Trotsky e o Trotskismo

APRESENTAÇÃO

O selo Edições Nova Cultura, criado pela União Reconstrução Comunista, resgatou o projeto editorial francês, que intentava dar um primeiro parâmetro, ao selecionar textos e documentos de Lenin e Stalin (e do próprio Trotsky) sobre as discrepâncias entre as concepções marxista-leninistas e as do oportunismo sobre diversos aspectos do processo de luta dos revolucionários russos. A obra “Trotsky e o trotskismo” assim, cumpre um papel introdutório para todos aqueles que se interessam em conhecer tal debate, que sempre foi alimentado nas fileiras da esquerda brasileira, especialmente a partir dos anos 70, com as derrotas sofridas pelo movimento comunista brasileiro e o avanço do revisionismo.

 

A coletânea de textos e documentos que trazem as precisas impugnações de Lenin aos ziguezagues, malabarismos e oscilações ideológicas de Trotsky que se manifestaram em sua atuação no P.O.S.D.R. Lenin, com sua precisão habitual, aponta todos os problemas nas posições defendidas por Trotsky em diversos aspectos, desde a concepção do partido, o caráter da revolução até sua atuação fracionista no seio do P.OS.D.R. As intervenções de Lenin demonstram o princípio do marxismo-leninismo da necessária e decisiva luta contra o oportunismo e a influência da ideologia burguesa. É nesse aspecto que se dá a relevância da obra. Contudo, de modo algum os textos esgotam a totalidade da discrepância existente entre a teoria leninista e a teoria trotskista.

 

Nesta edição, limitamo-nos a trazer ao público as postulações de Lenin e Stalin contra principais teses defendidas por Trotsky como opositor direto do bolchevismo, como contrarrevolucionário e, por fim, seu ocaso com a colaboração direta com o fascismo.

Os escritos de Trotsky – e do movimento trotskista – costumam caracterizar Stalin, como um dirigente capitulacionista, que teria criado a teoria do socialismo em um só país em oposição a Lenin e a Trotsky, mas, contudo, a obra agora publicado também contribui para a elucidação dessa falsa dicotomia criada. Basta consultar alguns trabalhos de Lenin para compreender a falsidade dessa acusação: “Os Estados Unidos do mundo (e não da Europa) são a forma estatal de unificação e de liberdade das nações, que nós relacionamos com o socialismo – enquanto a vitória completa do comunismo não conduzir ao desaparecimento definitivo de todo o Estado, incluindo o democrático. Como palavra de ordem independente, a palavra de ordem dos Estados Unidos do mundo, todavia, dificilmente seria justa, em primeiro lugar porque ela se funde com o socialismo; em segundo lugar, porque poderia dar lugar à falsa interpretação da impossibilidade da vitória do socialismo em um só país e das relações deste país com os outros. A desigualdade do desenvolvimento econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Daí decorre que é possível a vitória do socialismo primeiramente em poucos países ou mesmo num só país capitalista tomado por separado”. Ou ainda, “o desenvolvimento do capitalismo realiza-se de modo extremamente desigual nos diferentes países. Nem pode ser de outra forma na produção mercantil. Daí decorre a indiscutível conclusão de que o socialismo não pode vencer simultaneamente em todos os países. Ele vencerá inicialmente num só ou em vários países, continuando os restantes a ser, durante certo tempo, burgueses ou pré-burgueses. Isto deverá provocar não apenas atritos, mas também a tendência direta da burguesia dos outros países para derrotar o proletariado vitorioso do Estado socialista. Em tais casos a guerra seria da nossa parte legítima e justa. Seria uma guerra pelo socialismo, pela libertação de outros povos da burguesia. Engels tinha inteira razão quando, na sua carta a Kautsky de 12 de setembro de 1882, reconhecia expressamente a possibilidade de ‘guerras defensivas’ do socialismo já vitorioso. Ele tinha em vista, precisamente, a defesa do proletariado vitorioso contra a burguesia dos outros países”.

 

Eis um exemplo de como a obra “Trotsky e o trotskismo” oferece ao público brasileiro algumas indicações de como se deu o debate em torno de questões fundamentais da Revolução Russa e as referências para o aprofundamento do estudo sobre esta fundamental experiência.

 

Após a morte de Lenin, os ataques de Trotsky passam a se concentrar sobre a direção de J. V. Stalin no Partido Comunista (bolchevique) da União Soviética. Se intensifica, assim, um processo que desembocará com a passagem de Trotsky à contrarrevolução aberta.

 

Em 1927, Trotsky é finalmente expulso da URSS. E sua insistente difamação à imagem de Stalin e ao leninismo, passam a ser usadas aos principais inimigos da URSS e da revolução proletária, o fascismo. Como Joseph Goebeels, destacado dirigente do III Reich, registra acerca da propaganda antissoviética nazista: “nosso transmissor de rádio clandestino (...) opera em nome de Trotsky e dá o que fazer a Stalin”.

 

Nadezhda Krupskaya, em célebre texto sobre a vergonhosa atuação deste personagem, resume a situação: “não é por acaso que Trotsky, que nunca compreendeu o que faz a própria essência da ditadura do proletariado, que nunca compreendeu o papel que desempenham as massas populares na construção do socialismo e que acreditava que o socialismo pode ser edificado com ordens vindas de cima, comprometeu-se na via da organização de atentados terroristas contra Stalin, Vorochilov e outros membros do Bureau Político que ajudam as massas a edificar o socialismo. Não é por acaso que o bloco sem princípios que Zinoviev e Kamenev tinham formado com Trotsky os empurrou, gradualmente, para o abismo profundo da pior das traições à causa de Lenin, à causa das massas trabalhadoras, à causa do socialismo, Trotsky, Zinoviev, Kamenev e todo o seu bando de assassinos agiram de acordo com o fascismo alemão, concluíram uma aliança com a Gestapo. Eis porque o país foi tão unânime em reclamar que estes cães danados fossem fuzilados.

 

Em suma, tema importante para a compreensão do desenvolvimento do oportunismo no seio da Revolução Russa desde seus primeiros momentos, acreditamos com essa primeira obra poder dar uma contribuição para o estudo e a compreensão do real papel do trotskismo não apenas naquela primeira década da construção do socialismo na URSS, mas como também no seu desenvolvimento ulterior, impulsionado pela ascensão do revisionismo pós-XX Congresso e pela propaganda anticomunista municiado pelo imperialismo.

UNIÃO RECONSTRUÇÃO COMUNISTA

TROTSKY E O TROTSKISMO
Esta didática coletânea de excertos apresenta as polêmicas travadas no seio da luta revolucionária russa contra as errôneas posições de Leon Trotsky ao longo de sua atuação política. A seleção de textos e documentos que trazem as precisas impugnações de Lenin e Stalin aos ziguezagues, malabarismos e oscilações ideológicas de Trotsky que se manifestaram em sua atuação no P.O.S.D.R. Como dizia Lenin: “Os velhos militantes marxistas russos conhecem Trotsky e é inútil falar-lhes dele... mas a jovem geração operá­ria não o conhece e é necessário falar-lhe dele... É preciso que a jovem geração saiba com quem tem de se haver quando certas pessoas erguem pretensões inacreditáveis”.

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