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"Recuperar as Malvinas: uma prioridade dos patriotas e anti-imperialistas"



Passado e presente de uma ocupação imperialista


Quarenta e um anos após a tentativa de recuperação de nossas Ilhas Malvinas, prestamos homenagem aos mortos que deram suas vidas lutando contra a ocupação britânica. Essa tentativa terminou em derrota, já que a ditadura militar pró-ianque improvisou esta ação – embora significativamente sentida e apoiada pelo povo – para dar ares novos diante do desgaste insustentável de seu governo sangrento e reacionário, subestimando os poderes que esta incursão militar afetou. Para além da liderança falha e do oportunismo dos ditadores, as forças destacadas – das quais participaram um número significativo de “soldados conscritos” – demonstraram que um inimigo tecnicamente superior pode ser enfrentado e combatido heroicamente motivado por uma causa justa: a defesa da soberania nacional.


A resistência e a habilidade de nossos soldados e suboficiais em inúmeras batalhas foram notáveis, causando inúmeras baixas à Força-Tarefa do Reino Unido, composta por armas e profissionais selecionados. A falta de convicção e a falta de coragem dos comandantes e da maioria dos oficiais também foram notáveis, exceto alguns, como os pilotos da Força Aérea, que realizaram uma atuação muito digna, constituindo um verdadeiro problema para os ingleses.


A “causa das Malvinas” foi geralmente assumida como própria pelos países irmãos da América Latina e do Caribe, que se dispuseram plenamente a fornecer equipamentos e até lutar ao nosso lado, algo que os ditadores apreciaram, mas ao mesmo tempo descartaram.


Essa derrota agudizou as contradições entre as classes dominantes argentinas e a crescente resistência popular selou o destino dos ditadores. Os governos “democráticos” limitaram-se – até hoje – às efusivas declarações e posições reivindicando a soberania sobre as ilhas, enquanto a relação econômica com o invasor foi restabelecida, tanto que os negócios e investimentos prevaleceram sobre o conflito. Longe de uma política de detente, o Reino Unido dedicou-se a aumentar a sua presença e a desenvolver um plano com duas pernas: tornar a zona em um polo econômico-extrativista baseado na riqueza marítima e ao mesmo tempo transformar as ilhas em uma base da OTAN, apontando ao corredor bioceânico, colocando no centro da disputa os objetivos bélicos e os recursos antárticos, dados os preparativos para as crises e emergências, típicos da guerra em larga escala que se aproxima.


Todo o cenário muda. A disputa interimperialista e seu produto: a guerra


A região, e particularmente a Argentina, está entre os territórios em disputa pelas potências imperialistas que travam – no caminho da guerra entre si – negócios, recursos e geografia em chave estratégica. Em solo argentino, na província de Neuquén, existe uma base do Exército Popular de Libertação da China, disfarçada de observatório de pesquisas aeroespaciais. A compra de caças de combate de 5ª geração dos chineses está atualmente avançada, o que se somaria ao seu envolvimento em um maior desenvolvimento de usinas nucleares, extração e indústria relacionadas ao lítio e o plano avançado para estabelecer uma base na operação multifuncional da Terra do Fogo, para o desenvolvimento da extração de recursos e operações tanto no sul da Patagônia quanto na zona antártica argentina.


Os EUA e a OTAN pretendem manter e ampliar sua influência – esparsa nas últimas décadas – em vista da crescente presença chinesa e, em menor medida, russa em nossa área. No Paraguai, avança-se com a presença militar dos Estados Unidos, antes baseada no combate ao terrorismo na chamada “Tríplice Fronteira”, agora para o controle da movimentação de cargas ilegais ligadas ao narcotráfico, elementos do exército estão já envolvidos, além da inteligência que sempre opera. Algo semelhante, pretendem instalar – DEA no comando – sob a desculpa do forte desenvolvimento territorial, produtor e exportador de drogas na área da grande Rosário argentino, o que ajudaria a controlar o fluxo de mercadorias e as ações dessa atividade, nos portos e hidrovias da região, uma das mais importantes do mundo.


Por sua vez, projetaram outras iniciativas de presença concreta de alguma forma de presença militar estadunidense, como a projetada na província de Neuquén –importante por sua enorme participação na produção de gás e petróleo – na fase de desenvolvimento, embora altamente resistido. por organizações populares locais. A nova situação aberta pela disputa interimperialista, desencadeou o rearmamento dos estados latino-americanos e as potências recorrem aos seus métodos de dissuasão, desde financiamentos ou contribuições para a infra-estrutura, bem como operando para o endividamento ou cancelamento de projetos, para ameaças diretas como as que vêm do próprio Pentágono, desde que alguns dos governos da região ultrapassem sua autonomia ou se envolvam mais com a China ou a Rússia.


No caso da compra de aviões para a força aérea argentina, o Reino Unido teve que retirar seu longo embargo executado às custas da guerra que ganhou, permitindo ao Estado argentino ter acesso quase livre aos caças oferecidos pelos Estados Unidos e outras produções de parceiros ou aliados.


O caminho da derrota e rendição ou o caminho da libertação


Os últimos governos da Argentina percorreram um caminho em zigue-zague que aprofundou a crise estrutural que atravessa nossa sociedade e nossa economia. Aproveitando certas condições no estádio da luta crescente entre as potências imperialistas, tentou-se fazer um jogo independente via Mercosul-BRICS, até a atual e perigosa dualidade que consiste na aproximação com os EUA e na renegociação das dívida escandalosa e fraudulenta contraída com o FMI que coloca o país em seu pior momento, até a adesão à Nova Rota da Seda: um armamento dos chineses para exportar seus excedentes de capital, enquanto inundam os mercados com bens subsidiados e desenvolvem infraestruturas estratégicas em direção aos seus próprios interesses.


Então, o que está em jogo é extremamente importante para nossa existência soberana como nação e, acima de tudo, como povo. Há uma tendência crescente e firme de resistência e avanço na consciência e ação popular em direção a um novo tipo de democracia, diante do fracasso de toda uma liderança política que não pode deter os monopólios locais, seus parceiros estrangeiros e muito mais; salvo os planos do imperialismo de ceder mais soberania e mais recursos, enquanto nossa população mergulha na miséria, nos baixos salários e nas inseguranças de todo tipo. Assumir, a partir das próprias forças operárias e populares, que é preciso avançar, valendo-se do direito de irrupção de rua rebelde contra a rendição e a fome, rumo a um novo tipo de democracia e um novo governo popular, patriótico e anti-imperialista, que coloca como seu centro as necessidades soberanas dos trabalhadores e do povo.


Neste quadro, a luta contra toda a dependência e contra a guerra interimperialista adquire um significado especial nas Malvinas: um governo surgido da insurreição popular deveria colocar a recuperação das ilhas como centro, como trava à escalada da guerra a partir de uma perspectiva independente e libertadora que ilumine o caminho para os países e povos da América Latina e do Caribe.


Por um governo que surgiu da luta rebelde do povo, que enfrenta as tarefas soberanas de recuperação nacional e liquida a propriedade imperialista, monopolista e do capital financeiro!


Fora FMI, fora ianques e suas bases na América Latina e no Caribe!

Vamos parar a guerra imperialista com a guerra popular!

Vamos recuperar as Ilhas Malvinas da ocupação britânica e da OTAN!


Capítulo ILPS Argentina

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