"Os cachorros de Trump"

08/06/2020

 

Donald Trump é o segundo presidente na história dos EUA em não contar com um animal de estimação na Casa Branca; o outro foi James Polk (1845-1849).

 

A tradição remonta aos idos de George Washington e, durante muito tempo, os cachorros foram maioria no posto de “bicho de estimação” presidencial.

 

A mídia se encarregou de pôr em destaque muitos desses acompanhantes domésticos: Fala, a cachorrinha scottish terrie de F.D. Roosevelt; Heidi, a cachorrinha com a qual Eisenhower gostava tanto de se fotografar e; finalmente, Bo e Sunny, do casal Obama, os últimos a pisar os tapetes do edifício presidencial.

 

É bem conhecido que os assessores de imagem pública do magnata lhe recomendaram acolher um cachorro e aparecer publicamente a acariciá-lo, mas perante essa insistência o presidente, também questionado por um grupo de adeptos, acabou respondendo com uma evasiva mais ou menos sincera: “Eu não sei, não me sinto cômodo. Sinto-me como se fosse um farsante. Honestamente, não me incomoda ter um cachorro, mas não tenho tempo”.

 

Contudo, não faltam vozes que garantem que o presidente é capaz de sentir algum receio os cachorros, algo que ficou demonstrado em 25 de novembro do ano passado, quando recebeu na Casa Branca um cachorro chamado Conan, pertencente às Forças Armadas que, segundo se afirma, foi de grande ajuda na operação onde morreu o líder do denominado Estado Islâmico, Abu Bakr AL-Bagdd.

 

Em um ato colorido por uma atmosfera de mgnificências televisivas, Trump, muito exaltado, disse ali: “Este é Conan, neste momento provavelmente seja o cachorro mais famoso do mundo!” e sempre em tom grandiloquente: “Tão brilhante, tão inteligente, Conan fez um trabalho fantástico, é um cachorro incrível, muito, muito especial, um durão”, insistiu. E após condecorar o cachorro belga com uma placa e um diploma, assegurou, referindo-se aos dons extras do animal: “Acho que ele sabia perfeitamente o que estava acontecendo”.

 

Chamou a atenção o bem informado que estava Trump acerca desses animais (embora resultasse evidente, e disso deixou constância a agência Reuters, que Trump evitou todo o tempo se aproximar de Conan — apenas um olhar de longe — ao contrário do vice-presidente Pence, que gosta dos cachorros). Trump contou que começam a ser treinados quando têm um ou dois anos e que seu “melhor momento” dura uns seis anos, “tal como ocorre com os esportistas”, disse. E advertiu em tom premonitório aos presentes: “Caso abrir a boca frente a você, você sabe que vai morrer, pois está treinado para matar”, uma frase que repetiu zombando e olhando, ao mesmo tempo, para o pessoal da imprensa, com o qual mantém um relacionamento péssimo.

 

Uma apologia sem par a do presidente naquela tarde, por uns cachorros que, talvez superem em eficiência os pastores-alemães convertidos pelos nazistas em um instrumento de terror.

 

Os mesmos cachorros, “os cachorros mais ferozes”, disse, ameaçou de soltá-los contra os manifestantes reunidos frente à Casa Branca, os que protestam pelo assassinato cometido por um policial branco contra o negro George Floyd, crime que inflamou os Estados Unidos, da costa leste à oeste e que, de certa maneira, o presidente associou, na noite de suas intimidações, com o conceito de “devolver a grandeza aos Estados Unidos”.

 

Do Granma

 

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