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"A Confissão de Marx"


Marx não era afeito a manifestações sentimentais exageradas, mes­mo em suas cartas para sua família e seus amigos. Mas é difícil alguém amar com tanta dedicação como ele amou sua esposa e seus filhos. Ele sobreviveu à morte de sua esposa com grande custo. A morte prematura de sua filha mais velha, Jenny Longuet, foi um golpe tão forte que não mais conseguiu se re­cupe­rar. Mas mesmo em suas cartas a Jenny, quem entre suas filhas era sua melhor amiga e colaboradora de trabalho, que tinha passado ao seu lado o mais difícil período de sua vida em Londres, Marx permanecia reservado. Suas cartas transpiravam carinho, ternura e solicitude; Marx – sobretudo nas cartas escritas em seus últimos anos – se esforçou para manter o bom estado de es­pírito perante sua filha, tentando animá-la, mas raramente conseguimos en­contrar nessas correspondências uma sentença “sentimental”. O mesmo se constatou em suas cartas a Engels, a quem nada escondia. Nessas, tratava dos assuntos relacionados à teoria, mas é parco em efusões afetivas. Ainda assim, que tamanha aflição transmitiu pelas seguintes linhas escritas ao seu amigo En­gels, de Argel, em 1º de março de 1882, para onde havia sido envi­ado após a morte de sua esposa, para que pudesse sair da atmosfera melancó­lica de sua casa em Londres!

Sabes que é difícil que haja alguém que suporte menos que eu qualquer tipo de expansividade excessiva. Mas estaria men­tindo se tentasse negar que meus pensamentos estão quase completamente absorvidos pela lembrança de mi­nha esposa. E é compreensível, pois vivi com ela os me­lho­res momentos da minha vida.