sempre serão instigadas por estados imperialistas para reivindicar a terra, o trabalho e os recursos de outras nações e povos.

 

As nações nunca aceitarão essa opressão flagrante para sempre, de modo que outra contradição inerente ao imperialismo é a existente entre os estados imperialistas e aqueles que afirmam sua independência nacional diante da agressão estrangeira e das guerras de intervenção.

 

Por fim, dada a natureza anárquica do impulso capitalista pela acumulação e pelo lucro sem fim, os imperialistas mais poderosos sempre buscarão arrebatar, das mãos de seus concorrentes, a terra, os recursos, os mercados e a força de trabalho que estão sob domínio alheio, para uso próprio. Essa busca por redividir o mundo e ficar com os despojos da guerra levou a muitas guerras por procuração, nas quais imperialistas rivais tentaram esconder seu envolvimento. Embora esses conflitos já causem grande violência, instabilidade e deslocamento para as pessoas nos países onde ocorrem, essa rivalidade também traz o potencial de transformar guerras regionais de agressão em uma guerra mundial interimperialista de grandes proporções, no choque direto pelo lucro sem fim.

 

Hoje, a contradição entre os próprios imperialistas passou a definir todas as demais guerras, direta ou indiretamente. Para evitar um confronto catastrófico entre si em campo aberto, os imperialistas travam guerras por procuração entre si ou implementam campanhas mortais de contrainsurgência nos países para manter seu domínio de ferro sobre os povos — especialmente sobre os movimentos populares — e mantê-los à força em sua esfera de influência. Esse ponto reforça a necessidade urgente de acabar com a causa raiz do conflito interimperialista, o que só pode ser feito acabando com o imperialismo como sistema total, antes que ele incendeie o mundo inteiro.

 

Que formas de guerra imperialista existem?

 

A guerra interimperialista é a forma mais devastadora de guerra, em que toda a força das máquinas de guerra imperialistas é lançada uma contra a outra, usando quaisquer meios de propaganda e coerção disponíveis para mobilizar centenas de milhares de seus cidadãos a lutarem entre si com as formas mais horríveis de armamento de alta tecnologia, como mísseis, armas químicas e biológicas, drones, bombardeios em tapete e até ameaças de bombas nucleares. Apenas duas vezes eclodiram plenamente “Guerras Mundiais” interimperialistas entre estados imperialistas, incluindo o único uso de armas nucleares já empregado como arma de guerra contra civis, lançadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945. O arsenal em posse dos imperialistas hoje é inimaginavelmente mais destrutivo do que era na última Guerra Mundial. A ameaça de uma guerra interimperialista provocada pelos EUA contra a China é mais forte hoje do que nunca, com ambos os países expandindo rapidamente suas capacidades e prontidão militares por meio de exercícios, campanhas de recrutamento e novas leis para requisitar infraestrutura civil para uso militar.

 

Embora a guerra interimperialista não tenha sido travada diretamente desde a Segunda Guerra Mundial, países imperialistas como os EUA usaram suas próprias forças armadas para invadir e ocupar diretamente outros países. Às vezes isso foi feito para destruir os aliados de seus rivais. Em outras ocasiões, as invasões foram realizadas contra países apenas por afirmarem sua independência nacional frente à influência imperialista, como quando os EUA invadiram a Coreia (1950), o Vietnã (1965), a Somália (1992, 2006), a Iugoslávia (1999), o Afeganistão (2001), o Iraque (2003), a Líbia (1986, 2011, 2015) e muitos outros. O recente sequestro do presidente venezuelano Maduro e da Primeira Combatente Flores, em janeiro de 2026, não foi nada menos que uma invasão militar desse mesmo tipo, e os ataques com mísseis dos EUA e do regime sionista contra o Irã, durante a Guerra dos 12 Dias e a Guerra do Ramadã, não são diferentes.

 

Dado o custo de travar guerras diretamente, os estados imperialistas têm recorrido com muito mais frequência a guerras por procuração desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Isso ocorre quando o estado imperialista usa sua influência sobre estados fantoches neocoloniais para provocá-los a entrar em conflitos regionais, armando-os em seguida para influenciar o resultado. Guerras por procuração desse tipo são as que já eclodiram entre Índia e Paquistão, Iraque e Irã, Turquia e Grécia, a Ucrânia apoiada pelos EUA contra a Rússia, e o exemplo mais gritante, a entidade sionista dos EUA — “Israel” — contra o Irã e todo o povo da Palestina e da Ásia Ocidental. Guerras civis brutais, como as da Síria, do Sudão e da República Democrática do Congo, também devem ser vistas como guerras por procuração influenciadas e armadas externamente pelos imperialistas.

 

As campanhas de contrainsurgência são um braço da guerra imperialista, assumindo a forma de uma guerra fascista contrarrevolucionária contra o povo. Os estados imperialistas utilizam os regimes fantoches fascistas de seus estados neocoloniais para fazer guerra contra seu próprio povo — especialmente as classes trabalhadoras que criam a riqueza da nação — em nome dos imperialistas interessados em saquear os recursos de sua nação. A contrainsurgência fascista é, portanto, uma extensão da guerra de classes sob o imperialismo. Deliberadamente mal classificadas como “conflitos de baixa intensidade” para mascarar as guerras em larga escala contra o povo que essas operações representam, essas campanhas costumam ter como alvo os movimentos populares, rotulando-os de “terroristas” para isolá-los do povo, ao mesmo tempo em que atacam o próprio povo em benefício dos interesses políticos e socioeconômicos do Estado.

 

Essas campanhas tomam a forma de operações militares e policiais de longo prazo que constituem uma lei marcial de facto, implementada por regimes fascistas que utilizam tecnologias militares altamente avançadas fornecidas por seus estados imperialistas patronos. Elas combinam força militar, leis repressivas para legitimar o domínio fascista e guerra psicológica por meio de manipulação ideológica e controle da mídia de massa. Campanhas de contrainsurgência duradouras, promovidas ou apoiadas pelos EUA, existem nas Filipinas, na Índia, no Quênia, em El Salvador, no Egito e em muitos outros países ao redor do mundo.

 

Por fim, quando os estados imperialistas não conseguem impor seus interesses por meio da guerra direta, recorrem a sanções e bloqueios como forma de guerra econômica. Isso inclui o bloqueio forçado de alimentos, medicamentos, finanças e outras necessidades de um país ou território, com o objetivo de enfraquecer um estado ou povo. Embora sejam apresentadas como direcionadas apenas a indivíduos específicos, essas medidas são, na verdade, travadas contra todo o povo, com a intenção de fazê-lo passar fome até que apoie os interesses dos agressores imperialistas. Vale destacar que os EUA continuam empregando implacavelmente essas sanções e bloqueios genocidas contra países que afirmam sua soberania nacional frente ao imperialismo estadunidense, como Cuba, Irã, a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) e a Venezuela.

 

Como os povos do mundo resistem ao imperialismo e à guerra imperialista?

 

As guerras imperialistas e interimperialistas servem apenas aos interesses predatórios e parasitários dos capitalistas monopolistas, de garantir ou expandir os territórios sob seu controle econômico, político e militar. Enquanto o imperialismo existir, os trabalhadores e povos do mundo continuarão sendo alvo de violência catastrófica e miséria a serviço de sua exploração e opressão pelos imperialistas. E, já que se demonstrou que o imperialismo está na raiz de todas as guerras, a guerra existirá até que o imperialismo seja encerrado.

 

Mas a história mostrou que, quando o povo se une para derrubar o domínio do imperialismo em seus países, o caminho para a paz se abre. Exemplos da Rússia, da China, da Coreia, de Cuba, do Vietnã, da Nicarágua, do Iêmen do Sul e de outros mostraram como os povos oprimidos de um país inteiro, sob a liderança das classes mais exploradas desse país, conseguem alcançar a vitória por meio de sacrifício imenso, unidos em torno de um objetivo comum. Esses são países que conseguiram, em grande medida, reverter o domínio do imperialismo sobre seus territórios e iniciar o processo de construção do socialismo, estabelecendo um sistema econômico e político baseado na independência, bem como na paz e na cooperação entre nações. Muitos passaram por retrocessos nas conquistas socialistas alcançadas ao longo dos anos, por razões que fogem ao escopo desta cartilha. Mas nenhuma dessas vitórias ao longo da história teria sido possível sem a condução da guerra popular como caminho para a libertação de cada país.

 

Existem outras formas de guerras de resistência e afirmações em defesa da soberania que estados anti-imperialistas empreendem, mesmo que não tenham chegado ao poder por meio de uma guerra popular em escala nacional. O exemplo mais gritante disso hoje é a justa guerra de defesa do Irã contra os agressores EUA-sionistas, que causou mais danos à infraestrutura militar estadunidense do que qualquer guerra em muitas décadas. Outro exemplo são as inúmeras ações defensivas da Venezuela contra a intervenção dos EUA, que o movimento revolucionário bolivariano segue travando até hoje contra a ocupação de facto do país pelos EUA. A guerra do Iêmen contra a intervenção apoiada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, e o confronto com a entidade sionista “Israel”, é outro exemplo heroico, ao passo que a Aliança dos Estados do Sahel — Níger, Mali e Burkina Faso — uniu suas capacidades militares e políticas e segue resistindo à intervenção por procuração dos EUA, usando o aparato estatal que agora controla para defender sua independência.

 

Enquanto isso, guerras populares continuam sendo travadas contra os regimes imperialistas que governam sobre as costas do povo nas Filipinas, na Índia, em Papua Ocidental, em Mianmar, na Colômbia e em muitas outras nações, mesmo que esses movimentos ainda estejam ganhando força rumo a uma eventual paridade e vitória contra as forças armadas fantoches dos governantes de seus próprios países. Um dos exemplos mais ousados e corajosos de guerra popular desse tipo hoje é a resistência unida do povo palestino na campanha do Dilúvio de Al-Aqsa, para derrubar a ocupação EUA-sionista e pôr fim ao genocídio da Palestina promovido pelo imperialismo.

 

Em que a guerra popular se diferencia da guerra imperialista?

 

Enquanto os interesses da guerra imperialista já foram definidos acima como a serviço dos capitalistas monopolistas, travada nas formas mais brutais de guerra antipopular, usando os povos trabalhadores do mundo como carne de canhão, a guerra popular serve a interesses muito diferentes e é travada por meios bastante distintos.

 

A guerra popular não é uma guerra dirigida por uma classe usando os soldados de outra, mas uma guerra travada pela própria classe em si. Os trabalhadores, os camponeses e o semiproletariado, seja por meio da liderança partidária de um partido, seja pela liderança nacional de uma organização de libertação, travam sua luta contra as forças militares do regime fantoche.

 

As guerras populares resistem ao imperialismo não apenas aniquilando as forças fantoches imperialistas no campo de batalha, mas também atendendo às necessidades do povo que teve seu sustento destruído e saqueado pelo imperialismo. Ao fazer isso, o povo trabalhador e oprimido, ao travar sua guerra contra o imperialismo, demonstra que essa é uma guerra pela terra, pela libertação e pela soberania genuína de todo o povo da nação. Isso incentiva toda a nação a se juntar voluntariamente à luta e, portanto, à luta para verdadeiramente libertar seu país. Assim, as guerras populares não são apenas guerras de luta de classes, mas também de libertação nacional. São lutas justas pela liberdade de um povo inteiro, reconhecidas como tal até mesmo pelo direito internacional humanitário, apesar da instrumentalização dessas leis pelos imperialistas para promover seus próprios objetivos.

 

Enquanto o imperialismo está espalhado pelo mundo, como é o caso do imperialismo estadunidense hoje, a guerra popular reúne toda a nação para derrubar seus governantes fantoches apoiados pelo imperialismo e começar a construir um sistema que afirme sua soberania nacional e sua democracia genuína, em substituição ao sistema neocolonial que oprimia o povo em nome do imperialismo. Isso enfraquece os fantoches do imperialismo ao redor do mundo, um de cada vez, e assim enfraquece sua capacidade de travar suas guerras. Dado que essas lutas são de caráter nacional, e que uma frente única nacional de todas as classes progressistas e patrióticas de cada país é necessária para sustentar a guerra popular até a vitória, a maior contribuição que essas lutas de libertação nacional pode dar ao movimento anti-imperialista mundial é alcançar a vitória em seu próprio país. Um imperialismo enfraquecido pode ajudar outros movimentos a confrontar e derrotar seus próprios fantoches imperialistas, até que até mesmo os povos dos países imperialistas estejam em posição de se unir e derrubar os próprios regimes imperialistas a partir da sede de seus governos.

 

A paz genuína não é apenas a ausência momentânea de conflito, nem a ausência de guerra aberta à sombra da exploração e do sofrimento imperialista das massas do povo mundial. Quando se fala em paz justa e duradoura, ela deve vir acompanhada de justiça social, econômica e política, aliada à solidariedade entre os povos. Isso inclui o direito à autodeterminação, à autossuficiência econômica, à soberania alimentar e à autodefesa das nações e povos oprimidos contra a agressão e a violência reacionárias. A guerra popular é travada para a realização dessas justas aspirações populares.

 

O que é a ampla frente única pela paz justa e duradoura?

 

Os povos explorados e oprimidos do mundo são os que são atingidos e desenraizados pela guerra imperialista. Mas basta lembrar as contradições do imperialismo para ver como, em vez de dividir o povo, os ataques do imperialismo o aproximam cada vez mais.

 

Assim como os trabalhadores são explorados pelos capitalistas monopolistas, eles não têm outra escolha senão se organizar e revidar. Os movimentos de libertação nacional têm o mesmo interesse na luta anticapitalista dos trabalhadores, e vice-versa, em busca de um novo sistema de vida digna, empoderamento coletivo e paz em seus países. Como os países independentes estão ativamente resistindo às sanções impostas unilateralmente, às tentativas de golpe e a outras manobras de desestabilização dos imperialistas, tanto os trabalhadores do mundo quanto as nações oprimidas que lutam pela libertação podem encontrar um aliado nesses estados que mantêm o imperialismo à distância. Por fim, a rivalidade interimperialista coloca os trabalhadores, as nações oprimidas e os países independentes do mundo em uma união natural contra o genocídio e a possível aniquilação nuclear. Isso coloca os povos do mundo em uma frente única natural pela paz justa e duradoura contra o imperialismo.

 

Essa frente única só pode ter êxito se utilizar uma ampla gama de táticas, aproveitando plenamente todas as formas de luta onde existirem, para expor e combater os imperialistas por meios democráticos de massa. Mas as leis repressivas dos estados fascistas e belicistas garantem que essas táticas justas sejam tornadas ilegais e esmagadas sem piedade. Por isso, os movimentos de massas pela paz têm interesse natural em oferecer apoio moral e político às forças que confrontam diretamente os imperialistas e seus fantoches no campo de batalha.

 

À primeira vista, essas táticas podem parecer contraditórias. No entanto, os interesses do movimento de massas legal e das guerras populares em curso no mundo convergem na busca por acabar com a guerra imperialista e alcançar a paz justa e duradoura. É possível perceber que esses movimentos compartilham os mesmos objetivos em princípio, ainda que lutem por eles usando meios diferentes.

 

Portanto, a ampla frente única pela paz justa e duradoura é aquela em que todos os movimentos — incluindo os que travam guerras de resistência contra o imperialismo e os engajados exclusivamente no movimento democrático de massas — são direcionados ao mesmo objetivo. Somente assim a vasta maioria dos povos do mundo poderá se unir para acabar com o imperialismo e abrir caminho rumo a uma paz justa e duradoura e a um futuro socialista brilhante para a humanidade e o planeta.

 

Liga Internacional da Luta dos Povos (ILPS)

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