Em memória do camarada Fidel Agcaoili

24/07/2020

 

Faleceu ontem, em Utrecht, Holanda, aos 75 anos de idade, o camarada Fidel Agcaoili, histórico dirigente do Partido Comunista das Filipinas (PCF) e da Frente Democrática Nacional (National Democratic Front of the Philippines, NDFP), cumprindo nesta organização o importante posto de Presidente do Painel de Negociações, que leva a cabo conversações de paz, em nome das forças revolucionárias filipinas, com o reacionário Governo da República das Filipinas.

 

Segundo médicos, a causa de sua morte foi uma ruptura arterial pulmonar que causou hemorragia interna, e não foi relacionada à Covid-19.

 

Todas as forças revolucionárias do povo filipino em seu país e em ultramar choram e dão suas mais sinceras condolências à morte deste grande dirigente. Que as forças avançadas do povo brasileiro se unam em condolências às massas filipinas, em prol do que o camarada Fidel Agcaoili representava não só para a luta do povo filipino, mas para os povos do mundo e o movimento comunista internacional.

 

Fidel Agcaoili se engajou no movimento comunista filipino desde sua juventude durante os anos 1950 e 1960. Em um período no qual o mundo, particularmente os países atrasados, encontravam-se estremecidos por lutas de massas para chacoalhar os últimos bastiões do colonialismo, tais lutas não puderam deixar de causar grandes impressões nas juventudes progressistas, e o camarada Agcaoili era um destes jovens. O fato de ter nascido em uma rica família burguesa filipina não foi um impeditivo para por em prática suas convicções. No início da década de 1960, ingressou na Associação Cultural Estudantil da Universidade das Filipinas, atuando ativamente no movimento progressista estudantil. Ingressou também no Partido Comunista das Filipinas e no movimento de massas juvenil Kabataang Makabayan. Desde este período, foi um camarada muito próxima de José Maria Sison, presidente-fundador do PCF e principal líder da revolução filipina, desenvolvendo-se política e ideologicamente em forte relação com o camarada Sison.

 

Buscando afastá-lo da luta política, sua família enviou-o para estudar nos Estados Unidos em meados dos anos 1960. Porém, isto não fez mais que aguçar ainda mais sua consciência em defesa do povo comum: no ano de 1964, quando nos Estados Unidos avançavam a passos largos amplas lutas de massas contra o apartheid racial que colocava os negros e demais não-brancos (forçando a burguesia estadunidense a suprimir a Lei Jim Crow) na condição de pessoas de terceira categoria, Fidel Agcaoili engajou-se nos protestos antirracistas na Califórnia na condição filipino, uma nacionalidade profunda e historicamente discriminada nos Estados Unidos.

 

Após sua estadia nos Estados Unidos, o camarada Agcaoili logo retornou para as Filipinas, retomando suas atividades revolucionárias. Mesmo na condição de alto executivo da companhia de seguros de sua família, colaborou com a formação e condução de grupos de estudos de formação política, executou tarefas necessárias para o estabelecimento de agrupamentos clandestinos de luta e para o desenvolvimento do Partido Comunista das Filipinas, que seria reorganizado no ano de 1968 após muitos anos de golpes por parte do revisionismo pró-soviético. Utilizava sua condição de classe privilegiada em favor de seus camaradas e da revolução filipina.

 

No ano de 1972, o então presidente Ferdinand Marcos decreta a Lei Marcial e inicia um regime autocrático-fascista, bancado pelo imperialismo ianque, que duraria até o ano de 1986. Na realidade, o governo filipino se tornara uma tirania pessoal de Marcos.

 

O camarada Agcaoili prosseguiu então na luta revolucionária sob duras condições. Quando a luta armada iniciada pelo Partido Comunista das Filipinas no ano de 1969 se encontrava a passos largos, não hesitou em viver como um simples camponês para organizar as bases de apoio para a Guerra Popular e promover a resistência popular rural. Porém, logo após o decreto da Lei Marcial, teve de passar à clandestinidade por se encontrar, junto a sua esposa e filhos, na lista de procurados pelo regime reacionário. No ano de 1974, foi preso junto a toda sua família. Sofreu bárbaras torturas físicas e psicológicas nos cárceres de Marcos. Foi um dos presos políticos filipinos que esteve encarcerado por um dos mais longos períodos, isto é, mais de dez anos. Mesmo que seu pai tenha sido amigo pessoal de Marcos, tendo estudado com ele na Faculdade de Direito da Universidade das Filipinas, não tirou qualquer vantagem desta relação pessoal, tendo vivido por mais de uma década sob condições mais duras de prisão que muitos outros.

 

A partir de meados da década de 1980, participou do desenvolvimento de muitos instrumentos de luta democráticos do povo filipino. Deste este período, esteve à frente com seus camaradas do processo de negociações de paz entre as forças revolucionárias filipinas e o governo revolucionário. Na condição de alto dirigente, teve a oportunidade de retornar para as Filipinas muitas vezes e se encontrar pessoalmente com vários presidentes filipinos para tratar da questão. Encontrou-se seis vezes com Rodrigo Duterte nos anos de 2016 e 2017, ocasiões nas quais visitou diversas bases de apoio do Novo Exército Popular para verificar por seus próprios olhos o desenvolvimento da Guerra Popular.

 

Fidel Agcaoili encarnou as mais nobres qualidades de um verdadeiro comunista: espírito de devoção e sacrifício, capacidade de mobilização e organização das massas, diplomacia, firmeza ideológica, sede incessante pelo conhecimento, modéstia e espírito crítico e autocrítico. Mesmo tendo tido a oportunidade de, nas condições de filho de uma família burguesa, ter se tornado um rico funcionário público e levado uma vida confortável, escolheu se colocar ao lado do povo filipino e dos povos do mundo, sem jamais se gabar ou reclamar dos duros sacrifícios que teve de fazer para sustentar o grandioso título de comunista.

 

É da maior necessidade que todos os leitores da NOVACULTURA.info, das Edições Nova Cultura e simpatizantes da União Reconstrução Comunista tenham conhecimento da importância da inspiração que a luta conduzida pelo Partido Comunista das Filipinas teve e tem para o desenvolvimento de nosso trabalho. Tendo sido Agcaoili um dos pioneiros no desenvolvimento da revolução filipina, há uma firme relação ideológica entre nosso trabalho e sua vida. Estamos juntos com o povo filipino, sua família, camaradas e amigos para prestar condolência pela sua morte e clamar a todos os nossos companheiros brasileiros para que estudem a história de luta de Fidel Agcaoili e sigam seu exemplo.

 

Viva ao camarada Fidel Agcaoili!

Viva às forças revolucionárias filipinas!

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