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"O destino da América do Norte"


Toda querela entre os neotomistas franceses e os racistas alemães, sobre a defesa da civilização ocidental pertencer ao espírito latino e romano ou ao espírito germânico e protestante, encontra no plano Dawes, incontestavelmente, documentada a sua vaidade. O pagamento da compensação alemã e da dívida aliada colocou nas mãos dos Estados Unidos o destino da economia e, portanto, da política da Europa. A convalescênça financeira dos estados europeus não é possível sem o crédito dos ianques. O espírito de Locarno [1], os pactos de segurança, etc., são utilizados para designar as garantias exigidas pelas finanças norte-americanas por seus grandes investimentos em finanças públicas e indústria nos estados europeus. A Itália fascista, que tão arrogantemente anuncia a restauração do poder de Roma, esquece que seus compromissos com os Estados Unidos colocam sua “valuta” (moeda) à mercê desse credor.


O capitalismo, que na Europa se manifesta desconfiado de suas próprias forças, na América do Norte é ilimitadamente otimista quanto ao seu destino. E esse otimismo recai, simplesmente, em boa saúde. É o otimismo biológico da juventude que, confirmando seu excelente apetite, não se preocupa com a chegada do momento da arteriosclerose. Na América do Norte, o capitalismo ainda tem as possibilidades de crescimento que na Europa a destruição da guerra deixou irremediavelmente danificadas. O Império Britânico ainda mantém uma formidável organização financeira; mas, como comprova o problema das minas de carvão, a indústria perdeu o nível técnico que assegurou anteriormente sua primazia. A guerra transformou o país credor em devedor da América do Norte.