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"Dolores Ibarruri, La Pasionaria"


Dolores Ibarruri, "Passionária", nasceu em Gallarta, coração da zona mineira de Biscaia, a 9 de dezembro de 1895. Seu pai era mineiro, seu irmão também, seu marido foi igualmente mineiro. Entre os mineiros aprendeu Dolores Ibarruri a defender a causa da classe operária. O socialismo encontrou em Biscaia, desde os primeiros temais da divulgação de suas teorias na Espanha, um dos mais firmes baluartes. Entre os operários bascos enraizaram-se rapidamente as doutrinas socialistas. Orientados e dirigidos pelo grande orador Facundo Perezagua, animador e organizador do movimento socialista em Biscaia durante a última década do século passado, os mineiros desenvolveram lutas e greves em grande escala, fazendo tremer de pavor a burguesia reacionária de Euzkadi, e que formam na história do proletariado espanhol um de seus mais belos capítulos. As mulheres dos mineiros durante as greves para apedrejar os fura-greves, seguidas de suas crianças, entre as quais sempre se encontrava Dolores. Naquele ambiente de lutas operárias contra a exploração capitalista e de privações e misérias, cresceu e se educou o Secretário Geral de nosso Partido, a camarada Dolores Ibarruri. Aos quinze anos, Dolores começou a trabalhar numa oficina de costura. Mais tarde, serviu em casa de ricos comerciantes. A exploração brutal a que se viu submetida não a fez renunciar a seu desejo de saber. Lia e estudava sem cessar. Seu amor à leitura era conhecido em todo o seu povoado. Aos vinte anos, Dolores casou-se com um mineiro. A vida dura do lar miserável dos mineiros acentuou sua combatividade e o desejo de educar-se politicamente, de lutar para ajudar a melhorar a sorte dos trabalhadores. Na greve revolucionária de 1917, a camarada Dolores, participou ativamente da luta ao lado dos mineiros bascos. Dolores aprendia e ensinava. Começou ensinando às crianças de seu bairro. Ensinava a ler e a escrever aos jovens mineiros, companheiros de trabalho de seu marido. Começou ainda adolescente a instruir a juventude que a rodeava, e hoje, na plenitude de sua vida exemplar, Dolores Ibarruri é a mestra de todo o nosso Partido, de nosso povo inteiro. A Revolução Socialista de Outubro de 1917, irradiou sua poderosa luz sobre o mundo dos explorados. Pela primeira vez na história da humanidade, as classes secularmente oprimidas e exploradas se convertiam em donas absolutas de seus destinos e dos destinos de seu povo, e de sua pátria. Dolores Ibarruri foi desde o primeiro momento uma ativa defensora e propagandista da Revolução, de Outubro e do novo Estado soviético. O exemplo dos bolcheviques foi para Dolores a luz que iluminou o caminho a seguir, o caminho de Lênin e Stálin. Em fins de 1917, Dolores Ibarruri ingressou no Partido Socialista. Nas fileiras socialistas, Dolores combatia energicamente a política de traição, dos caciques social-democratas, reformistas, entregues à burguesia. Nesta época começou Dolores Ibarruri a colaborar na imprensa operária, com o pseudônimo de "Passionária". Seus artigos despertavam entusiasmo e admiração entre os trabalhadores, que neles viam refletidos seus anseios, os sentimentos do povo oprimido. Nos anos de 1919 e 1920, o nome de "Passionária" é conhecido em Biscaia como o de uma organizadora resoluta dos partidários da III Internacional. A luta política contra o oportunismo dos chefes social-democratas, que atuavam como defensores dos interesses da burguesia, leva Dolores Ibarruri a abraçar ardentemente o marxismo-leninismo, as teorias triunfantes na Rússia, que inspiraram o proletariado russo, conduzido pelo Partido de Lênin e Stálin, na derrubada do poder da burguesia, na tomada do poder para a classe operária e na implantação da ditadura do proletariado, para acabar com a exploração do homem pelo homem, construir o socialismo e a sociedade comunista. Em 1920, Dolores organiza com os operários mais conscientes da zona mineira, os primeiros grupos comunistas, arrastando com seu exemplo, com sua palavra calorosa e sua capacidade de organizadora, os operários socialistas do povoado em que vivia, Somorrostro. A Agrupação Socialista de Somorrostro foi a primeira a passar decididamente para o Partido Comunista Espanhol que acabava de ser criado. O sindicato mineiro do mesmo povoado foi também o primeiro a combater a direção reformista, colocando em seu lugar uma direção composta de comunistas. Nossa camarada Dolores Ibarruri foi eleita para a direção do Partido Comunista em Biscaia. Foi nomeada delegada ao I Congresso do Partido Comunista da Espanha, surgido em 1921, da fusão do Partido Comunista Operário e do Partido Comunista Espanhol. A ditadura de Primo de Rivera, representou para os trabalhadores revolucionários de Biscaia, novas provas, perseguições, prisões. Não havia trabalho. A fome e a miséria eram hóspedes inseparáveis do lar de "Passionária". Isto não impedia que sua casa fosse o refúgio permanente dos camaradas perseguidos, necessitados. Naqueles tempos difíceis, a camarada Dolores, participou valentemente das greves, manifestações e lutas dos operários bascos contra a ditadura militar fascista. Em muitas tardes, a camarada Dolores se reunia com alguns companheiros para estudar o marxismo. Aquele grupo de comunistas jovens estudava, nas condições difíceis em que se desenvolvia, as poucas obras revolucionárias e marxistas, traduzidas para o castelhano, que encontrava a seu alcance. A camarada Dolores Ibarruri, foi designada delegada ao II Congresso de nosso Partido, que se devia realizar em Paris. As dificuldades da clandestinidade a impediram de assistir ao mesmo. Em 1930, realizou-se a Conferência, chamada de Pamplona, do Partido Comunista de Espanha. Dolores Ibarruri assistiu a ela e foi eleita membro do Comitê Central de nosso Partido. Em 1932 passou a ser membro do Birô Político. Os comunistas de Biscaia apresentaram a camarada Dolores, cujo nome como oradora e dirigente comunista já era muito conhecido, não só em Biscaia, como em toda a Espanha, como candidato às eleições às Cortes Constituintes, obtendo muitos milhares de votos. No Poder, o bloco republicano-socialista aplicava medidas e leis repressivas contra os trabalhadores, em defesa dos interesses da grande burguesia e dos latifundiários. A 1.° de maio de 1931 o Governo republicano-socialista proibiu as manifestações operárias. Os comunistas bascos anunciaram sua decisão de realizar a manifestação, com ou sem permissão. Realizaram em Bilbao, nos Campos Elíseos, um comício em que falou "Passionária". Ao terminar o comício, os oradores comunistas encabeçaram a manifestação, que se pôs em marcha. Os guardas, que tinham permanecido ocultos em lugares estratégicos, caíram brutalmente de todos os lados sobre os manifestantes. Produziram-se choques sangrentos. Dezenove manifestantes e quatro guardas feridos. Em meio da confusão, um oficial das forças repressivas se apoderou da bandeira vermelha. Imediatamente apareceu Dolores e lançando-se sobre o oficial, arrancou-lhe a bandeira das mãos e a arvorou, marchando adiante, encabeçando novamente a manifestação. Ao chegar ao Areal, os manifestantes já passavam de dois mil, desfilando entre os aplausos entusiastas do povo, A camarada Dolores denunciava em nome do Partido Comunista o oportunismo e a traição dos dirigentes social-democratas, que tinham colaborado com a ditadura de Primo de Rivera, e com o advento da República perseguiam brutalmente os trabalhadores, desempenhando o papel de fiéis guardiães dos interesses da burguesia e dos latifundiários. A camarada Dolores Ibarruri, trabalhava incansavelmente pela unidade da classe operária, pela unidade do povo trabalhador dirigindo-se aos trabalhadores socialistas, aos quais mostrava com exemplos como a política de Besteiro, Largo Caballero, Prieto e outros chefes oportunistas era uma política contra-revolucionária, a serviço da reação. A 14 de novembro de 1931, apareceu em Madri, o primeiro número de "Mundo Obrero". A camarada Dolores Ibarruri, transportou-se para Madri a fim de participar diretamente dos trabalhos de direção nacional do Partido e para colaborar em seu órgão central, "Mundo Obrero". Os chefes social-democratas e republicanos, que deixavam em liberdade os generais monarquistas e para-fascistas, perseguiam energicamente os dirigentes comunistas. Encontrando-se na capital, a camarada Dolores Ibarruri, foi detida e conduzida pela Guarda Civil até Bilbao, ficando encarcerada em Larrínaga. Em 1932, foi novamente detida, encarcerada durante 10 meses em Madri e transferida depois para Bilbao, onde se formou o processo contra ela, no qual se pedia 18 anos de cárcere. "Passionária" negou-se a ser defendida por advogados reacionários, defendendo-se brilhantemente ela própria. Um ano mais tarde, quando o Partido soube que se preparava um golpe de estado fascista, "Passionária" percorreu os bairros operários e locais de trabalho de Madri, pondo em guarda os trabalhadores. A polícia a perseguiu e a deteve novamente. Nossa camarada Dolores Ibarruri, interveio ativa e energicamente contra a falsa política do grupo sectário oportunista Bullejos, Adame, Trilla, que tanto dano já tinha causado ao Partido e ao povo, em defesa da linha justa aconselhada pela Internacional Comunista. Pouco depois do IV Congresso do Partido, realizado em Sevilha, em 1932, foi destituído, o grupo Bullejos, nomeando-se um novo Comitê Central, com José Diaz como Secretário Geral do Partido Comunista da Espanha. Sob a direção de José Diaz, ajudado por "Passionária" e pelo Comitê Central, nosso Partido, entrou num período de desenvolvimento, convertendo-se num partido de massas, num partido nacional, no Partido que lutava consequentemente pela realização da Frente Única e pela unidade sindical da classe operária, porque isso era uma condição fundamental para impulsionar a revolução democrática. O Partido Comunista, seus quadros dirigentes com José Diaz e "Passionária" à frente, lutava implacavelmente contra as correntes oportunistas e reformistas dos social-democratas e anarquistas no movimento operário, mantendo bem alto os princípios do marxismo-leninismo sobre as classes e a luta de classes, sobre o caráter da revolução naquela etapa, sobre a aliança da classe operária com os camponeses e sob a direção daquela. O Partido Comunista chamava à classe operária, ao povo espanhol, a deter os avanços do fascismo, lutando constantemente pela unidade operária e das forças anti-fascistas. "Passionária" participou da criação e dirigiu em toda a Espanha Comitês de luta contra a guerra e o fascismo. Desde os primeiros anos de sua atividade política, "Passionária" realizou um esforço incansável para ajudar e organizar as mulheres trabalhadoras. Em 1933, a camarada Dolores Ibarruri criou os Grupos de Mulheres Anti-fascistas. No verão de 1934, ao apelo de "Passionária", milhares de mulheres de Madri, manifestaram-se nas ruas contra a mobilização de reservistas. Foi aquela uma grande manifestação de massas de mulheres que serviu de exemplo e estímulo ao movimento de luta contra o fascismo e a guerra em toda a Espanha. Durante a preparação do movimento revolucionário de Outubro, o Partido Comunista lutava pela unidade da classe operária, fazia grandes esforços políticos para que se criassem as alianças operárias e camponesas, para que o movimento tivesse por base um programa revolucionário que desse satisfação ao povo, capaz de mobilizar os operários e camponeses, todo o povo trabalhador, contra o fascismo. Durante o movimento de Outubro, nossa camarada Dolores Ibarruri, esteve desde o primeiro momento na rua, orientando a luta. E quando o governo pró-fascista desencadeou a brutal repressão contra os heróicos mineiros asturianos: quando em Madri a polícia fechou as sedes das organizações proletárias e de caráter progressista, "Passionária" organizou a "Pró Infância Operária" que desempenhou um papel importante no trabalho de solidariedade com as vítimas da repressão. Acompanhada de mulheres de diferentes tendências políticas, "Passionária" transportou-se ao próprio coração das Astúrias. Visitou as famílias dos presos, ajudou as vítimas da repressão do governo, clerical fascista, sobretudo aos filhos dos mineiros. Nossa camarada Dolores Ibarruri soube combinar com grande acerto o trabalho legal com o ilegal. Nos momentos em que a repressão era mais terrível nas Astúrias, a camarada "Passionária", enfrentando todos os perigos, levou a orientação do Partido, aos comunistas asturianos, esteve ao lado deles para reorganizar o trabalho do Partido, salvou a vida de muitos deles, organizando a saída da Astúrias dos mais comprometidos. Em Oviedo, foi detida e encarcerada. Os protestos havidos em Madri, logo se soube de sua prisão, obrigaram o general a libertá-la. Em julho de 1935, a camarada Dolores Ibarruri assistiu ao VIII Congresso da Internacional Comunista, com a delegação chefiada pelo Secretário Geral de nosso Partido, camarada José Diaz. "Passionária" foi designada pela delegação espanhola para dirigir uma saudação a todos os delegados que assistiam ao Congresso, em nome do Partido Comunista da Espanha, do proletariado e dos camponeses revolucionários e, em particular, em nome dos heróicos combatentes das Astúrias. Não era aquela a primeira vez que "Passionária" visitava a União Soviética. Anteriormente, em 1933, já tinha assistido ao XIII Pleno da Internacional Comunista e ao Pleno de janeiro do Partido bolchevique, durante o qual falou pela primeira vez diante do camarada Stálin. Em princípios de 1936, "Passionária" voltou as Astúrias para socorrer filhos de mineiros encarcerados. Ao chegar a Madri, foi detida. Saiu da prisão para fazer a campanha eleitoral. Na memória do povo das Astúrias, de seus mineiros, de suas mulheres, tinha ficado indelével a obra de "Passionária", seu trabalho de organizadora, de dirigente do Partido, sua valentia diante das forças repressivas, sua solicitude, seu carinho pelas crianças dos mineiros, seu trabalho político de grande dirigente comunista. E nas eleições de fevereiro de 1936, os trabalhadores asturianos elegeram Dolores Ibarruri deputado por Astúrias. Encontrava-se nossa camarada Dolores Ibarruri em Oviedo, quando chegou a notícia da vitória eleitoral da Frente Popular. O povo exigia a liberdade dos 30.000 lutadores encarcerados pela reação. A Frente Popular, tinha triunfado levando como bandeira a liberdade dos presos em virtude do movimento revolucionário de outubro. Dolores foi ao cárcere de Oviedo; havia nele 940 presos. Muitos, condenados à morte; a maioria, à prisão perpétua. As autoridades se negavam a libertá-los sem receber instruções superiores. Os guardas tinham ordem de disparar sobre o povo. Diante dos portões da prisão, tinham sido assestadas metralhadoras. A camarada Dolores entra no cárcere declarando que não sairá dele até que todos sejam postos em liberdade. Na rua, o povo se inflama, exigindo a libertação imediata de todos os presos e aclamando "Passionária". O chefe da Força Pública e o diretor da prisão, sob a pressão das massas, perguntam a "Passionária" se ela assume a responsabilidade de pôr em liberdade os presos. Ela responde afirmativamente e abre, com as chaves que lhe acabavam de entregar, de par em par as portas da prisão. A entrada da minoria comunista no Parlamento foi como uma rajada de ar fresco naquele velho casarão. Eram deputados de novo tipo, trabalhadores revolucionários, representantes de operários e camponeses que lutavam pela democracia, pelo pão, a terra e a liberdade do heróico povo espanhol. O primeiro discurso de Dolores Ibarruri no Parlamento, foi uma acusação contra a negra repressão do Governo fascistizante Lerroux—Gil Robles nas Astúrias. "Passionária" exigia em nome do Partido Comunista, dos mineiros, das mulheres asturianas, castigo implacável para os Franco, Doval e Lopez Ochoa, culpados do terror desencadeado nas Astúrias. Da tribuna das Cortes, "Passionária" expôs de forma magistral a todos os partidos e organizações anti-fascistas qual seria a obra do fascismo se este chegasse a ser instaurado na Espanha. As palavras de "Passionária" correram por toda a Espanha, mobilizando, as massas trabalhadoras e populares para a luta contra o fascismo. Nossa camarada Dolores Ibarruri foi nomeada em 1937, vice-presidente das Cortes da República Espanhola. Nos meses que precederam à sublevação fascista, o Partido Comunista, guiado por José Diaz e "Passionária", desenvolveu uma enorme atividade. Em comícios, em artigos para a imprensa, em reuniões, o Partido alertava o povo para que não confiasse demasiadamente nos êxitos eleitorais. E exigia do Governo, a aplicação do programa da Frente Popular, e decisão e energia para desbaratar as negras maquinações do fascismo. José Diaz e "Passionária", à frente do Partido, preconizavam e aplicavam a unidade da classe operária e da juventude, lutavam pelo reforçamento da Frente Popular. Conclamavam o povo a preparar-se contra o complô fascista, alertavam as massas contra o perigo fascista. Durante nossa guerra de libertação contra a agressão fascista, a figura de "Passionária" agiganta-se, projetando-se sobre o fundo nacional com toda a sua grandeza. Dolores Ibarruri, saída do coração da classe operária, educada no fogo das lutas, nos sofrimentos dos mineiros, profundamente ligada à sua classe, que não cessou um só dia de aprender com o povo converteu-se, ao lado de José Diaz, na alma e guia da luta do povo contra o fascismo pela independência nacional de nossa pátria. A 19 de julho de 1936, "Passionária" fez pelo rádio aquele apelo memorável aos trabalhadores, aos anti-fascistas, ao povo laborioso, para que se pusesse de pé e defendesse a República e as conquistas democráticas do povo, ao grito de "O fascismo não passará". Graças ao trabalho político, à mobilização realizada e à orientação do Partido Comunista, conseguiu-se derrotar os sublevados em Madri. O Partido conseguiu que se constituísse um governo disposto a organizar a resistência e não um Governo de capitulação, como a reação desejava. Em agosto de 1936, a camarada Dolores Ibarruri foi designada para fazer parte de uma comissão nomeada pelos partidos da Frente Popular e do Governo para falar com o governo francês e com seu presidente Leon Blum, e pedir que se cumprisse o contrato de fornecimento de armas e material de guerra que havia entre os Governos francês e espanhol. Blum se nega, escudando-se no perigo de que a guerra da Espanha se estendesse a toda Europa. Diante do tom firme de "Passionária", diante da força irretorquível de seus argumentos, Leon Blum choraminga, mas não modifica sua posição "não intervencionista", de ajuda manifesta a Franco. "Passionária" fala então ao povo de Paris. Num grande comício, no Velódromo de Inverno, abarrotado, Dolores evocou a memória dos camaradas tombados, vítimas de horríveis torturas, desmascarou os traidores e os fascistas que dão armas a Franco, descreveu o heroísmo dos homens, das mulheres de nosso povo. "O povo espanhol vencerá, porque luta por uma causa justa. Mas o povo espanhol que conhece as simpatias e a solidariedade do povo francês, soube com amargura que o Governo da República Francesa não acode em ajuda do Governo legítimo da Espanha. É necessário ajudar o povo espanhol que luta na frente liberdade e defende a causa da paz, contra o fascismo, incendiário de guerra". O grito de "Passionária" de "Mais vale morrer de pé do que viver joelhos", lançado naquele comício, encontrou eco no mundo inteiro, despertando a simpatia e a solidariedade de todos os povos em relação nossa causa. Nos dias de novembro de 1936, quando o inimigo se encontrava à portas de Madri, Dolores percorria as ruas da capital conclamando o povo a ajudar na construção de fortificações, falava pelo rádio, levantava ânimo da população, intervinha em comícios; ela mesma pegou numa picareta, acompanhando José Diaz, e se pôs a abrir trincheiras, seguindo seu exemplo milhares de comunistas e outros anti-fascistas. "Passionária" em nome do Partido, denuncia a Quinta Coluna introduzida no coração da capital, que sabota, desmoraliza, golpeia pelas costas. "Defender Madri é defender Espanha", dizia "Passionária", É necessário terminar com a desordem na retaguarda. Dolores Ibarruri evoca o exemplo dos operários de Petrogrado, que graças a seu valor, a sua firmeza e a sua disciplina, souberam rechaçar e aniquilar as forças inimigas que atacavam sua cidade. O Partido Comunista luta desde o primeiro momento pela criação um Exército popular regular para defender Espanha, contra a sublevação e a invasão fascista. "Passionária" participa ativamente da criação do glorioso Quinto Regimento, que mais tarde serve de base para a formação do Exército Regular. A 3 de janeiro de 1937, nossa camarada Dolores Ibarruri pronuncia um discurso pelo rádio, assinalando o caminho a seguir para derrotar o fascismo de acordo com o manifesto do CC do Partido, no qual se assinalam "As oito condições da vitória". O nome de "Passionária" acompanha inseparavelmente todas as duras e gloriosas batalhas de nossa guerra de independência nacional. Todos os combatentes republicanos recordam sua presença nas frentes de Madri, de Guadalajara, de Teruel, de Belchite, do Ebro. Ela, em nome do Partido, percorria as frentes orientando politicamente os combatentes, corrigindo erros e debilidades, levando alento nos momentos graves e difíceis, falava às massas trabalhadoras para que todos os recursos do país fossem mobilizados a serviço da guerra. Ela dirigia as mulheres no trabalho de ajuda às frentes, aos feridos, aos refugiados, aos filhos dos combatentes, às mulheres que ingressavam na produção. O meritório trabalho patriótico realizado pelas "Mulheres Anti-fascistas" dirigidas por "Passionária", fez com que o governo encarregasse esta organização feminina da constituição da Comissão de Auxílio Feminino do Ministério da Defesa Nacional. Como consequência lógica da acertada direção política, de sua linha justa e do heroísmo de seus militantes, o Partido Comunista se desenvolve com rapidez, se enraíza profundamente nas massas populares, converte-se na força política organizada mais importante da Espanha. Após oito meses da sublevação franquista, o Partido Comunista realiza um Pleno ampliado em Valência. É um Pleno histórico em que o Partido Comunista, alma da luta pela independência nacional da Espanha, assinala, pela boca de nosso inesquecível camarada José Diaz, as tarefas para ganhar a guerra nas frentes, na produção, na retaguarda. Nossa camarada Dolores Ibarruri pronunciou o discurso de abertura daquele Pleno. Em junho de 1937, realizou-se em Valência uma reunião plenária do Comitê Central do Partido Comunista da Espanha, que dedicou sua atenção fundamental à unidade da classe operária. A camarada Dolores Ibarruri apresentou o informe político "Pelo Partido único do Proletariado na Espanha", em substituição do camarada José Diaz, debilitado por uma grave enfermidade. "Passionária" denunciou com energia os inimigos da unidade da classe operária e da Frente Popular, os bandidos trotskistas, serviçais do fascismo, organizadores do "putsch" de maio em Barcelona, espiões a serviço de Franco. Denunciou também as atividades e as manobras dos socialistas reacionárias da II Internacional contra a unidade. As propostas reiteradas da Internacional Comunista à Internacional Socialista de ajudar conjuntamente o povo espanhol, são repudiadas sistematicamente pelos chefes contra-revolucionários da Internacional Socialista. "Passionária" ressalta que a dedução a fazer daqueles fatos era clara: a Federação Sindical Internacional e a Internacional Operária Socialista boicotam toda a campanha efetiva e organizada do proletariado internacional em favor da Espanha republicana e, na prática, colaboram para a vitória de Franco. A resistência heróica do povo espanhol enche de admiração e estimula a solidariedade dos povos. Mas provoca o ódio da reação internacional, que de nenhuma maneira deseja ver o povo espanhol como dono dos destinos de sua pátria. Aguça-se a política de "não intervenção" que já causou a queda do norte. Aumentam as intrigas contra a unidade do povo e o governo da Frente Popular na Espanha, tramam-se tenebrosos compromissos com Franco. Novamente em Paris, com uma delegação da Frente Popular, a camarada Dolores Ibarruri, combate, em nome do Partido Comunista, os planos que a reação, ajudada pelos socialistas de direita, estava tramando para impor o povo espanhol um compromisso com Franco. No Velódromo de Inverno, Dolores Ibarruri denuncia uma vez mais ao povo de Paris as manobras do inimigo. "Sabemos que na Espanha se joga hoje o futuro da Europa — dizia. Não deveis esquecer — acrescentava — que a Espanha não luta somente por sua independência, mas pela liberdade do mundo e a paz universal, que luta pela democracia, que luta pela felicidade de todos os povos." Maio de 1938. Em Madri, na reunião do CC de nosso Partido, a camarada Dolores Ibarruri pronunciou um importante discurso. As forças coligadas do fascismo internacional, com a colaboração dos governos de Londres e de Paris, desfrutam de plena impunidade para derrotar os povos. A Áustria foi estrangulada. Prepara-se a invasão da Tchecoslováquia, Berlim e Roma, ajudados pelos chamados governos democráticos, têm pressa em liquidar a resistência espanhola. Falam de mediações que não podem ser mais do que uma capitulação aberta diante do franquismo. "Na ofensiva contra a Catalunha — denuncia Dolores Ibarruri — quatro quintas partes do material de guerra é estrangeiro". "Passionária" ressalta uma vez mais, com toda força, que lutamos para salvar a independência nacional de nossa Pátria, e que para salvá-la devem se unir todos os espanhóis patriotas. A salvaguarda da independência nacional da Espanha interessa por igual aos espanhóis da zona republicana e aos que vivem sob o franquismo, que não querem ver a Espanha humilhada e convertida em colônia do imperialismo fascista alemão. "O Partido Comunista — disse a camarada Dolores Ibarruri — aceitou com entusiasmo o programa de treze pontos expostos pelo Chefe do Governo da República, que é o programa da revolução democrática, o programa da independência nacional. Sob o franquismo vive uma massa popular que espera com impaciência o dia da libertação; mas há também espanhóis honestos, enganados no princípio, mas indignados diante da invasão ítalo-alemã. A esses patriotas oprimidos e humilhados que desejam ardentemente ver a Espanha libertada da invasão estrangeira, dizemos nós: a República lhes estende a mão; convida-os à união para o combate sagrado contra os inimigos de nossa independência nacional. As dissensões na Espanha poderão ser resolvidas única e exclusivamente por espanhóis. Antes de tudo: guerra de morte aos invasores! Fora de nosso país os estrangeiros! Para salvar nossa independência: Unidade Nacional", proclama "Passionária" já no, mês de maio de 1938. Unido, o povo espanhol é invencível. Esta lição a tinham aprendido também os incendiários de guerra, os rapaces imperialistas e o fascismo internacional. E para quebrar a unidade mobilizaram seus agentes introduzidos no seio da classe operária, no seio da Frente Popular, no seio do Exército da República. A Junta de Casado, agente dos imperialistas anglo-americanos, abre a frente de Madri, às hordas falangistas. O povo espanhol, covardemente apunhalado pelas costas, vê-se encadeado, mas não se considera vencido. O Partido, Comunista, dirigido por José Diaz e por Dolores Ibarruri, entra numa nova etapa da luta, a etapa da clandestinidade, da luta de guerrilhas, da resistência da classe operária, dos camponeses, das mulheres, do povo trabalhador contra o sangrento regime franquista. "Voltava-se a página e começava um novo capitulo", disse "Passionária". A unidade operária, a unidade de todos os anti-franquistas continua sendo a palavra de ordem central de nosso Partido. E em 1942, quando a Espanha está em perigo iminente de ser lançada por Franco à guerra ao serviço da Alemanha hitlerista, o CC de nosso Partido, sob a direção de Dolores Ibarruri, publica o famoso manifesto que lança a iniciativa de formar a União Nacional de todas os anti-franquistas, tanto das direitas como das esquerdas, para impedir que nossa Pátria seja arrastada à guerra. Estes acontecimentos ocorrem em momentos muito amargos para nosso Partido. Morreu nosso inesquecível José Diaz, Secretário Geral do Partido Comunista da Espanha, dirigente amado das massas trabalhadoras de nosso país. Na longínqua Geórgia, berço do genial Stálin, nossa camarada Dolores Ibarruri pronunciou as últimas palavras de despedida a José Diaz, tão querido, tão admirado por ela, do qual tantos ensinamentos recebeu. E no "Mandato de José Diaz", "Passionária" faz a seguinte promessa, que todos os comunistas espanhóis fizeram sua: "José Diaz: O Partido que tu forjaste e educaste e que luta sem desfalecimento no interior do país, mantendo viva a chama da resistência, cumprirá o teu último mandato, criando a unidade nacional como base para a conquista de nossa Espanha, da Espanha a que dedicaste integralmente sua vida!" Nossa camarada Dolores Ibarruri, encarregou-se da direção do Partido Comunista da Espanha num dos momentos mais graves e angustiosos para a classe operária, para o povo, para todos os espanhóis patriotas. Nossa Pátria pisoteada pelo bárbaro fascismo, nosso povo encadeado, a classe operária escravizada, os melhores homens e mulheres, lutadores pela libertação de nosso povo, pela independência de nossa Pátria, são horrivelmente torturados e assassinados. Dezenas de milhares de comunistas, de patriotas, enchem os cárceres da Espanha. "A breve trilogia, RUÍNA, MISÉRIA, TERROR, exprime em sua esquemática eloquência a imensa tragédia da Espanha sob o falangismo". A reação imperialista apóia o regime fascista de Franco de sangrenta repressão contra nosso povo heróico que demonstrou ao mundo que é capaz de morrer pela liberdade. E o lacaio hitlerista Franco passa a ser lacaio dos ianques. Os imperialistas anglo-norte-americanos têm grande interesse em manter desunidos os antifascistas espanhóis, porque sabem que unidos somos invencíveis. Corrompera e compram os líderes socialistas de direita, os chefes anarquistas, líderes republicanos. Procuram introduzir elementos provocadores nas próprias fileiras de nosso Partido. Desencadeiam campanhas de provocação anti-comunista contra o nosso Partido e sua direção. Mas o Partido Comunista da Espanha tem a imensa fortuna de estar dirigido por um grande chefe proletário, por "Passionária", rodeada de nosso Comitê Central. Com mão segura, "Passionária" guia nosso Partido, nossa classe operária e nosso povo durante estes duros e difíceis anos, assinalando com clarividência o caminho que há de conduzir à vitória. Firme como a rocha, sem permitir que os golpes do inimigo, que são terríveis, façam vacilar por um momento sequer, nosso Partido, "Passionária" mantém inquebrantável a moral de vitória do Partido e de nossa classe operária, de nosso povo. Sob a direção de "Passionária" e do Comitê Central, o Partido Comunista da Espanha não só se mantém solidamente unido através das tormentas, do terror e das adversidades, mas se desenvolve, cresce. Ao Partido Comunista vêm velhos lutadores socialistas, vêm operários anarquistas, vêm intelectuais de prestígio, vêm as mulheres, vem a juventude. Cresce e se desenvolve nosso Partido mesmo nas adversas condições de luta sob o terror franquista e na emigração, porque a classe operária espanhola, porque as massas trabalhadoras da Espanha têm uma confiança ilimitada em "Passionária" e nos comunistas que ela orienta e educa. E porque "Passionária", por sua vez, tem confiança na classe operária, nas massas, aprende com elas, como verdadeira discípula de Lênin e de Stálin. Nossa camarada Dolores Ibarruri desenvolve através de todos estes anos de emigração uma enorme atividade à frente do Partido. No rádio, na imprensa, clandestina, em seus discursos e artigos, explica a linha política do Partido: unidade operária, unidade republicana, unidade nacional; luta pela paz; luta contra o regime fascista de Franco e pela República democrática. Em dezembro de 1945, no Pleno de Toulouse, "Passionária" expôs o programa do Partido para salvar a Espanha da catástrofe em que a lançou o franquismo, programa que se baseia nos postulados da revolução democrática, levantando as soluções para os grandes problemas da reforma agrária, o problema nacional, a elevação do nível de vida das massas trabalhadoras, a democratização do Exército e a separação da Igreja do Estado. Este programa é saudado e aplaudido por todos os espanhóis honestos. Naquela data já denunciava a camarada Dolores como Franco hipotecava a Espanha ao imperialismo norte-americano. Em 1947, diant