ILPS: "A luta pela saúde do povo em meio à pandemia do coronavírus"

20/03/2020

 

A Liga Internacional de Luta dos Povos (ILPS) chama todos os seus filiados a se ater à greve crise de saúde causada pelo coronavírus, COVID-19. Há até agora 167 mil casos em 150 países e territórios, com mais de 6 mil trágicas morte em 16 de março de 2020.

 

A pandemia expõe, assim, qual a real capacidade do capitalismo em servir ao povo.

 

As parcelas mais vulneráveis ao vírus são as massas trabalhadoras com baixos salários ou rendimentos, e com um acesso precário à saúde e instalações médicas. Sistemas nacionais de saúde, como aqueles na Europa, foram desmantelados ou privatizados sob um regime neoliberal, e isso agravou o crescimento da crise da saúde para as proporções atuais. Junto ao monopólio das grandes transnacionais farmacêuticas para o lucro privado, os sistemas de saúde privatizados escasseiam campanhas preventivas como testes, detecções, contenção e serviços de tratamento. A confiança pública nos sistemas de saúde presentes está decaindo rapidamente.

 

As autoridades em muitos países capitalistas têm buscado desesperadamente estimular suas economias falidas diante da crise econômica e do coronavírus por meio da injeção de bilhões de dólares nas economias de seus países, numa tentativa desesperada de evitar o desastre.

 

Evidentemente, a tarefa é ainda mais difícil para os Estados capitalistas por conta de suas imensas dívidas e déficits orçamentários, e por terem derrubado suas taxas de juros aos menores níveis na história, mas que ainda têm deixado suas economias em crise.

 

A pandemia e a crise econômica, estourando, conforme já reconhecido por todas, foram mal gerenciadas por conta das prostrações ideológicas do neoliberalismo nas autoridades capitalistas de muitos países, mas também por conta da “austeridade” do neoliberalismo que, por mais de quarenta anos, promoveu cortes nos serviços de saúde e em outros serviços para o povo, tão necessários para resolver a presente crise na saúde.

 

Ao passo que responsabilidades individuais como lavar as mãos e manter distância podem ajudar, elas são totalmente inadequadas para lidar com ameaças em larga escala. Muitos países, como os Estados Unidos, dependem muito dos sistemas de saúde secundário e terciário, e não principalmente na saúde preventiva. As Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde, por mais de dois meses desde o início da eclosão, chamaram pela atenção internacional ao problema, e estão agora engajadas em levantar recursos para o Fundo de Responsabilidade social. Com o sistema capitalista monopolista mundial em crise, os recursos são ainda mais restringidos. Os operários têm perdido seus empregos e sofrido com a destruição de suas condições de vida.

 

Desesperados para conter o vírus, alguns governos recorreram a confinamentos e à ação militar, ao invés de atenção médica. O confinamento de um mês imposto pelo governo filipino sob o governo do presidente Duterte é praticamente uma lei marcial. Acordos de trabalho flexíveis estão sendo impostos, protestos de massas e outros direitos civis estão sendo restringidos.

 

A ILPS reivindica que o povo trabalhador tenha garantidos renda e livre acesso a testes e tratamento. Os governos devem priorizar as comunidades vulneráveis, e aqueles que estão no poder devem ser considerados responsáveis pela crise na saúde. Mesmo que a distância seja uma forma de mitigar as epidemias, ela não deve ser utilizada para destruir a solidariedade social, a organização e ação políticas. O povo deve se unir e exercer sua ação coletiva pelo direito à saúde, garantir a saúde pública contra a ganância corporativa e as políticas imperialistas.

 

Somente a propriedade socialista do povo trabalhador sobre a produção e a riqueza, e apenas o controle comunitário sobre a saúde e outros serviços para o povo, por meio da remoção da produção e dos serviços para o lucro, podem resolver este e outros problemas criados pelo capitalismo.

 

17 de março de 2020

 

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