Prestes: "A vitória do socialismo na China"

12/05/2020

 


Na noite de 1 de outubro, enquanto os fogos de artifício iluminavam os céus de Pequim e nas ruas o povo bailava alegremente, tive ocasião de trocar impressões com jornalistas do mundo ocidental, inclusive brasileiros. Conversamos a respeito do impressionante desfile popular a que assistimos na manhã daquele dia, da alegria e do entusiasmo do povo chinês unido em torno do seu governo e do Partido Comunista e da pessoa querida de seu grande dirigente, camarada Mao Tsé-tung. Todos confessavam sua admiração pelos enormes êxitos alcançados na década decorrida desde o triunfo da revolução democrática e popular na China. Um dos jornalistas mostrava-se, porém, preocupado. “O que aqui sentimos — dizia ele — é algo muito mais sério. Não se trata apenas desse evidente entusiasmo popular, dessa impressionante unidade de 650 milhões de seres humanos. O que vemos é que o povo chinês, que ganhou consciência de sua força, já tomou definitivamente pelo caminho do socialismo...”.

Falava um velho defensor do capitalismo, acostumado a combater o comunismo em nome das maravilhas da “livre empresa”, despeitado e surpreendido com o que via. Sentia ele pela primeira vez que, na arena internacional, a partida estava perdida para os seus amos dos monopólios imperialistas. E foi isto efetivamente que revelaram as comemorações do 10º aniversário da fundação da República Popular da China.

Após a Segunda Guerra Mundial, numerosos países se libertaram da dependência colonial. Todos herdaram uma economia atrasada e seus povos procuram qual o caminho a seguir para se livrarem da miséria e da ignorância, para avançarem na senda do progresso econômico e da elevação do nível cultural. Dois caminhos então se apresentam: o do desenvolvimento capitalista e o do desenvolvimento socialista. O povo chinês, dirigido pelo Partido Comunista, pôde tomar pelo caminho do socialismo. E basta uma simples comparação entre o ritmo de desenvolvimento da China Popular e dos países que tomaram pelo caminho do capitalismo para que se chegue a uma conclusão. O avanço vitorioso do povo chinês no terreno do desenvolvimento industrial, agrícola e cultural é inegável e processa-se num ritmo jamais conhecido no mundo capitalista. Constitui exemplo e inspiração para os povos de todos os países subdesenvolvidos e não pode deixar de exercer influência no mundo inteiro, inclusive entre os povos da América Latina, que se levantam e lutam contra a opressão colonial e buscam o caminho para se libertarem da miséria, do subdesenvolvimento, do atraso econômico e cultural.

O povo chinês libertou-se em 1949 dos monopólios imperialistas e da dominação do capitalismo burocrático e, por melo de uma reforma agrária radical, golpeou de morte o feudalismo. Dirigido por um partido marxista-leninista experimentado, conseguiu rapidamente realizar as tarefas da revolução nacional e democrática e tomar pelo caminho do socialismo o poder político passou efetivamente às mãos do povo e enormes forças produtivas foram liberadas. Em três anos, de 1950 a 1952, a China conseguiu reorganizar e restaurar sua economia e elevar a produção industrial e agrícola a níveis superiores aos mais altos do período anterior à guerra mundial. De 1953 a 1957, o povo chinês realizou com êxito o 1º Plano Quinquenal de desenvolvimento econômico, que elevou o valor da produção industrial em 141% e o volume da produção agrícola em 25%. Estavam criadas as bases para a industrialização mais rápida do país.

Graças a direção do proletariado e à aliança operário-camponesa que serve de base à frente única nacional, foi possível esse rápido avanço na transição ao socialismo com a simultânea realização da revolução socialista e da construção do socialismo. Mas no 1º Plano Quinquenal acentuava-se principalmente a necessidade de realizar a revolução socialista, a passagem de uma estrutura econômica complicada, que abarcava, juntamente com a economia socialista, economias capitalista e individual, a uma estrutura única e homogênea socialista. Na frente econômica, quer dizer, das transformações socialistas da propriedade sobre os meios de produção na agricultura, na indústria artesã, na indústria capitalista e no comércio, a revolução socialista já estava terminada no essencial em fins de 1956. Haviam então ingressado nas cooperativas agrícolas de produção 120 milhões de famílias camponesas, ou 96% do total. Agrupavam-se também em cooperativas mais de 5 milhões de artesãos, ou 92% do total. Simultaneamente, 70 mil empresas industriais privadas, ou 99,6% do valor total produzido por tais empresas, foram transformadas em empresas mistas, estatais-privadas, isto é, com participação do capital do Estado ao lado ou associado ao capital privado. Ao mesmo tempo, 1 990 000 empresas comerciais privadas, em que trabalhavam 85% do total dos empregados de todas as casas comerciais privadas, converteram-se em empresas mistas, estatais-privadas, ou totalmente estatais, ou em cooperativas comerciais ou industrial. Criavam-se, assim, as bases que permitiam ao povo chinês adotar novos ritmos mais acelerados para o seu desenvolvimento econômico e cultural, passar a completa mobilização das forças produtivas e do entusiasmo revolucionário das massas.

Realizado com antecedência o 1º Plano Quinquenal de desenvolvimento da economia nacional, podia entrar o povo chinês no caminho propriamente da industrialização socialista. A produção de aço se elevará de 900 mil toneladas, antes da libertação, a 5 340 000 toneladas, em 1957. Foi então que o Partido Comunista da China lançou a consigna de pôr em tensão todas as forças e lutar por alcançar em 15 anos ou em menor prazo a Grã-Bretanha na produção de aço e ferro gusa, assim como na de outros produtos industriais mais importantes.

Em próximo artigo procurarei mostrar o entusiasmo com que o povo chinês respondeu ao apelo de seus dirigentes, realizando o que hoje se denomina na China de grande salto para frente de 1958, vencendo com fé e decisão todos os obstáculos e prosseguindo a ritmos jamais vistos na construção da sociedade socialista.

Publicado originalmente em Novos Rumos, edição de 1 a 7 de janeiro de 1960.

Escrito por  Luiz Carlos Prestes

 

Nota dos editores: nem todas as posições expressas neste texto ou pelo autor condizem necessariamente e/ou integralmente com a linha política de nosso site ou da União Reconstrução Comunista.

 

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