Stalin: "Os Extravagantes Apartidistas"

21/05/2020

 

O progressismo apartidário virou moda. Nada se pode fazer, tal é a natureza do intelectual russo: tem necessidade de uma moda. Sentiu-se atraído pelo saninismo(1), ocupou-se com o decadentismo; hoje chegou a vez do apartidismo.

 

Que é o apartidismo?

 

Na Rússia existem os latifundiários e os camponeses, cujos interesses são opostos; a luta entre eles é um fenômeno inevitável. Mas o apartidismo transcura esse fato, propende a silenciar sobre o antagonismo de interesses.

 

Na Rússia existem os burgueses e os proletários; a vitória de uma dessas duas classes significa a derrota da outra. Mas o apartidismo dissimula a oposição dos interesses, fecha os olhos diante da luta de classes.

 

Toda classe tem o seu partido com um programa particular e uma fisionomia particular. Os partidos dirigem a luta das classes: sem os partidos não haveria luta, porém, caos, falta de clareza, mistura dos interesses. Mas o apartidismo não ama a clareza e a precisão, prefere a nebulosidade e a ausência de programa.

 

A dissimulação das contradições de classe, o silêncio sobre a luta das classes, a ausência de fisionomia, a luta contra os programas, a tendência ao caos e à mistura dos interesses: tal é o apartidismo.

 

A que visa o apartidismo?

 

A união do que não se pode unir, à realização do irrealizável.

 

Unir em aliança os burgueses e os proletários, lançar uma ponte entre os grandes latifundiários e os camponeses, pôr em movimento um cargueiro com o auxílio de um cisne, de uma lagosta e de um lúcio: eis a que tende o apartidismo.

 

O apartidismo sente que é impotente para unir o que não se pode unir, e por isso suspira:

 

“Ah! se... se... se...

Cogumelos na minha boca brotassem!”.

 

Mas os cogumelos não brotam na boca, e todas as vezes o apartidismo fica com um punhado de moscas, de boca aberta.

 

Um homem sem cabeça ou, mais precisamente, com um nabo sobre os ombros no lugar da cabeça: eis o apartidismo .

 

Justamente essa é a posição da revista “progressista” Zapróci Jízni(2).

 

“Os partidos de direita já tomaram a sua decisão — diz essa revista — e unem-se numa só massa reacionária para lutar contra toda a oposição progressista... Ao bloco das direitas deve portanto ser contraposto o bloco das esquerdas, um bloco que abarque todos os elementos sociais progressistas” (vide Zapróci Jízni, n.° 6).

 

Mas quem são esses “elementos progressistas”?

 

São os renovadores pacíficos(3), os cadetes, os trudovikí, os social-democratas. Isto é, os burgueses “progressistas”, os latifundiários liberalóides, os camponeses que têm fome das terras dos grandes proprietários, os proletários que lutam contra os burgueses.

 

E as Zapróci Jízni esforçam-se por obter a união desses “elementos”!

 

Muito original e... pouco inteligente, não é verdade?

 

E esse periódico de homens sem princípios prepara-se para dar lições aos social-democratas sobre a tática a seguir nas eleições para a quarta Duma?

 

Extravagantes!...

 

J.V. Stalin

“Zviezdá” (“A Estrela”), jornal de Petersburgo, n.° 30. 15 de abril de 1912.

 

 

NOTAS
(1) Do nome de Sánin, personagem amoral, protagonista do romance homônimo de Artsibachev.
(2) Zapróci Jízni (Exigências da Vida), revista de tendências variadas publicada em Petersburgo nos anos 1909-1912.
(3) Membros de um partido da grande burguesia industrial e comercial e dos latifundiários, fundado em 1906, que Lênin chamava “o partido da rapina pacífica”.
 

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