Lenin: "Igualdade Nacional"

24/06/2020

 

No número 48 (de 28 de Março), do “Pravda”, o Partido Operário Social-Democrata Russo publica a declaração da igualdade nacional, ou como o seu nome indica, “a declaração da supressão de todas as restrições de direitos aos hebreus e todas as restrições relacionadas com qualquer origem ou vinculadas a qualquer nacionalidade”.

 

No meio das preocupações e das penúrias que comporta a luta pela existência, por um pedaço de pão, os operários russos não podem e não devem esquecer a opressão nacional sob o jugo da qual há dezenas e dezenas de milhões de “minoritários” que habitam na Rússia. Uma nação predominante — os grandes russos — supõem os 45% da população do império. Em cada 100 habitantes, mais de 50 pertencem aos “minoritários”.

 

E toda esta enorme população está submetida a condições de vida ainda mais brutais do que as condições de vida dos russos.

 

A política de opressão das nacionalidades é uma política de divisão das nações. É, em simultâneo, uma política de perversão continuada da consciência nacional. Contra os interesses das diversas nações, constrói-se um envenenamento de proporções gigantes. Pegue em qualquer caso e vereis que a perseguições das “minorias” provoca uma desconfiança mútua entre o camponês russo, o pequeno-burguês russo, o artesão russo, e o camponês, o pequeno-burguês, o artesão hebreu, finês, polonês, georgiano, ucraniano - à custa do qual se nutre a casta dirigente.

 

Mas a classe operária não necessita nenhuma divisão, mas uma unificação. Por isso não há pior inimigo que os preconceitos e as superstições brutais, que ocultam os inimigos autênticos. A opressão “nacional” é uma faca de dois gumes. Uma fere as “minorias”, a outra o povo russo.

 

E, em consequência, a classe operária deve-se expressar da forma mais clara contra toda a opressão das nacionalidades.

 

Contra a propaganda chauvinista, que tenta distrair a sua atenção da perseguição das minorias, faz falta opor a convicção da necessidade da plena igualdade de todos e da rejeição definitiva de qualquer privilégio de qualquer nação.

 

Realiza-se uma propaganda chauvinista especialmente dirigida contra os judeus. Intenta-se encontrar um cabeça de turco para todos os males: o povo hebreu.

 

E, em consequência, a declaração põe em primeiro lugar a desproteção dos hebreus.

A escola, os quartéis, as tribunas parlamentares, absolutamente todo se emprega para gerar um ódio obscuro, selvagem e repugnante contra os hebreus.

 

A esta ocupação obscura e má não só se dedica a gentalha, mas também se ocupam professores reacionários, cientistas, jornalistas, deputados. Gastam-se milhões e milhares de milhões de rubros para envenenar a consciência do povo.

 

O ponto de honra dos operários russos. Este manifesto contra a opressão nacional recebeu a adesão de dezenas de milhares de assinaturas e adesões proletárias. Da melhor forma reforçará a plena unidade, o irmanamento de todos os operários da Rússia sem distinção de nacionalidades.

 

Publicado no "Pravda", n. 62, em 16 de Abril del 1914, assinado como Nikolaj Lenine

 

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