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"É necessário criticar a fundo a teoria da 'base econômica sintetizada'"



TRÊS IMPORTANTES LUTAS NA FRENTE FILOSÓFICA DA CHINA (1949-1964)


PARTE 2


Pouco depois da fundação da República Popular da China em 1949, Liu Shaoqi incitou Yang Sien-chen, seu agente nos círculos filosóficos, a propagar uma teoria da “base econômica sintetizada”, o que desatou uma grande luta na frente filosófica da China. Tratava-se de uma luta de princípios acerca do caminho a seguir na China, o socialista ou o capitalista, e se a China teria uma ditadura do proletariado ou uma ditadura da burguesia.


Nos fatos, a teoria da “base econômica sintetizada” era uma variante da reacionária “teoria das forças produtivas” que, por sua vez, é uma concepção idealista da história que constitui a “base teórica” comum da corrente revisionista na China e no mundo. Liu Shaoqi, Yang Sien-chen e os demais falsificadores pseudomarxista sempre utilizaram tal teoria reacionária para propagar sua linha revisionista contrarrevolucionária e manipular a opinião pública a favor de suas atividades contrarrevolucionárias de opor-se à revolução proletária, derrotar a ditadura do proletariado e restaurar o capitalismo.


Produto da linha revisionista contrarrevolucionária

A fundação da república Popular da China deu início a uma nova época na China, a da revolução socialista e da ditadura do proletariado.


No informe ante a II Sessão Plenária do VII Comitê Central do Partido Comunista da China, celebrada em março de 1949, o Presidente Mao Tsé-tung fez uma análise penetrante das relações de classe e a situação econômica prevalecentes na China nesse momento e assinalou com clareza que depois da tomada do poder político pelo proletariado em todo o país, a principal contradição interna era “a contradição entre a classe operária e a burguesia”. O eixo da luta seguia sendo a questão do poder de Estado. O Presidente Mao chamou todo o Partido a continuar a revolução, a apoiar-se na ditadura democrática popular e a fortalecê-la, ou seja, a ditadura do proletariado, a desenvolver a economia estatal socialista e a levar a cabo passo a passo a transformação socialista da agricultura, a manufatura e a indústria e comércio capitalistas e a industrialização socialista a fim de “construir um grande Estado socialista”.


Neste ponto de viragem da revolução, Liu Shaoqi se opôs freneticamente à revolução socialista brandindo a andrajosa bandeira da reacionária “teoria das forças produtivas”. Contra a resolução da II Sessão Plenária do VII Comitê Central do Partido, armou seu programa contrarrevolucionário a favor da “cooperação entre os cinco setores da economia para consolidar o sistema de nova democracia”. Liu Shaoqi e os demais falsificadores dessa ralé apregoavam a ideia de desenvolver o capitalismo dizendo:


“Nosso país tem uma produção subdesenvolvida e atrasada. Hoje, o problema não é que haja demasiadas fracas nas mãos do capital privado, mas sim que há poucas. Agora vejam, não só se deve permitir que exista o capitalismo privado, senão que se deve desenvolvê-lo, expandi-lo”. “Na China, o socialismo virá em duas ou três décadas”.


Pugnaram por conservar a economia dos camponeses ricos por um longo tempo e por desenvolvê-la ativamente, chamaram a “consolidar a propriedade privada dos camponeses” e atacaram a cooperação agrícola como “uma espécie de socialismo agrário mal, perigoso e utópico”.


O Presidente Mao travou uma luta medida por medida contra Liu Shaoqi e sua camarilha, que conspiravam teimosamente a favor do caminho capitalista. Em 1953, num discurso sobre a linha geral do Partido acerca do período de transição, o Presidente Mao desacreditou completamente seu programa contrarrevolucionário de “consolidar o sistema de nova democracia”. Destacou:


“Algumas pessoas seguem paradas no mesmo lugar depois de alcançado o triunfo da revolução democrática. Sem compreender que o caráter da revolução mudou, continuam trabalhando por sua 'nova democracia' e não pelas transformações socialistas. Isto os conduzirá a erros de direita”.


Acerca da chamada proposta de “consolidar o sistema de nova democracia”, o Presidente Mao disse que era


“prejudicial” e “não se ajusta à realidade da luta e obstrui o desenvolvimento da causa socialista”.


Mas esses renegados não se deram por vencidos. No momento em que todo o Partido estudava e aplicava a linha geral do Partido para o período de transição, Yang Sien-chen, sob as ordens do falsificador Liu Shaoqi e companhia, remoçou o sinistro programa de “consolidar o sistema de nova democracia” e confeccionou a teoria da “base econômica sintetizada”. Propagou febrilmente por todas as partes esta variante da reacionária “teoria das forças produtivas” em oposição à linha geral do Partido.


Não obstante, guiada pela linha geral do Partido para o período de transição, chegava ao auge como nunca antes a iniciativa socialista dos camponeses pobres e camponeses médios da camada inferior de modo que florescia o movimento de cooperação agrícola; mesmo assim, cobrava impulso a transformação socialista da indústria e comércio capitalistas. Em seu vão intento de travar a roda da história, Liu Shaoqi e seus sequazes elaboraram, em 1955, seu vil estratagema de “opor-se à temeridade” e apregoaram sua política contrarrevolucionária de “deter”, “contrair” e “verificar” que reduziu dramaticamente o número de cooperativas. Yang Sien-chen entrou em cena neste momento e, queimando os miolos, escreveu o reacionário opúsculo “Sobre a base e a superestrutura durante o período de transição na República Popular da China”, sistematizando sua teoria da “base econômica sintetizada” com que urdir uma “base teórica” para o complô de Liu Shaoqi e sua companhia contra a revolução socialista. Enviou-o a Liu Shaoqi sem demora com o seguinte recado: “Espero que você encontre tempo para estudá-lo e dar-me instruções”. O mesmo Yang Sien-chen admitiu que quanto a sua teoria da “base econômica sintetizada” também havia “consultado” Chen Po-ta, o grande falsificador arrivista que se referia a si mesmo como uma “pessoa humilde e comum”. Tudo isso é prova contundente de que a luta iniciada por Yang Sien-chen era um complô político contrarrevolucionário saído das mãos de Liu Shaoqi e outros falsificadores.


No auge da encarniçada luta entre as duas linhas, o Presidente Mao elaborou o informe Sobre o problema da cooperativização agrícola, que fez em pedaços na teoria e na prática a revisionista “teoria das forças produtivas” e o complô contrarrevolucionário de Liu Shaoqi e companhia. Logo se desatou um auge na transformação socialista da agricultura, a manufatura e a indústria e comércio capitalistas em todo o país, situação que se caracterizou pela queda do oportunismo e o ascenso do socialismo. A transformação socialista da propriedade dos meios de produção da China obteve uma grande vitória, enquanto a reacionária “base econômica sintetizada” caiu em bancarrota total.


Reacionária falácia para derrotar a ditadura do proletariado

No fundo, de que se trata a teoria da “base econômica sintetizada”?


Yang Sien-chen afirmou: “no período de transição, a base econômica do poder do Estado de tipo socialista” tinha um “caráter sintetizado”, “abarcava tanto o setor socialista como o capitalista, assim como o setor da economia camponesa individual”; “podem se desenvolver de forma equilibrada e coordenada”; a superestrutura socialista deve “servir à base econômica em seu conjunto”, inclusive a economia capitalista e “servir também à burguesia”. Esta era uma teoria completamente reacionária e falaz para derrotar a ditadura do proletariado.


De acordo com o marxismo-leninismo, “o poder do Estado de tipo socialista” não é senão a ditadura do proletariado. Expressa de maneira concentrada os interesses fundamentais da classe operária e das demais massas trabalhadoras e sua base econômica não é senão “a base econômica socialista, ou seja... as relações de produçaõ socialistas” (Sobre o tratamento correto das contradições no seio do povo) A economia capitalista é um paraíso no qual a burguesia acumula fortunas enquanto que para o proletariado e as demais massas trabalhadoras é um inferno na terra. É a base econômica da ditadura da burguesia. A economia capitalista e a ditadura do proletariado são tão incompatíveis como o fogo e a água. Como é possível que a ditadura do proletariado se sustente em uma chamada “base econômica sintetizada” que abarca a economia capitalista?


A falácia de Yang Sien-chen se torna ainda mais disparatada quando a comparamos com a missão histórica da ditadura do proletariado, que aponta a abolir o capitalismo e os demais sistemas de exploração, a eliminar a propriedade privada. Lenin se referiu à economia no período de transição destacando:


“enquanto persistirem a propriedade privada dos meios de produção... e o livre comércio, seguirá existindo a base econômica do capitalismo. A ditadura do proletariado é o único meio para lutar com êxito pela demolição dessa base, a única maneira de abolir as classes...” (Obras completas, tomo 31).


Na China, se trava uma luta contra o capitalismo precisamente por meio da ditadura do proletariado. Para abolir passo a passo o capitalismo e a propriedade privada e estabelecer uma base econômica socialista tomamos diversas medidas para confiscar o capital burocrático-monopolista, levar a cabo a trnsformação socialista da pequena e média indústria e comércio capitalistas e estabelecer as cooperativas agrícolas e de manufatura. Somente dessa maneira se pode consolidar o triunfo da revolução e podemos ter a ditadura do proletariado. Como é possível que nosso poder de Estado proletário tome como base econômica a chamada “base econômica sintetizada” que abarca a economia capitalista?


De fato, simplesmente não existe nenhuma “base econômica sintetizada”, exceto como invenção de Yang Sien-chen e seus congêneres. Por razões históricas, o proletariado chinês tinha cinco setores da economia depois da tomada do Poder e estes se reduziram aos setores capitalista e socialista. Como estão diametralmente opostos, os setores socialista e capitalista não existem e não podem existir juntos pacificamente, como disse Yang Sien-chen nem podem se integrar para formar nenhuma chamada “base econômica sintetizada”, nem podem se “desenvolver de maneira equilibrada e coordenada”. Lenin disse:


“O período de transição há de ser de luta entre o capitalismo moribundo e o comunismo nascente ou, em outras palavras, entre o capitalismo que foi derrotado, mas não destruído, e o comunismo que nasceu, mas ainda é muito débil” (Obras completas, tomo 30).


E o Presidente Mao destacou:


“O período de transição está cheio de contradição e luta. Nossa luta revolucionária atual é ainda mais profunda que as lutas armadas revolucionárias do passado. É uma revolução profunda que enterrará para sempre o sistema capitalista e os demais sistemas de exploração”.


Assim é. O ocorrido no período de transição da China testemunha uma dura luta de vida ou morte entre os dois setores da economia, o socialista e o capitalista. Um engole o outro. Ou o avanço para o socialismo ou o retrocesso para o capitalismo: Não se admite em absoluto o compromisso na luta entre as duas classes, os dois caminhos e a duas linhas. É óbvio que a “sintetização” de Yang Sien-chen tenta “integrar dois em um”, negar a contradição e luta entre o socialismo e o capitalismo e deixar que o segundo engula o primeiro. Na essência, o “desenvolvimento equilibrado” constituía o desenvolvimento do capitalismo e o regresso à sociedade semicolonial e semifeudal. Não é o que Liu Shaoqi e cia, comando como ponto de partida sua reacionária “teoria das forças produtivas”, declararam abertamente que trabalhariam com os capitalistas por várias décadas, e depois para o socialismo, “quando a produção industrial da China tiver um excedente”? Chen Po-ta também disse: “Na China contemporânea, o sistema capitalista de exploração é progressista”, “tem um papel a desempenhar na indústria atrasada da China”, etc., etc. Isso constituiu a essência da “sintetização” e “desenvolvimento equilibrado” de Yang Sien-chen. Suas prédicas de uma “base econômica sintetizada”, na essência, não eram senão a tentativa de construir uma China sobre uma base econômica capitalista.


O Presidente Mao destaca que se não construirmos uma economia socialista, nossa ditadura do proletariado se transformará em uma ditadura da burguesia, uma ditadura reacionária, fascista. Claramente, Yang Sien-chen preparou e propagou sua teoria da “base econômica sintetizada” com o objetivo de abolir a revolução socialista, limpar o caminho para que Liu Shaoqi e cia usurpassem o poder de Estado e estabelecessem uma ditadura reacionária, fascista.


Yang Sien-chen dizia descaradamente que a superestrutura socialista devia “servir à base econômica em seu conjunto”, inclusive a economia capitalista; que devia “servir também à burguesia”. Que afirmação: “Devia servir à burguesia”!


O marxismo ensina que a superestrutura tem um caráter de classe; que o poder de Estado que está no centro da superestrutura é um instrumento da luta de classes, um aparato com que uma classe oprime a outra. Cada poder de Estado é uma ditadura de certa classe: ou uma ditadura do proletariado com que o proletariado e as demais massas trabalhadoras oprimem a burguesia e outras classes exploradoras, ou uma ditadura da burguesia e outras classes exploradoras com que estas oprimem o proletariado e as demais massas trabalhadoras. Yang Sien-chen até tentava fazer com que a superestrutura socialista “servisse à base econômica em seu conjunto” inclusive a economia capitalista e que nosso Estado da ditadura do proletariado “servisse à burguesia”. O que é isso senão a satisfação das necessidades contrarrevolucionárias de derrotar a ditadura do proletariado?


Como sabemos, Liu Shaoqi, Yang Sien-chen e seus sequazes foram além das palavras. Com o afã de “servir à burguesia”, impuseram nada menos que uma ditadura reacionária, fascista, nos departamentos em que haviam usurpado o poder. Na frente política, tentaram em vão reduzir a China a uma colônia do imperialismo e do social-imperialismo, conspirando para usurpar o poder do Partido, do governo e forças armadas. Na frente econômica, tentaram restaurar o capitalismo praticando em grande escalas as “quatro liberdades” (liberdade de vender terras, de contratar mão de obra, de usura e de comércio), san zi yi bao (a ampliação de mercados livres, das parcelas de uso particular, a promoção de pequenas empresas com a exclusiva responsabilidade de seus próprios lucros e perdas e a fixação de cotas de produção para cada lar), os ganhos no controle, estímulos materiais, a técnica em primeiro plano e apoio exclusivamente em especialistas na gestão das fábricas. Nas frentes ideológica e cultural, davam vida extra a suas vis mercadorias revisionistas e feudais e glorificavam os imperadores e príncipes feudais, generais e ministros, sábios e beldades no plano de manipular a opinião pública a favor de suas atividades contrarrevolucionárias. Na frente organizativa, formaram um quartel general burguês clandestino, recrutando renegados e traidores, protegendo a uns e a outros e trabalhando juntos. Assim, suas vis atividades foram para além da prédica “servir também à burguesia”. Nos fatos, eram fieis agentes, dedicados ao crime, dos imperialistas, revisionistas contemporâneos e reacionários do Kuomintang. A teoria da “base econômica sintetizada” constituiu uma manifestação, na teoria, das tentativas contrarrevolucionárias de derrotar a ditadura do proletariado da parte destes elementos kuomintanistas, renegados e agentes inimigos anticomunistas.


Refutação de “corresponder ao caráter das forças produtivas da China”

Segundo o principal argumento elaborado por Yang Sien-chen para justificar sua teoria da “base econômica sintetizada”, os cinco tipos de relações de produção no período de transição “correspondem ao caráter das forças produtivas da China”. Tal teoria desmascara em toda sua extensão Yang Sien-chen e seus comparsas como traficantes da pior “teoria das forças produtivas” reacionária.


Os cinco tipos de relações de produção em questão abarcavam a economia socialista e a economia capitalista, assim como a economia individual. Era possível que os cinco tipos “correspondessem ao caráter das forças produtivas da China”? Em 1940, o Presidente Mao destacou que a Grande Revolução Socialista de Outubro transformou o curso da história humana e deu início a uma nova época. O sistema ideológico e social do capitalismo no mundo “se assemelha ao 'moribundo que se extingue como o sol depois das colinas do Ocidente, e logo será também relegado ao museu” (Sobre a nova democracia). Nos anos de 1950, sobretudo no momento em que a China havia estabelecido a ditadura do proletariado e entrado na etapa da revolução socialista, como era possível seguir dizendo que as relações capitalistas de produção “correspondiam ao caráter das forças produtivas da China”? Depois de tomar o poder do Estado, começamos imediatamente a confiscar o capital burocrático, a principal parte do capitalismo do país, e a transformá-lo em propriedade do Estado. No caso da indústria e do comércio da burguesia nacional, a política que adotamos de utilizá-los, restringi-los e transformá-los jamais implicou em que o capitalismo “correspondesse ao caráter das forças produtivas da China”. Ao contrário, mostrou que o capitalismo não correspondia ao caráter das forças produtivas e que era necessário transformá-lo passo a passo em propriedade socialista do Estado. De fato, era inevitável que o reacionário afã de lucros da burguesia e as maiores contradições entre o capitalismo e o socialismo entravassem fortemente a expansão das forças produtivas socialistas. Todavia se recorda do frenético ataque que a burguesia, com o apoio de Liu Shaoqi e cia, lançou contra o proletariado pouco depois da fundação da República Popular da China, por meio dos cinco males de subornar funcionários do governo, evadir impostos, roubar propriedade do Estado, falsificar contratos do governo e roubar informações econômicas de fontes governamentais com vistas à especulação privada, que minaram seriamente a produção agrícola e industrial do país. Ante tudo isso, como é possível dizer que as relações capitalistas de produção “correspondem ao caráter das forças produtivas da China”?


A economia individual, segundo a descrição do Presidente Mao, era dispersa e atrasada e diferia pouco da dos tempos antigos. Está certo que nossa reforma agrária rompeu as travas do sistema feudal de exploração e libertou as forças produtivas na agricultura do país, mas a economia individual proporcionava poucos meios para sua expansão. Os cereais e matérias primas que gerava para o mercado a produção individual e a dos camponeses haviam ficado pequenos, em uma medida sempre maior, em relação às crescentes necessidades da população e da industrialização socialista. E mais, a economia individual é instável e engendra o capitalismo a cada dia e a cada hora. Em tal caso, é possível que a economia individual “corresponda ao caráter das forças produtivas da China”?


O argumento de Yang Sien-chen, “corresponder ao caráter das forças produtivas da China”, se reduzia ao seguinte: por causa de suas forças produtivas atrasadas, a China estava condenada a desenvolver somente o capitalismo e a construir uma base econômica capitalista; não deveria nem poderia levar a revolução socialista a cabo nem construir uma base econômica socialista. Deveria estabelecer uma ditadura da burguesia a serviço da base econômica capitalista; não deveria nem poderia instaurar uma ditadura do proletariado. Esta é a “teoria das forças produtivas”, reacionária de cabo a rabo.


A “teoria das forças produtivas” é uma corrente revisionista internacional que adula a espontaneidade. Exagera absurdamente o papel decisivo das forças produtivas, que se reduzem aos meios de produção + a técnica. Nega por completo o fator do ser humano e o efeito da revolução sobre o desenvolvimento da produção, das relações de produção sobre as forças produtivas e da superestrutura sobre a base econômica. Segundo tal falácia, o desenvolvimento da sociedade seria somente o resultado natural do desenvolvimento das forças produtivas, que quando as forças produtivas se desenvolvem altamente, automaticamente apareceria uma nova sociedade, que quando as forças produtivas não tivessem ainda se desenvolvido altamente seria fútil que o proletariado realizasse com consciência a revolução socialista. Esta falácia de substituir a dialética revolucionária pelo evolucionismo vulgar se opõe à revolução proletária e à ditadura do proletariado. É puro idealismo histórico.


O Presidente Mao destaca:


“É verdade que as forças produtivas, a prática e a base econômica desempenham, por regra geral, o papel principal e decisivo; quem negar isso não é materialista. Mas é preciso admitir também que, sob certas condições, as relações de produção, a teoria e a superestrutura desempenham, por sua vez, o papel principal e decisivo” (Sobre a contradição).


Esta tese científica muito importante, que enriquece e desenvolve os princípios básicos do materialismo dialético e do materialismo histórico, assinala claramente que em um período de transformação revolucionária as relações de produção e a superestrutura podem desempenhar o papel principal e decisivo com relação às forças produtivas e a base econômica. A revolução significa libertar as forças produtivas e promover seu crescimento. A história mostra que cada revolução em certa medida é produto do desenvolvimento das forças produtivas, mas isso não necessariamente quer dizer que a transformação das relações de produção atrasadas deva anteceder o pleno desenvolvimento das forças produtivas. Pelo contrário, é preciso primeiro criar opinião pública, tomar o poder do Estado e logo resolver o problema da propriedade, depois do qual será preciso resolver o problema de impulsionar o grande desenvolvimento das forças produtivas. Assim é a lei geral da revolução. De acordo com as falácias de Liu Shaoqi, Yang Sien-chen e cia, se ao invés de transformar as relações de produção atrasadas depois da tomada do poder de Estado, fosse permitido que o capitalismo crescesse sem freio com a esperança de desenvolver as forças produtivas, a China teria se transformado em uma colônia do imperialismo e do social-imperialismo e não haveria absolutamente nenhum socialismo.


A “teoria das forças produtivas” apregoada por Liu Shaoqi, Yang Sien-chen e seus comparsas não tem nada de novo, pois é o mesmo disparate revisionista da II Internacional que há muito tempo desacreditou profundamente.


Lenin refutou a revisionista “teoria das forças produtivas” desmascarando os traços dos renegados Bernstein, Kautsky e cia. No artigo “Nossa revolução”, destacou que todos os “heróis” da II Internacional cantavam em mil tons distintos que o “desenvolvimento das forças produtivas na Rússia não alcançou o nível que possibilite o socialismo”. Repudiou esse disparate dizendo:


“Dizem que é necessário ter civilização para construir o socialismo. Muito bem. Mas, por que não podemos criar primeiro as bases prévias para a civilização em nosso país, por exemplo, expulsar os latifundiários e os capitalistas russos, e logo começar a dar passos para o socialismo? Onde, em quais livros, leram que não é permitido ou que não são possíveis tais variações do acostumado curso dos acontecimentos da história?” (Obras completas, tomo 33).


Lenin, sem misericórdia, arrancou a máscara marxista destes “heróis” com as seguintes palavras:


“eles se dizem marxistas, mas sua concepção do marxismo é incrivelmente pedante”; “temem apartar-se da burguesia, sem falar de romper com ela, e ainda encobrem sua covardia com a retórica e fanfarronaria mais descabidas” (ibíd.).


E não é que cada palavra, cada frase de Lenin remove a chaga mais purulenta dos falsificadores pseudomarxistas tais como Liu Shaoqi e Yang Sien-chen? Para se opor à revolução socialista na propriedade dos meios de produção, estes falsificadores também cantavam em mil tons acerca de sua falácia de que “por causa de suas forças produtivas atrasadas, a China não pode avançar para o socialismo”.


Refutação da falácia da “contradição entre o sistema socialista avançado e as forças produtivas sociais atrasadas”

Em maio de 1956, quando a China havia realizado no fundamental a transformação socialista da propriedade dos meios de produção e a teoria da “base econômica sintetizada” havia sido arrebentada, Liu Shaoqi consolou e alentou pessoalmente Yang Sien-chen, dizendo: “Você tem razão”. Agregou que o capitalismo privado “faz parte da base”, “mas não é necessário falar desse problema” (Que coisa! Se Yang tivesse razão, por que não deveria falar disso?


Em pouco tempo a verdade veio à tona: “já não é necessário falar desse problema” era um disfarce; na verdade, o que se tinha a fazer era montar um febril contra-ataque. Como a “teoria da base econômica sintetizada” havia sido arrebentada, Liu Shaoqi, em colaboração com Chen Po-ta, mudou de tática e disse que a principal contradição interna da China era “a existente entre o sistema socialista avançado e as forças produtivas sociais atrasadas”, disparate que meteram de contrabando na resolução do VIII Congresso Nacional do Partido Comunista da China. Esta chamada “contradição” não era senão outra manifestação da reacionária “teoria das forças produtivas” em novas circunstâncias. A falácia da “base econômica sintetizada” e a invenção dessa “contradição” se assemelhavam a duas cabaças venenosas da mesma planta. Antes da transformação socialista, lançaram mão de tudo que tinham a seu alcance para proteger as relações capitalistas de produção sob o pretexto de que a China tinha um baixo nível de produção. Depois da transformação socialista, sob o mesmo pretexto, conspiraram de maneira insidiosa contra o sistema socialista e contra a continuação da revolução sob a ditadura do proletariado.


Como pode existir algo como uma contradição entre um sistema social avançado e umas forças produtivas atrasadas? O marxismo nos ensina que as forças produtivas, sobretudo os trabalhadores, constituem o fator mais ativo e revolucionário em qualquer modo de produção, que o desenvolvimento da sociedade invariavelmente parte do crescimento das forças produtivas. Quando as forças produtivas ultrapassam as relações de produção, há uma situação em que as relações de produção já não correspondem às forças produtivas, a superestrutura já não corresponde às relações de produção e já é necessário mudar as relações de produção e a superestrutura para que lhes correspondam. Ao dizer que a superestrutura corresponde às relações de produção e as relações de produção correspondem às forças produtivas, ou ao dizer que há um equilíbrio entre os dois aspectos respectivamente, falamos somente no sentido relativo. O que é absoluto é que as forças produtivas seguem avançando e por conseguinte sempre haverá desequilíbrio e sempre haverá contradição.


Ao analisar as contradições básicas da sociedade chinesa, o Presidente Mao destacou:


“já foram criadas as relações de produção socialistas e elas estão em consonância com o desenvolvimento das forças produtivas; mas, ao mesmo tempo, estão longe de ser perfeitas, e esta imperfeição se acha em contradição com o desenvolvimento das forças produtivas. Esta fenômeno de consonância e contradição simultâneas, além de se dar entre as relações de produção e o desenvolvimento das forças produtivas, se apresenta também entre a superestrutura e a base econômica” (Sobre o tratamento correto das contradições no seio do povo).


Sem dúvida alguma, as relações socialistas de produção da China são avançadas; se adequam mais ao desenvolvimento das forças produtivas que as antigas relações de produção e facilitam o desenvolvimento das forças produtivas a uma velocidade sem par na velha sociedade, de modo que a produção possa se expandir constantemente para satisfazer passo a passo as necessidades cada dia maiores das massas.


Como sabemos, ainda existem contradições entre nossas relações socialistas e as forças produtivas e entre a superestrutura e a base econômica. Estas contradições se manifestam inevitavelmente na luta entre as duas classes, entre os dois caminhos e entre as duas linhas. Existem porque, de um lado, ainda existe a burguesia e, do outro lado, o sistema socialista tem que passar por um processo contínuo de construir e consolidar. Por isso é que, precisamente na sociedade socialista, o desenvolvimento das forças produtivas também se adianta às relações de produção. Portanto, não existe a “contradição entre o sistema socialista avançado e as forças produtivas sociais atrasadas”.


Não se pode senão perguntar: Por quê é que Liu Shaoqi e os demais falsificadores confeccionaram esta chamada “contradição” que não tem fundamento teórico e de fato não existe e a declaram a principal contradição interna da China?


Inventaram esta “contradição principal” para criar uma “base” para sua falácia da “extinção da luta de classes” com o objetivo de negar a tese científica marxista-leninista do Presidente Mao de que a principal contradição interna da China é “a contradição entre a classe operária e a burguesia”, negar a existência das contradições, classes e luta de classes na sociedade socialista, opor-se à continuação da revolução sob a ditadura do proletariado, derrotar a ditadura do proletariado e restaurar o capitalismo.


O Presidente Mao desnudou de maneira oportuna e arrebentou completamente as reacionárias falácias destes falsificadores. Em 1957, no brilhante ensaio Sobre o tratamento correto das contradições no seio do povo, analisou cientificamente as contradições de classe e a luta de classes na sociedade socialista e assentou as bases teóricas para continuar a revolução sob a ditadura do proletariado. De novo, na X Sessão Plenária do VIII Comitê Central do Partido celebrada em setembro de 1962, o Presidente Mao desmascarou o complô de Liu Shaoqi e cia para restaurar o capitalismo.


Não obstante, estes renegados não deixaram e “nunca deixarão de lado seus cutelos de carniceiro, nem se converterão jamais em Budas”. Durante a Grande Revolução Cultural Proletária, quando estavam num beco sem saída e lutavam contra seu fim, o renegado e traidor Lin Piao, de mãos dadas com Chen Po-ta, brandiu a andrajosa bandeira da “teoria das forças produtivas” e vomitou o disparate de que a tarefa principal depois do IX Congresso Nacional do Partido era desenvolver a produção, etc. desesperados, lutaram contra a política do Presidente Mao de “empenhar-se na revolução e promover a produção” e se opuseram à continuação da revolução sob a ditadura do proletariado. De fato, o que apregoaram era uma versão remoçada em novas condições do disparate da “contradição entre o sistema socialista avançado e as forças produtivas sociais atrasadas”.


Mas, a dialética da história é implacável. Por mais duro que Liu Shaoqi e outros falsificadores lutaram e recorreram a sofismas, a tempestade desta Grande Revolução Cultural por fim os varreu um depois do outro, para a lixeira da história.


Escritos pelo Grupo redator de Artigos para a Crítica Massiva Revolucionária da Escola do Partido subordinada ao Comitê Central do Partido Comunista da China, saíram pela primeira vez separadamente no Renmin Ribao (Diário do povo), Hongqi (Bandeira Vermelha) e Guangming Ribao (Diário de Kwangming), entre fevereiro e maio de 1971.