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A luta anti-imperialista dos Povos Africanos segue!



A África, o continente-mãe do desenvolvimento da raça humana e também berço ancestral daqueles que contribuíram para a formação do povo brasileiro, há séculos vê suas possibilidades de desenvolvimento sabotadas pelas mãos estrangeiras que ainda insistem em cercar o maior continente do planeta.


Para além das teses racistas de que os países e povos africanos não teriam se desenvolvido por incapacidade, limitações ou mesmo por falta de “mérito”, a história dos últimos 500 anos demonstra que o exemplo de África é uma clara demonstração de como o capitalismo necessita da exploração de milhares de milhares de pessoas para garantir o lucro de alguns poucos. A situação africana nada tem a ver com suposta incapacidade, mas sim trata-se da ação direta dos colonizadores para que tudo fique como está e assim se garanta os lucros.


Como afirma o revolucionário guianeense Walter Rodney, em sua obra “Como a Europa subdesenvolveu a África”, “as interpretações erradas das causas do subdesenvolvimento são provocadas pelo preconceito de pensar e pelo erro de crer que se poderão descobrir as razões do subdesenvolvimento dentro da economia subdesenvolvida. Só se conseguirá uma explicação verdadeira se se analisarem as relações entre África e certos países desenvolvidos e se reconhecerem nelas relações de exploração”.


Nessa obra-prima, Rodney demonstra que a África ajudou a desenvolver a Europa Ocidental na mesma proporção em que a Europa Ocidental ajudou a subdesenvolver a África. Demonstra como o continente se desenvolvia abertamente antes da chegada dos europeus e como a partir daí a relação de exploração e opressão passou a condenar os africanos a miséria e à escravidão, desde o modo antigo, escancarado, até os dias de hoje, com a escravidão assalariada.


O tráfico de escravos foi o ponto fundamental da dominação estrangeira no continente, em torno do qual se constituiu uma economia atrasada apenas para servir aos interesses dos capitalistas de fora, levando a estagnação, a não desenvolvimento de tecnologias, a produção de produtos primários da agricultura e mineração e a superexploração do trabalho de homens, mulheres e crianças.


Esse momento da consolidação do colonialismo não foi somente mais um dos sistemas de exploração impostos pelo capitalismo aos povos; foi muito mais, foi em torno disso que o capitalismo se consolidou, tomando os grandes lucros gerados nas colônias africanas como base para o avanço capitalista europeu, condenando, ao mesmo tempo, a África ao subdesenvolvimento.


O capitalismo, que sugou da África o conteúdo para o seu crescimento, chegou a sua fase superior, o Imperialismo, e sua relação de exploração e de opressão com os povos africanos, não só não diminuiu, como alcançou um novo patamar.


Comprovando a máxima de que onde há opressão, haverá resistência, os povos africanos desde meados do século XIX se insurgiram contra aquele estado de coisas e revoltas ocorreram por todo o continente. Com o surgimento do imperialismo, veio também a ascensão da época da revolução proletária, e nesse processo, a partir do grande exemplo da Revolução Socialista de Outubro de 1917, a luta de libertação nacional dos povos de África, Ásia e América Latina ganhou um novo fôlego.


Após a Segunda Guerra Mundial, recusando uma independência falsa e concedida pelos países imperialistas, os povos africanos se puseram em luta e estabeleceram guerras de libertação nacional contra os países colonizadores europeus, como França, Inglaterra, Portugal e Bélgica.


As heroicas lutas que ocorreram em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Burkina Faso, Congo, Gana, Argélia, entre outros, fizeram parte do grande movimento de libertação nacional que se espalhou pelo mundo, inspirados pelo marxismo-leninismo e pelo socialismo. Revolucionários como Thomas Sankara, Amílcar Cabral, Kwame Nkrumah, Agostinho Neto, Samora Machel, Patrice Lumumba, Eduardo Modlane, entre outros camaradas, marcaram seus nomes na história como grandes líderes dos seus povos.


Contudo, com a decadência do movimento revolucionário mundial no final do século XX, a contraofensiva do imperialismo conseguiu reverter em certa medida as conquistas de algumas revoluções ocorridas em África e em outros países, cuja independência foi obtida de modo apenas formal, constituiu o que chamamos hoje de neocolonialismo, que apesar de não ter uma força de ocupação estrangeira como outrora, mantém a exploração econômica como anteriormente. E em um momento de crise mundial como a que passamos hoje, a África é um dos primeiros locais onde se pode ver claramente os efeitos do capitalismo para os povos.


Vemos cenas de imigrantes mortos afogados ao tentar cruzar a nado o mar na tentativa de chegar aos países europeus mais próximos, como vemos rotineiramente nas notícias da TV; e mesmo os que conseguem a travessia, ou são presos em condições desgraçadas ou mesmo tem que vagar pelas ruas das cidades europeias, alvos do racismo e do subemprego.


Vemos também as notícias do caos nos mares, como o exemplo do Golfo da Guiné, um dos centros de pirataria mais ativos do mundo, em uma área marítima de três milhões e meio de quilômetros quadrados o qual ao longo da sua costa convergem cerca de vinte nações e através da qual navegam diariamente mais de 400 navios mercantes transportando 10% da produção mundial de petróleo.


Vemos os conflitos internos, seja de motivações étnicas ou religiosas, que são presentes na história recente de África, mas apesar de serem apresentados como dados da realidade e algo quase incontornável pela grande mídia monopolista, tem por detrás sempre os interesses das potências estrangeiras, que a depender do governo atual dos países e seus aliados, investem em grupos dissidentes para garantir sua dominação política e econômica, assim como também as guerras entre países são incentivadas se isso atender aos interesses do imperialismo, como os casos recentes de Sudão, Chade, República Centro-Africana, Mali e Etiópia demonstram.


Vemos que o terrorismo, antes apresentado como um mal oriundo do Oriente Médio, ganhou cada vez mais território na África nos últimos anos. Grupos que reivindicam relação com o Estado Islâmico, essa grande criação dos EUA, passaram a atuar em diversos países africanos como Moçambique, Nigéria, Niger, República Democrática do Congo, Burkina Faso e outros da região, controlando territórios, brutalizando a população e controlando o poder local para seus interesses.


Como vemos, a nova ofensiva imperialista tenta, como sempre, manter a África em um estado de subdesenvolvimento crônico, para que se garanta seus lucros em cima da morte de milhares de pessoas. Por isso é necessário retomar a luta pela libertação nacional e pela verdadeira independência dos países africanos, inspirados nos grandes heróis que, a partir do marxismo, puderam travar grandes batalhas contra o imperialismo por uma África soberana.


ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO #09 DO JORNAL RUMOS DA LUTA