9 de maio: A tempestade das nações oprimidas

09/05/2020

 

Um dos grandes líderes das massas oprimidas dizia uma frase segundo a qual “o terror amedronta as massas, mas um terror ainda maior as liberta”. Pensamos que esta máxima faz mais sentido ainda na presente data em que se comemora os 75 anos da vitória dos povos do mundo sobre o nazifascismo.

 

O “terror ainda maior” da crise capitalista mundial de 1929 (a maior até então sentida pelo mundo capitalista) e das disputas entre as potências imperialistas ocidentais, de um lado, e as potências fascistas, de outro – causas básicas da eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939 –, colocou em movimento e lançou às guerras de libertação centenas de milhões das nações oprimidas não somente nas regiões já historicamente oprimidas do mundo, Ásia, África e América Latina, mas também no seio da própria Europa e Estados Unidos capitalistas. Estes “povos de cor” (como eram pejorativamente chamados), pretos, amarelos, “peles vermelhas”, latinos, católicos, judeus, muçulmanos, privados dos direitos básicos, sujeitos a toda sorte de massacres, linchamentos e discriminação pelo imperialismo, tidos como pessoas de segunda categoria ou sequer pessoas, iniciaram sua luta mais agressiva para se libertarem, de armas na mão, das correntes coloniais do imperialismo. Se, por um lado, a própria crise capitalista de 1929 gerara duras disputas entre as potências, que golpearam duramente o sistema colonial, por outro, a vitória sobre o fascismo de 9 de maio de 1945 acrescentou o componente mais determinante e popular para dissolver o sistema colonial do imperialismo: o avanço e organização dos movimentos de libertação nacional.

 

Nos anos imediatos ao fim da Segunda Guerra Mundial e da derrota sobre o fascismo, muitos destes movimentos seriam já vitoriosos, erguendo novos governos democrático-populares em seus respectivos países e assumindo o caminho socialista, a julgar pelas lutas conduzidas na China, Coreia, Indochina e leste da Europa. O exemplo destes países, verdadeiro terremoto de dimensões mundiais, está por trás das muitas razões que explicam a vitória dos movimentos de libertação nacional nas décadas seguintes em Cuba (1959), Argélia (1962), Etiópia (1974), Angola (1975), Moçambique (1975), Nicarágua (1979) e Burkina Faso (1983), abrindo grandes perspectivas de construção de novos Estados democráticos independentes.

 

Por muitas décadas, até o começo do século XX, os socialistas desprezaram ou negligenciaram a capacidade revolucionária dos chamados “povos de cor”, caminhando dogmaticamente a reboque das perspectivas revolucionárias da classe operária europeia ou norte-americana. Os revisionistas da II Internacional “socialista”, que praticamente a dominavam, chegavam ao ponto de dizer que a libertação dos povos oprimidos nada dizia respeito aos interesses da classe operária. As posições de Lênin, porém, nada tinham a ver com tais absurdos. Como visionário, estudando o imperialismo, constatando que o desenvolvimento desigual é uma lei absoluta do sistema capitalista, já afirmava que o “centro de gravidade” da revolução proletária mundial estava se transferindo da Europa capitalista e industrial para a Ásia e demais áreas sujeitas ao controle imperialista. Sua afirmação se manifestou já na inspiração que a grande Revolução Russa de 1905 causara nos povos oprimidos pelo antigo Império Russo, dos polacos aos chineses. À vitória da Revolução de Outubro de 1917 seguiu-se uma série de revoluções e movimentos democrático-nacionais em áreas coloniais e semicoloniais como Turquia, Pérsia, China, Indochina, Índia, e entre nações outrora oprimidas de impérios que ruíram com o fim da Primeira Guerra Mundial, como o Austro-Húngaro e o Turco-Otomano.

 

Se 1905 e 1917 foram dois importantes marcos para colocar as nações oprimidas no centro da revolução proletária, não é exagero sustentar que a grande vitória sobre o fascismo de 9 de maio de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, foi a mais poderosa materialização da ideia de Lênin de colocar os povos oprimidos no centro da política proletária mundial, a ponto do problema da libertação nacional e da dissolução do colonialismo ter realmente se tornado, como dissemos, um programa de abrangência mundial.

 

Após o golpe mortal sofrido pelo sistema capitalista durante a Segunda Guerra Mundial, o imperialismo ianque – que saiu fortalecido da guerra e colocou sob sua bota até mesmo as outrora poderosíssimas potências imperialistas –, entrou numa colisão de interesses com as potências imperialistas europeias, brutalmente enfraquecidas, para penetrar nas colônias e semicolônias destas potências na Ásia e África (dado que já mantinha como semicolônias os países da América Latina). O enfraquecimento das potências europeias com a guerra e a ânsia do imperialismo ianque para penetrar nessas áreas colônias puseram o caldo que ferveria a exploração ainda maior dos povos coloniais e os compeliria às grandes revoluções nacional-libertadoras. O sistema colonial, pilar básico do sistema capitalista, sofreria com este outro golpe de morte.

 

Os grandes capitalistas norte-americanos, porém, sabiam muito bem que seu sistema explorador não duraria sequer um ano sem uma extensa área de países coloniais para lhes abastecer com matérias-primas, mão de obra barata e lucrativos mercados para inundar com seus bens e capitais excedentes como forma de atenuar as graves crises de superprodução. Assim, os imperialistas norte-americanos reabilitaram e deram sobrevida ao sistema colonial sob outras formas. Para ludibriar os povos da Ásia, África e América Latina, reconheceram e promoveram falsas independências em colônias outrora dominadas pelas potências europeias, posando de campeões da defesa da autodeterminação nacional, mas dominando política e economicamente estes países por meio de burocracias fantoches, corruptas e fortalecendo seus laços de interesses com as classes dominantes reacionárias destes países, promovendo falsos programas de “auxílio econômico”, “ajuda humanitária”, “modernização”, “Revolução Verde”, dentre outros, buscando evitar que os povos destes países seguissem o caminho das guerras populares como na China, Indochina e Coreia. Métodos mais sofisticados de sedução e dominação econômica e cultural eram combinados com a manutenção e intensificação das agressões abertas e promoção de genocídios e regimes reacionários. Tal situação se mantém durante nossos tempos.

 

A despeito dos esforços obstinados do imperialismo ianque para enganar as nações oprimidas, não são poucos os que povos que, ainda que sob uma ampla diversidade de perspectivas e concepções políticas, muitas das quais sequer contemplam o socialismo, recorrem às guerras de libertação nacional para conquistar a verdadeira emancipação contra a dominação estrangeira.

 

Atualmente, em países como Índia, Nepal, Bangladesh, Palestina, Filipinas, Turquia, Afeganistão, Saara Ocidental, Irlanda, Peru, Paraguai, México, Venezuela, e diversos outros historicamente submetidos à exploração do colonialismo, os melhores filhos de seus povos têm recorrido à guerra nacional-libertadora para se emancipar. Muitos de seus destacamentos mais avançados são conduzidos por partidos comunistas, aplicam a linha estratégica da guerra popular prolongada e possuem a perspectiva de derrocada do capitalismo e construção do socialismo. Em muitos países que atravessaram processos de capitulação pelo revisionismo ou derrota militar das guerras nacional-libertadoras, discussões e debates têm sido feitos para se reorganizar a luta contra o imperialismo sob a perspectiva da guerra nacional-libertadora. Aqui, deve-se enfatizar que o 9 de maio de 1945 permanece inspirando as novas gerações de combatentes.

 

No Brasil, onde por muito tempo o movimento de libertação nacional sofreu duras derrotas, os revisionistas e reformistas, que hegemonizam os principais instrumentos de luta do povo, traem-no vergonhosamente ao se agarrarem ao caminho parlamentar diante de um governo fantoche que entrega sistemática e mais profundamente nosso país para ser abocanhado por Trump e outros maníacos genocidas. Com ataques progressivos e de ordem militar contra as massas, a julgar pelos acontecimentos mais recentes nas áreas rurais e nas favelas das grandes cidades, respondem com mais cretinismo parlamentar.

 

Situando-se o Brasil na esfera das mesmas nações oprimidas mencionadas, mantenhamos em mente o espírito da vitória antifascista de 9 de maio de 1945. Somente assim lograremos ânimo e visão para reorganizar o movimento popular e o Partido de vanguarda do proletariado e das massas brasileiras.

 

 

 

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