Como o capitalismo põe o mundo de joelhos diante da crise sanitária?

27/03/2020

 

Parece consenso (apenas parece) que o atual período de crise – cujo gatilho foi a pandemia global do coronavírus – pede por uma “união de todos” e que as disputas políticas devem ser colocadas de lado em prol da defesa da vida humana. Interpreta-se que falar de política ou “dar nome aos bois” nas presentes condições seria uma forma de oportunismo, de “politizar as coisas” às expensas da morte de dezenas de milhares de pessoas (ou quem sabe centenas de milhares, ou milhões, dentro de alguns meses?). Seria ótimo se assim fosse, se todos se unissem e deixassem de lado suas meras opiniões em prol de desacelerar os contágios e as mortes que se alastram, até que a descoberta definitiva de uma vacina permitisse por fim à pandemia e colocar a Covid-19 como mais uma das doenças às quais o corpo humano já desenvolveu resistência, passando então à condição de “gripezinha”, como já se falou por aí.

 

As pessoas que assim pensam ignoram ou desconhecem que um dos traços fundamentais do sistema capitalista é a disputa encarniçada entre os diferentes setores da burguesia para abocanhar o filão da exploração do povo e dos recursos do Estado burguês, pelo controle de cargos estratégicos para a gestão de políticas econômicas, etc. Não se trata de meras opiniões pessoais. Da mesma forma, em meio ao período de pandemia que escancara os traços mais podres do capitalismo, se intensifica a luta de classes entre exploradores e explorados. Logo, falar numa “união de todos” não passa de discurso vazio. No caso brasileiro, os governadores estaduais, que aparentemente levantam um discurso de “união nacional” com propósitos humanistas, apenas buscam pular da canoa furada de Jair Bolsonaro, que certamente não se sustentará por muito tempo. Dória, Witzel e outros que o digam. A tendência de “pular fora” da canoa de Bolsonaro por parte de seus outrora aliados é algo que já observamos há quase um ano, e apenas se intensificou com a pandemia do coronavírus.

 

Encobertos pelo discurso pseudo-humanista da “união de todos contra a pandemia”, os diferentes setores das classes dominantes fazem sua política e buscam projetar os cenários eleitorais e econômicos pós-crise. Nós, do campo democrático e popular, cumprindo as devidas recomendações em defesa da saúde popular, não podemos cair no canto da sereia da “união de todos” e devemos defender nossa política progressista e de ataque ao imperialismo e seus fantoches, bem como repercutir as lutas e reivindicações populares em meio à atual pandemia.

 

As consequências trágicas da pandemia têm nome e endereço: Estados Unidos, imperialismo e capitalismo

 

Desde quando o capitalismo se tornou imperialismo, na virada do século XIX para o século XX, todas as suas principais contradições foram levadas à última potência. Se já é verdade que no capitalismo, por sua própria natureza, o desenvolvimento das forças produtivas não se dá de forma ascendente, mas impulsionado por disputas ferrenhas entre os diferentes capitalistas para aumentarem seus lucros e tirar seus respectivos concorrentes do mercado, que resulta em crises, comoções, etc., sob o imperialismo, a concorrência faz com que as comoções e as crises resultem em holocaustos mundiais, em grandes guerras que martirizam centenas de milhões de indivíduos.

Há dois traços básicos do capitalismo em sua etapa imperialista: a desigualdade de ritmos de desenvolvimento entre os diferentes países e o sistema colonial.

 

Num sistema que se baseia na propriedade privada sobre os modernos meios de produção, onde a obtenção dos maiores lucros é um assunto privado de cada capitalista, um só pode se desenvolver em detrimento dos outros. Um país só pode se desenvolver pelo caminho capitalista à custa do não-desenvolvimento e atraso de outros. É fato que a industrialização inglesa foi feita às custas da desindustrialização e esgotamento da Índia pela fome, algo que se repetiu com outros países atrasados. A industrialização dos Estados Unidos e sua ascensão como superpotência foram apoiadas pelo atraso dos países da América Latina e pela destruição da Europa ao longo de duas grandes guerras mundiais. Ao longo das décadas, portanto, enquanto uma ou algumas superpotências despontaram, outras estagnaram ou retrocederam em seu desenvolvimento, como forma de manifestação da lei do desenvolvimento desigual sob o capitalismo.

 

O abismo que separa os ritmos desiguais de desenvolvimento sob o capitalismo se amplia quando falamos do sistema colonial, o chamado “Terceiro Mundo”, composto pela esmagadora maioria de países do mundo, constrangidos a se atrasarem em décadas em seu desenvolvimento industrial e servirem como mercado para os excedentes dos países avançados, e em especial como fonte de matérias-primas e produtos agrícolas para os monopólios capitalistas. Sem o desenvolvimento industrial, não conseguem gerar empregos melhores e suficientes para suas imensas populações. A orientação da agricultura para o desenvolvimento de grandes plantations de exportação impede para a população rural, igualmente, o acesso a fontes de rendimentos suficientes para sua manutenção. Sem indústria e agricultura, sem o direito a produzir por suas próprias forças os bens básicos necessários para suas populações, tais países vegetam na miséria e na desnutrição.

 

O desenvolvimento desigual e o sistema colonial são dois pilares básicos que mantêm de pé o sistema capitalista.

 

Pois bem, neste período no qual a pandemia da Covid-19 já se alastrou para todos os países do globo, ricos e pobres, as feridas abertas da desigualdade capitalista são aprofundadas e sangradas sem cessar.

 

O Terceiro Mundo vive uma situação de atraso econômico e social. Num mundo em que se alardeia aos quatro cantos os avanços mais recentes da automação, da inteligência artificial e da robotização, a grande maioria da humanidade vive sob condições que pouco diferem das épocas medievais, sem acesso aos traços mais básicos da civilização, traços estes tão necessários para frear o ritmo de alastramento do coronavírus. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara corretamente que o ato de lavar as mãos com sabão é uma das grandes armas da humanidade para combater o coronavírus, a Unicef divulga no dia 13 de março de 2020 uma pesquisa segundo a qual 40% da população mundial não tem condições sequer de lavar as mãos! Vejamos alguns números da pesquisa que mostra que “desenvolvimento” o capitalismo reservou para os povos do Terceiro Mundo subdesenvolvido:

 

“Neste índice, estão incluídos crianças, pais, professores, profissionais de saúde e outros membros da comunidade. De acordo com a Unicef, 47% das escolas não possuem um lavatório com água e sabão, o que afeta 900 milhões de crianças em idade escolar.

 

Além disso, não há banheiros funcionais ou instalações para lavar as mãos em 16% dos pontos de atendimento dos estabelecimentos de saúde, onde os pacientes são tratados. Na África ao sul do Saara, 63% da população das áreas urbanas, ou 258 milhões de pessoas, não têm como lavar as mãos. Cerca de 47% dos sul-africanos urbanos, equivalente a 18 milhões de pessoas, não possuem instalações básicas para lavar as mãos em casa. Os moradores mais ricos têm quase 12 vezes mais chances de realizar a prática.

 

Na Ásia Central e Meridional, 22% das populações urbanas, ou 153 milhões de pessoas, também não possuem instalações básicas em casa. São 50% de bengaleses urbanos (29 milhões de pessoas) e 20% dos indianos urbanos (91 milhões) nesta situação. No Leste da Ásia, não têm como higienizar as mãos 28% dos indonésios urbanos (41 milhões) e 15% dos filipinos urbanos (7 milhões).” [1]

 

Os ideólogos burgueses relativizam esta situação. Sustentam que o coronavírus, por possuir um índice de mortalidade mais elevado principalmente entre a população mais idosa, teria uma incidência menos catastrófica nestes países que possuem uma população principalmente jovem, esquecendo-se que a despeito desta juventude, são generalizadas as terríveis condições de trabalho, desemprego, falta de acesso a alimentos e demais produtos básicos, superpovoamento nas favelas e bairros, etc., que fazem as doenças se alastrarem, reduzindo a expectativa de vida e, por conseguinte, a própria noção sobre o que consideramos velhice. Tendo como epicentro, ainda, a Europa capitalista e os Estados Unidos, ainda estamos por ver a pandemia do coronavírus tomar dimensões ainda mais catastróficas ao se alastrar mais agressivamente para os países da Ásia, África e América Latina.

 

O atraso econômico e social prevalente gera como desdobramentos disputas ainda mais intensas entre as classes dominantes dos países do Terceiro Mundo. Racismo, chauvinismo nacional e guerras são rampantes principalmente nos países mais atrasados do globo, o que acrescenta ainda mais lenhas na fogueira do alastramento do coronavírus. Vejamos o principal caso do Oriente Médio, no qual o povo da Palestina é submetido há muitas décadas à opressão racista e colonialista da Entidade Sionista israelense. A Faixa de Gaza, cerca pelas tropas e tanques de Israel, é o que mais assemelha à maior prisão a céu aberto do mundo, com mais de dois milhões de palestinos confinados numa área minúscula de 360 km², e quinhentos mil vivendo em campos de refugiados. Nesta pequena área, densissimamente povoada por milhões, prevalece a fome a desnutrição, com os recursos mais básicos fornecidos (incluindo aqui o acesso a água!) a conta-gotas pelo Estado reacionário de Israel. Os hospitais estão destruídos pelos frequentes bombardeios israelenses e, para esta imensa população, para enfrentar a pandemia do coronavírus, há algo como... cinquenta e seis respiradores e quarenta leitos de UTI. É um genocídio anunciado, não pelo coronavírus – algo que uma política eficiente de saúde e quarentenas radicais e racionais poderiam resolver e amenizar –, mas pelas décadas de guerra imperialista e opressão racista pela dupla imperialismo ianque/sionismo israelense.

 

Tamanha é a catástrofe à qual o capitalismo põe o mundo de joelhos que não é necessário irmos sequer aos países atrasados para constatarmos seu esgotamento, sendo possível observá-lo mesmo no país mais avançado, os Estados Unidos. Se neste país, que dispõe do mais elevado grau de desenvolvimento das forças produtivas de todo o mundo capitalista, é possível observarmos o caso de grandes cidades como Nova York, na qual o ritmo de disseminação do coronavírus levará, em questão de sete dias (levando em conta que a presente informação foi divulgada em 23 de março), ao colapso do sistema de saúde, com a escassez de equipamentos básicos necessários para manter elevadas quantidades de internações [2] – falta esta que só pode ser explicada pela ausência da planificação econômica central, desdobramento da propriedade privada capitalista sobre os meios de produção –, não é difícil compreendermos que futuro o capitalismo reserva para os povos do Terceiro Mundo sob as condições da pandemia do coronavírus.

 

Somente o socialismo gera condições para impedir uma catástrofe mundial

 

Se é verdade que não é fácil traçarmos um quadro exato da situação mundial quando findada a pandemia do coronavírus, ao menos já é possível constatarmos que haverá uma nova grande crise (que já era possível constatar antes mesmo da pandemia), seguida do desemprego massivo entre a população trabalhadoras mundial, novas reestruturações nas relações entre as potências, possíveis novas guerras, etc. Não poderia ser nada diferente sob o capitalismo, no qual diante da crise econômica, cada potência tentará “tirar o seu” diante da nova situação mundial.

 

É da própria natureza do capitalismo a disputa encarniçada entre as potências e as classes dominantes de cada país pela pilhagem dos resultados da exploração das massas, bem como a desigualdade de desenvolvimento econômico e político, que contrasta limitados pontos do sistema capitalista de elevadíssimos níveis de industrialização com uma massa imensa de países com bilhões de pessoas cristalizados em seu progresso. O capitalismo mostra-se incapaz e desinteressado em levar a industrialização para o conjunto do mundo e, com a industrialização, os avanços civilizacionais decorrentes. O resultado não poderia ser senão uma catástrofe num contexto como o nosso de pandemia, e mesmo os países do mundo capitalista que atravessaram sua industrialização estão com seus respectivos sistemas de saúde e estrutura médica com dias contados. Todos os países, sem exceção, têm sido vítimas de intensa especulação e estocagem com produtos essenciais para o tratamento da pandemia, impedindo ou freando seu acesso à população mais necessitada.

 

Todas essas chagas terminam com a revolução socialista, com os modernos meios de produção (fábricas, fontes de recursos naturais, estrutura logística, comunicações, terras, etc.) passando das mãos de um punhado de grandes capitalistas para a propriedade social, estatal-socialista de todo o povo. Na medida em que a produção deixa de ser orientada para o lucro privado e se dirige para as crescentes necessidades materiais e culturais dos trabalhadores, não há limites para o desenvolvimento produtivo e para a expansão das conquistas mais recentes da civilização para todo o povo trabalhador, a produção se desenvolve de forma ascendente e sem crises.

 

Quando a produção é colocada a serviço das crescentes necessidades do povo, a condição para o desenvolvimento das forças produtivas é sua máxima harmonização entre todas as regiões do país e do mundo, ao contrário do que ocorre com o capitalismo, cujo desenvolvimento de algumas regiões se dá às custas de muitas outras. É fato dado que, após a Revolução Socialista de Outubro de 1917, na Rússia, as outrora colônias czaristas na Ásia Central e no Cáucaso (Uzbequistão, Tadjiquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Armênia, Geórgia, Azerbaijão, as regiões indígenas da Sibéria, etc.), antes marcadas pela miséria extrema de suas populações, massacradas por um atraso econômico e social de fazer inveja ao medievalismo, industrializaram-se rapidamente no decurso de pouco mais de uma década, tornando-se capazes de produzir autonomamente complexos meios de produção como tratores, colheitadeiras e demais máquinas, aço, etc., alcançando níveis de desenvolvimento nos quais produzir itens relativamente pouco complexos como álcool-gel, máscaras de pano, termômetros, etc., atualmente tão escassas num país como o nosso (a despeito de figurar como parte das chamadas “vinte maiores economias do mundo”), seria de grande facilidade. Verificou-se o mesmo em países outrora muito atrasados que seguiram pelo caminho socialista, como China, Coreia, Polônia, Bulgária, Romênia, Albânia, Vietnã, etc. Atualmente oprimidos pelo capitalismo-imperialismo, porém, os países do Terceiro Mundo, sabotados econômica, social e politicamente, devem beijar os pés dos amos imperialistas em troca de não verem um extermínio de suas respectivas populações. Porém, caso vivêssemos num mundo socialista, onde a industrialização deixaria de ser privilégio dos países ricos e se expandiria por todos os países, a pandemia do coronavírus não chegaria nem próximo dos níveis de destrutividade que atualmente alcança. A produção dos bens médicos e básicos poderia ser absolutamente planificada e centralizada, sua distribuição seguiria uma logística central rigorosa, o que eliminaria os especuladores sem escrúpulos que, em todo o mundo capitalista, fazem fortunas com a escassez destes produtos, com a desgraça das massas.

 

A pandemia do coronavírus perderia seu caráter completamente avassalador não apenas pela harmonia do desenvolvimento econômico e social, mas pela maior unidade política que o socialismo traz consigo. Não havendo classes sociais antagônicas ou disputas entre os capitalistas para pilhar as massas cada vez mais, uma perspectiva socialista unificada permite, da mesma forma, uma ação unificada para o combate das calamidades.

 

Para não nos alongarmos ainda mais, forneçamos como ilustração o caso da Coreia socialista. Encontrando-se no primeiro epicentro da pandemia do coronavírus, vizinha à China, é notório constatar que um país como este se encontre até então, enquanto estas linhas são escritas (27.03), sem qualquer caso confirmado de infecção pela Covid-19. É possível parabenizar este feito não só pela industrialização que o socialismo promove, mas, como afirmamos, também por conta da unidade política no sentido mais amplo possível, que lhes permitiu cumprir as seguintes medidas para evitar a entrada/proliferação do coronavírus no país:

 

“1. O fechamento total das fronteiras da RPDC com a China (as fronteiras com a Coreia do Sul estão normalmente fechadas mesmo); 2. A interrupção do tráfego de turistas exteriores. Todos os coreanos que tinham vindo do exterior nos últimos dias foram enviados para quarentena monitorada; 3. Os poucos trens de carga que já estavam programados para entrar no país passaram por rigorosa inspeção de descontaminação com o uso de soluções químicas; 4. Suspensão das atividades em portos, aeroportos e postos de transporte de origem externa; 5. Campanha nacional de conscientização de medidas de segurança e “etiqueta viral”: usar máscaras para evitar espalhar gotículas de saliva enquanto fala e, quando não estiver usando uma, tossir ou espirrar de modo a não espalhar gotículas no ar, uso de álcool em gel após tocar superfícies compartilhadas e lavar as mãos continuamente; 6. A programação da TV estatal da Coreia foi reformulada e vários boletins atualizaram a situação global do vírus. Foram vinculados programas e documentários sobre o combate ao vírus. Carros de som passam pelas ruas avisando as pessoas a manterem atenção; 7. Foram montados grupos de desinfecção que rondam diariamente transportes públicos e locais de trabalho com soluções químicas desinfectantes, descontaminando os corrimões, bancos, maçanetas e locais de contato coletivo; 8. Foram montadas equipes médicas e reforçados os esforços médicos e sanitários por todo o país, preparando hospitais e postos de saúde para atender as pessoas em caso de epidemia. Equipes de médicos e enfermeiros começaram a rondar as cidades e visitar as casas das pessoas com qualquer tipo de gripe.”

 

A elevada capacidade do socialismo em resolver os problemas do povo salta os olhos quando tratamos do caso de um país que, mesmo bloqueado e cercado por todos os lados, não foi e certamente não será tomado pelo coronavírus.

 

Porém, no caso brasileiro, não se tratando de um país socialista e submetido ainda ao próprio atraso em seu desenvolvimento capitalista pela pilhagem externa, que consequências certamente teria um bloqueio econômico e inúmeras sanções, estando nós constrangidos a importar de países estrangeiros não só os testes da Covid-19, como mesmo os países mais avançados têm feito, mas até mesmo produtos básicos tão simples como álcool-gel e máscaras hospitalares? Deixamos o questionamento no ar.

 

 

NOTAS

[1] https://www.cartacapital.com.br/saude/coronavirus-40-da-populacao-mundial-nao-tem-como-lavar-as-maos/

 [2] https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52004202

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