"Segunda Guerra Mundial: o curso da guerra"

09/05/2020

 
A Segunda Guerra Mundial foi um produto da crise geral do sistema capitalista mundial, uma explosão devastadora das contradições internas deste sistema, precipitado pelo desenvolvimento desigual das respectivas potências capitalistas. Concretamente, foi uma nova e violenta divisão imperialista do mundo. A Alemanha, Japão e Itália foram os principais responsáveis pela guerra, com uma grande parcela de culpa também pertencente à Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, devido às suas políticas de conciliação e linhas antissoviéticas. Na guerra, havia vários elementos de choque – as tentativas de todas as potências imperialistas de destruir a União Soviética; os esforços dos dois grupos de grandes Estados capitalistas para assegurar a dominação imperialista mundial, e a resistência das massas democráticas do mundo à escravização fascista.

1. A etapa imperialista da guerra
Após a declaração de guerra oficial de 3 de setembro de 1939, iniciou-se um período de seis meses sem hostilidades, a chamada “falsa guerra.” A Grã-Bretanha e França não moveram um dedo sequer para ajudar a Polônia que estava sob ataque, nem se moveram em qualquer sentido contra a Alemanha. Isso acontecia porque a última coisa que seus líderes reacionários queriam era lutar contra a Alemanha nazista: seu objetivo era transformar a “guerra errada” numa “guerra correta,” uma guerra germano-soviética. Enquanto isso, em 5 de setembro, os Estados Unidos declararam sua “neutralidade.” A política de suas classes dominantes, essencialmente iguais àquelas da Primeira Guerra Mundial, era manter-se longe do conflito, enriquecer vendendo munições para as potências beligerantes ocidentais, e então, quando todos os decisivos Estados beligerantes estivessem suficientemente enfraquecidos pela guerra, conduzir seu golpe final para a hegemonia decisiva.

Hitler mantinha seus ouvidos fechados diante dos alardes das democracias ocidentais. Ele e seus parceiros japoneses estavam dispostos para a conquista mundial, e não queriam dividir os resultados do saque com os imperialistas britânicos, franceses e americanos. O itinerário de Hitler, conforme exposto previamente pelos russos, consistia primeiramente na destruição das frouxas potências imperialistas ocidentais, mobilizando então as indústrias e recursos humanos destas para iniciar finalmente o grande assalto contra a União Soviética, com o Japão, enquanto isso, arrebatando os sistemas coloniais no Oriente mantidos pela Grã-Bretanha, Holanda e França. Ademais, Hitler não estava apostando numa guerra de dois fronts contra a URSS com as forças armadas britânicas e francesas em suas costas. Dessa maneira, o ataque inicial, quando Hitler estivesse preparado, se dirigiria contra o Ocidente. A perspectiva fascista era inteiramente inaceitável para os imperialistas britânicos e franceses, que não podiam aceitar uma posição de inferioridade diante do imperialismo alemão num mundo fascista. Assim, quando chegara o ataque de Hitler, eles não tiveram alternativa senão lutar, e o fizeram em certa medida, ainda que a reboque da conjuntura. Chamberlain representava o setor da burguesia britânica que buscava uma barganha antissoviética com Hitler; Churchill, que se tornou Primeiro-Ministro em 10 de maio de 1940, representava a burguesia que se recusava a se render a Hitler.

Tais desenvolvimentos – as tentativas óbvias dos imperialistas britânicos e franceses (com os Estados Unidos permanecendo no pano de fundo) de colocar as armas de Hitler contra a União Soviética – levaram a uma mudança necessária na política comunista em todos os cantos. A expectativa era que, se a guerra eclodisse, a URSS se colocaria ao lado das democracias ocidentais, o que daria à guerra um conteúdo democrático. Tal era a perspectiva da política comunista nos anos antecedentes. Porém, a traição das potências ocidentais tornou tal curso impossível. Assim, uma política de não-apoio deveria ser adotada. A principal expressão desta política foi o pacto germano-soviético de não-agressão mútua.

Em outubro de 1939, a Internacional Comunista lançou um manifesto contendo esta nova política, que declarava: “Esta guerra é a continuação dos muitos anos de disputas imperialistas no campo do capitalismo.” O manifestou apontou que a Inglaterra, França e Estados Unidos mantinham o controle absoluto sobre os principais recursos econômicos do mundo, e que as potências fascistas buscavam arrancar tais recursos destes países. “Tal é o verdadeiro significado desta guerra, uma guerra injusta, reacionária e imperialista. A culpa desta guerra cai no colo de todos os governos capitalistas, e principalmente sobre as classes dominantes dos países beligerantes. A classe operária não pode apoiar semelhante guerra.” O Comintern lançou as seguintes palavras de ordem: “Nenhum apoio à política das classes dominantes de continuar e ampliar o massacre imperialista!”; “Reivindicamos a cessação imediata da guerra!”. Ao mesmo tempo, Dmitrov escreveu: “Cabe à classe operária por um fim a esta guerra à sua própria maneira, sob seus próprios interesses, e sob os interesses de todos os trabalhadores do mundo, criando assim as condições para a abolição das causas fundamentais das guerras imperialistas.” Esta política revolucionária foi reiterada pelo Comintern nas manifestações do Primeiro de Maio de 1940 e 1941.

Os partidos comunistas de todo o Ocidente seguiram esta linha geral, após certa hesitação e confusão iniciais, à medida que se reorientavam diante da nova situação mundial. Na China, onde se desenvolvia uma guerra popular, o Partido Comunista foi o líder da defesa nacional. Os partidos comunistas ocidentais reivindicavam a organização de governos de frente popular em seus respectivos países, o fim da guerra, e o estabelecimento de uma paz democrática. Os partidos comunistas britânico, francês e de outros países da Europa reivindicavam mudanças radicais em seus governos como base para uma defesa vitoriosa. Esta nova linha gerou perseguições contra os líderes comunistas de várias democracias ocidentais. Na França, o partido foi posto na ilegalidade, seus representantes parlamentares tiveram seus mandatos cassados, 159 jornais do partido foram suprimidos, 317 governos municipais comunistas foram dissolvidos, e muitos líderes do partido foram presos. No Japão, o Partido Comunista, tomando uma firme posição contra a guerra, enfrentou uma repressão bárbara. Quanto aos partidos e sindicatos da II Internacional, seguindo o curso coerente de seus líderes de colaborar com a classe capitalista, acabaram por apoiar a política traidora de seus governos na guerra imperialista.


2. Guerra Soviético-Finlandesa
Em 30 de novembro de 1939, a guerra eclodiu entre a Finlândia fascista e a URSS, causada pelas provocações seguidas da Finlândia, com incursões para além das fronteiras soviéticas. Leningrado se encontrava plenamente sob alcance das armas finlandesas. Por trás das depredações finlandesas, estavam os imperialistas britânicos e franceses, que estiveram há muito utilizando a Finlândia como fantoche antissoviético. Eles esperavam que a Guerra Finlandesa desse a eles uma oportunidade para organizar sua esperada guerra capitalista geral antissoviética. Era a chance, especulavam eles, para transformar a “guerra errada” contra a Alemanha numa “guerra certa” contra a URSS.

Durante a Guerra Finlandesa, de menor porte, uma selvagem agitação antissoviética era conduzida nas democracias ocidentais. A pequena “Finlândia Democrática” tornou-se a queridinha do Ocidente capitalista. Notícias fantásticas eram produzidas sobre os sucessos imaginários da Finlândia na guerra. “Exércitos voluntários” pró-finlandeses eram formados na Grã-Bretanha, França e outros países. A URSS era expulsa da Liga das Nações. Esforços abertos eram feitos para trazer Hitler para a intencionada guerra geral capitalista contra a URSS. De sua parte, os partidos da II Internacional participaram desta agitação antissoviética.

Mas Hitler não tinha intenções para com tal guerra geral. Ele acreditava que a Alemanha, Japão e Itália poderiam cuidar de todas as questões acerca do domínio mundial duma só vez, excluindo os imperialistas britânicos, franceses e norte-americanos.

O Exército Vermelho pôs fim à aventura finlandesa, concluindo a guerra em 13 de março de 1940. Esmagou a “impregnável” Linha Marnnerheim, demonstrando assim parte do poderio que seria posteriormente fatal para a Wehrmacht de Hitler. O governo soviético negociou uma paz democrática com a Finlândia, e este intervalo passou para a História. Posteriormente, a “democrática” Finlândia passou para o lado de Hitler na Segunda Guerra Mundial.

3. Hitler esmaga as potências ocidentais
Tendo concluído suas preparações militares e fazendo pouco caso com as manobras aliancistas dos capitalistas britânicos e franceses, Hitler iniciou seu assalto contra o Ocidente em abril de 1940, atacando a Noruega. A Wehrmacht alemã esmagou rapidamente os exércitos da Grã-Bretanha, França, Holanda e Bélgica. Os altos comandos destes exércitos, eles próprios influenciados pelo fascismo, pouco resistiram a Hitler. O Rei Leopoldo, da Bélgica, saiu imediatamente da guerra. Em 28 de maio, Hitler depenou os exércitos ocidentais e expulsou seus remanescentes para a costa de Dunkirk, na França, e ascendeu ao patamar de senhor da Europa Ocidental. Os partidos comunistas do Ocidente propuseram uma reorganização militante da guerra em torno de uma luta democrática em defesa de seus países, mas em vão.

Durante este período, a Estônia, Letônia e Lituânia, sendo anteriormente parte da Rússia, fizeram primeiramente pactos de não-agressão com a URSS e se incorporaram nela depois. E dado que o governo reacionário polonês capitulou ante a Hitler, o Exército Vermelho ocupou a Polônia oriental até a chamada Linha Curzon, território que a Conferência de Paz de Versalhes havia há muito declarado como sendo legitimamente russa.

Com seu exército destruído, a Grã-Bretanha estava prestes a cair, quando a União Soviética fez um movimento súbito para salvá-la. O Exército Vermelho ocupou o antigo território russo da Bessarábia, então sob controle da Romênia. Este passo dramático forçou Hitler, de uma só vez, a relaxar sua pressão contra a Grã-Bretanha. Temendo mortalmente uma guerra em dois fronts, o Fuhrer foi compelido a se consolidar nos Bálcãs e logo fortalecer suas principais forças na fronteira da URSS. Assim, durante os nove meses seguintes, ele se preocupou em invadir a Bulgária, Romênia, Iugoslávia e Grécia, preparando-se para um ataque contra a URSS. Imaginando, sem duvidar, que após concluir a tarefa de varrer a União Soviética, poderia facilmente derrotar a Grã-Bretanha enfraquecida, ele cometeu um erro fatal ao enviar suas tropas, 170 divisões, para as fronteiras soviéticas, em 22 de junho de 1941.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, os setores dominantes da burguesia, temendo a queda da Grã-Bretanha e a ascensão de um imperialismo alemão mais poderoso ainda, tenderam a fornecer um apoio cada vez mais ativo às potências capitalistas beligerantes. Os slogans de Roosevelt eram “Todo o apoio à guerra” e transformar os Estados Unidos num “arsenal da democracia.” Mas um setor muito poderoso da classe capitalista, seus elementos mais fascistas, buscaram abertamente fornecer ajuda a Hitler, mesmo observando com desconfiança as espetaculares vitórias japonesas na Ásia. Quanto ao povo americano, democrático e amante da paz, ao mesmo tempo em que apoiava uma ajuda à Inglaterra, queria em sua maioria manter-se fora da guerra.

4. Mudança do caráter da guerra
A entrada da União Soviética mudou fundamentalmente o caráter da guerra. Foi isto que a tornou democrática, progressista e antifascista. Antes deste acontecimento, a guerra estava nas mãos dos imperialistas, incluindo das democracias ocidentais, e estava sendo dirigida sob a perspectiva de seus interesses de classe. Diante de tais circunstância, a guerra não era, e não poderia ser, uma guerra antifascista. A entrada da URSS mudou tudo isso: não apenas configurou um caráter definitivamente antifascista à guerra, mas também deu às potências ocidentais sua primeira oportunidade para vencer. Até então, com a Grã-Bretanha, França, Holanda e Noruega completamente derrotadas na guerra, suas chances de vitória eram praticamente nulas. A URSS, que era o verdadeiro líder político da guerra, forneceu a esta seu conteúdo democrático e de possibilidade de vitória.

Desde o início, havia um elemento profundamente popular na guerra: a luta das massas contra a tirania fascista. Tal elemento se tornou finalmente dominante, dando à Segunda Guerra Mundial um caráter de guerra justa e popular, mas não até que o peso democrático da URSS se tornasse decisivo nas escalas da guerra.

Sem dúvidas, era este processo que Stálin tinha em mente ao dizer: “Ao contrário da Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial contra os Estados do Eixo, de longe, assumiu o caráter de uma guerra antifascista de libertação, cujo objetivo era a restauração das liberdades democráticas. A entrada da União Soviética na guerra contra os Estados do Eixo apenas poderia fortalecer – e o fez – o caráter antifascista e libertador da Segunda Guerra Mundial.” A II Internacional, evidentemente, não reconheceu a importância cabal da entrada da URSS, e quanto aos trotskistas, estes enxergaram a guerra como imperialista do início ao fim.

Pouco antes do início do ataque de Hitler contra a URSS, Churchill, seguido por Roosevelt após o ataque de Pearl Harbor, aceitou o plano de uma aliança de guerra com a União Soviética, mesmo fazendo todas as devidas reservas contra o comunismo. Assim surgiu, sob forma de guerra, uma aliança geral antifascista que o governo soviético defendia desde meados da década de 1930. Se posto em prática já nessa época, a frente pela paz poderia ter evitado a guerra e derrotado o fascismo já em seu início, mas foi, porém, cinicamente rejeitada. Apenas quando os imperialistas britânicos, franceses e americanos foram postos contra a parede, varridos na guerra, chamaram os comunistas para tirá-los da difícil situação. Mas a frente única foi formada, ainda que tardiamente.

A frente nacional e internacional contra o fascismo, linha do sétimo do congresso do Comintern, tornou-se assim a estratégia geral que venceu a guerra, outro exemplo da liderança política comunista mundial.

Devido à maior a agudização do fascismo em meio à guerra, a frente anti-Eixo deste período, internacional e nacionalmente, teve uma abrangência maior que a frente antifascista anterior à guerra. Assim, em escala internacional, expressou-se finalmente na aliança geral antifascista que se cristalizou nas Nações Unidas, e a nível nacional, pela ação unificada de todas as classes que buscavam lutar contra o fascismo, incluindo setores da burguesia. A frente nacional nos respectivos países abrangeu desde cooperação mais fracas de grupos antifascistas à participação conjunta deles em governos nacionais.

5. Aliados capitalistas não-confiáveis
Mesmo que as potências capitalistas ocidentais tenham feito oficialmente uma aliança e uma frente de guerra conjunta com a URSS, nunca trataram este país como um verdadeiro aliado. A linha deles era utilizar a URSS o quanto possível para esmagar a Alemanha na guerra, mas ao mesmo tempo esperar que a União Soviética se enfraquecesse ao máximo neste processo. Hoover, Truman e outros reacionários americanos defendiam esta linha abertamente. Até hoje, Hoover defende abertamente tal política traidora. Foi especialmente após Stalingrado, que abriu uma perspectiva de vitória para os aliados, que a linha de apunhalar a URSS se intensificou. Desde então, os imperialistas vislumbraram um mundo pós-guerra dominado pelos anglo-americanos, no qual a Rússia Soviética cumpriria apenas um papel subordinado.

Tais considerações reacionárias se apresentaram como uma montanha nas atitudes britânico-americanas e na política de guerra para com a URSS. Entre outras coisas, elas se manifestaram na ocultação de muitos segredos militares vitalmente necessários à URSS, como radares e visões de bomba. Pior ainda, ocultou-se dos russos todas as informações sobre a bomba atômica.

Ademais, houve grandes discriminações no tocante a empréstimos e arrendamentos de guerra. Como dito, a URSS recebeu em empréstimos e arrendamentos apenas um quarto dos materiais bélicos fornecidos à Grã-Bretanha, mesmo que tivesse dez vezes mais tropas em combate. Os reacionários, por razões óbvias, exageraram grosseiramente a importância dos empréstimos e arrendamentos americanos fornecidos à Rússia como fator para a vitória na guerra. Se levarmos em conta os números de atualmente, os 10 bilhões de dólares fornecidos à Rússia em empréstimos e arrendamentos – boa parte dos quais foram destruídos quando se encontravam a caminho de seus destinos – equivaliam apenas a 5% do total de 210 bilhões de dólares da produção bélica americana em período de guerra. Ademais, a URSS logrou impedir o avanço dos alemães muito antes de ter acesso aos acordos de empréstimos e arrendamentos.

A grosseira discriminação contra a URSS também se mostrou na atitude dos Estados Unidos de dirigir seus principais esforços de guerra contra o Japão. Roosevelt insistiu que a Alemanha nazista era o principal inimigo, e a Europa, principal cenário da guerra, mas ainda assim foi um fato que, sob pressão da política do “Grande Japão,” o principal esforço de guerra dos Estados Unidos foi feito contra o Japão. A União Soviética foi deixada para lutar contra o principal inimigo, a Alemanha, praticamente sozinha – salvo por ajudas minoritárias das potências imperialistas ocidentais, como bombardeiros aéreos e abastecimentos navais inadequados, que cumpriram um papel nada decisivo na guerra.

Esta situação geral foi enfatizada, sobretudo, pela recusa dos Estados Unidos e Grã-Bretanha em abrirem um front ocidental na Europa. A URSS, com a esmagadora maioria de suas forças armadas em confronto com a Wehrmacht de Hitler e grande parte de seu exército imobilizado nas fronteiras chinesas, para impedir o avanço do Japão, chamou quase desesperadamente seus “aliados” capitalistas para atacar Hitler a partir do Oeste.

Este era o grande meio necessário para vencer a guerra numa virada – na data de primeiro de maio de 1942, o Comintern levantou a palavra de ordem de vencer a guerra em 1942. Contudo, nada foi feito pelos anglo-americanos. A formação do front ocidental foi deliberadamente postergada por pelo menos dezoito meses após poder ser lançado. A reação britânica e americana foi definitivamente responsável por esse crime monstruoso, que prolongou a guerra e custou as vidas de milhões de russos, americanos, britânicos, franceses e outros. De fato, o front ocidental não seria formado até que os russos, tendo varrido a coluna vertebral da Wehrmacht alemã, estivessem avançando e entrando rapidamente na Polônia, cerca de apenas 1,6 mil quilômetros de Berlim. Os imperialistas americanos e britânicos temiam que, se não agissem rapidamente, o Exército Vermelho ocupasse toda a Europa.

As acusações dos comunistas contra essas traições ocidentais são, até hoje, recebidas apenas com negações cínicas. Winston Churchill, porém, recentemente, confessou publicamente que nos meses finais da guerra, dera instruções ao Marechal Montgomery para que, mesmo desarmando os alemães, rearmasse-os caso fosse necessário impedir o avanço do Exército Vermelho.

As massas americanas nada tinham em comum com esta traição vergonhosa cometida contra nosso aliado russo. Ao contrário, durante toda a guerra, expressaram uma solidariedade calorosa e amigável para com o povo soviético, que carregou em suas costas o maior esforço militar da história humana. Tampouco o liberal Roosevelt deve ser culpado, pois de forma geral manteve uma atitude amigável para com o povo russo, mesmo que não fosse sequer de longe o verdadeiro mandatário da política de guerra americana.

6. Os russos esmagam a Alemanha Nazista
Quando os exércitos de Hitler atravessaram a fronteira soviética em junho de 1941, os especialistas militares burgueses do Ocidente foram unânimes em professar que seriam necessárias apenas algumas semanas até que Hitler varresse completamente a URSS. De fato, sua “Blitzkrieg” levou-o rapidamente para muito longe, e colocou-o às beiras dos portões de Leningrado em setembro, cidade esta que ele nunca derrubaria. Em 3 de outubro, o arrogante Hitler declarou para o mundo que a União Soviética fora derrotada e nunca se levantaria novamente.

Mas Hitler contou vantagens antes da vitória. Ele subestimou o enorme poder de combate do povo soviético, de seu Exército Vermelho e seu sistema socialista. A Wehrmacht pagaria muito caro em sua passagem pela Rússia. Foi demolida em suas tentativas infrutíferas de tomar Moscou e Leningrado. Em dezembro de 1942, sua coluna vertebral foi derrotada em Stalingrado, a batalha mais decisiva da história mundial.

Assim se iniciou, para os nazistas, o recuo de 2,4 mil quilômetros, com o Exército Vermelho marchando em ondas por todo este caminho, enquanto os Estados Unidos e Grã-Bretanha mantinham seus enormes exércitos estacionados em território britânico. Por dois anos, a imprensa do mundo saudou entusiasmadamente as grandes vitórias dos Exércitos Vermelhos (que são atualmente ignoradas pelos belicistas americanos), e até mesmo o reacionário general Douglas McArthur [1] declarou que “as esperanças da civilização recaem sobre as valorosas bandeiras do bravo Exército Vermelho.” Claro, os comunistas eram pessoas maravilhosas enquanto salvavam o mundo das atitudes criminosas do próprio mundo capitalista. Após muito, em 6 de junho de 1944, quando a guerra na Europa já estava basicamente decidida e Hitler se encontrava às muletas, os Aliados iniciaram o front ocidental criminosamente postergado, e em 25 de abril de 1945, o exércitos britânico-americanos e soviéticos se encontraram nos bancos do Rio Elba, na Alemanha. A hora de Hitler chegara.

A guerra no Pacífico teve um caráter de coalizão muito mais acentuado que na Europa. O povo chinês, durante muitos anos de luta, causara enormes danos à máquina de guerra japonesa. O grande avanço das forças terrestres, marítimas e aéreas americanas, sem dúvidas, foi um desastre para as forças armadas japonesas. Por fim, a expulsão do Exército de Guangdong japonês para as fronteiras da Sibéria, com sua destruição final pelo Exército Vermelho, foi também um fator importante para a vitória na guerra. Em 14 de agosto de 1945, o Japão se rendeu incondicionalmente. Terminara a grande guerra mundial, com seus 25 milhões de mortos e 32 milhões de feridos. [2]

Durante os últimos da etapa japonesa da guerra, ocorrera um acontecimento sinistro da mais grave importância histórica. Diante das ordens expressas do presidente Truman, bombas atômicas foram jogadas contra Hiroshima (6 de agosto) e Nagasaki (9 de agosto). Foi um crime monstruoso, uma matança brutal de centenas de milhares de civis. O crime foi ainda mais condenável pois o Japão, já derrotado, estava prestes a se render. Mais terrível que isso, porém, foi a declaração – após a derrubada das bombas – de que Wall Street tentaria manter sua dominação mundial pós-guerra com base nesta arma terrível. A bomba atômica era dirigida muito mais contra a União Soviética do que contra os japoneses.

Notas
[1] Cinicamente, Douglas McArthur seria um dos principais responsáveis pelo extermínio de cerca de três milhões de coreanos na Guerra da Coreia de 1950-1953, tendo defendido inclusive o uso da bomba atômica contra a Coreia do norte, China e União Soviética. (Nota do tradutor)
[2] De todas as baixas, os russos tiveram 6,11 milhões de mortes em batalhas, e 14 milhões de feridos, ou cerca de nove vezes mais mortes de soldados que os exércitos britânicos e americanos juntos. (Nota do autor)

 

 

Excerto da obra de William Z. Foster, "History of the Three Internationals: The World Socialist and Communist Movements from 1848 to the Present" que em breve será publicada pelo selo Edições Nova Cultura

 

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