Últimas mortes perpetradas pelo Estado e o paramilitarismo na Colômbia

09/09/2019

 
O Estado antipopular e antidemocrático da Colômbia, encabeçado pelo governo de Iván Duque, segue levando a cabo suas medidas genocidas contra as massas populares no país, mesmo após aproximados três anos da assinatura do chamado “Acordos de Paz” de 2016, onde as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) baixaram as armas e capitularam diante do poder estatal reacionário, convertendo-se em agosto/setembro de 2017 na atual “Força Alternativa Revolucionária do Comum”. Não se pode ter ilusão acerca do papel do Estado numa formação social divida em classes sociais.  

O vitorioso revolucionário russo Vladimir Lenin, sem ilusões acerca da ordem dominante do capitalismo, já apontava que “[...] enquanto existir propriedade privada, o vosso Estado, ainda que seja uma república democrática, não é mais do que uma máquina nas mãos dos capitalistas para reprimir os operários” [1]. Em outras palavras, o Estado é uma máquina complexa de dominação de classe, do qual uma classe subjuga aos seus interesses todas as outras que compõe a formação social. Com sua medula espinhal, o braço armado, o Estado perseguirá, prenderá e executará todos aqueles que de alguma forma se levantam contra as classes socialmente dominantes, a fim de reproduzir a ordem social vigente.

No mais, seguem as informações sobre os últimos assassinatos com motivações políticas na Colômbia, que desde o dia 1 de setembro até o dia 7, somam o total de 9 mortos:

No dia 4 de setembro, quarta-feira, a Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) denunciou o assassinato de três lideranças indígenas, nos departamentos de Arauca e Cauca. No município de Suarez, em Cauca, duas lideranças Nasa executadas com armas de fogo. No caso do município de Tame, em Arauca, Magdalena Cucubana, liderança indígena do povo Makaguan, de 70 anos de idade, fora decapitada na madrugada do domingo dia primeiro de setembro. A ONIC também informou que desde a assinatura dos “Acordos de Paz” com as FARC-EP em 2016, foram executadas 167 lideranças indígenas, sendo 102 destes mortos durante a gestão do reacionário e atual presidente do país Ivan Duque [2], eleito em agosto de 2018. Sobre a questão da violência contra os povos indígenas, o congressista do Movimento Alternativa Indígena e Social (MAIS) Feliciano Valencia, “denunciou a presença de grupos armados ilegais nos territórios onde ocorrem tais crimes. Além disso, mencionou que outros problemas afetam estas comunidades originárias, entre eles o confinamento e o despejo forçado” [3].

Sexta-feira, dia 6 de setembro, durante uma operação militar do Exército da Colômbia, foi executado um jovem indígena chamado Omar Gusaquillo, que era da Guarda Indígena de vigilância noturna contra roubo de gado, na área rural de Jamundí, no Valle del Cauca. Outro indígena chamado Diego Alexis Vega foi ferido pelas forças reacionárias, mas sobreviveu. Ambos estavam desarmados durante a operação do Exército da Colômbia.

No dia 7 de setembro, último sábado, foram assassinados no município de Tibú, ao norte de Santander, dois ex-combatentes das FARC-EP. Os dois foram mortos a tiros por um elemento desconhecido em um hotel da cidade. Milton Urrutia Mora e José Milton Penã foram mortos na hora. No município de Quibdo, em Chocó, também fora morto a tiros o ex-combatente Jakson Mena. Segundo informações da Telesur, já são mais de 139 ex-combatentes das FARC-EP executados desde novembro de 2016 [4].

As mortes não cessaram naquele dia. Ainda no mesmo dia 7, foram executados o dirigente e presidente da Junta de Ação Comunal de Llórente, no departamento de Nariño, José Cortes, e no município de Toledo, departamento de Antioquia, o candidato à prefeitura pelo Centro Democrático Orley García Vásquez, que foi morto com 13 tiros por elementos que andavam à moto.

 

Tais fatos são demonstrações do que fazem com aqueles que se erguem e lutam, seja por uma revolução social ou pelos direitos democráticos do povo. Não podemos dar um pingo de confiança à ordem semicolonial dominante: quem persegue o povo, reprime e executa-o, não merece a confiança de quem se posiciona ao lado das massas trabalhadoras oprimidas. Eis a dura verdade.

 

9 de setembro de 2019


Escrito por Edson Fonseca Jr.

Notas
[1] Vladimir Lenin, em “Sobre o Estado – Conferência na Universidade Sverdlov”, em 11 de julho de 1919. Contido em V. I. Lenine - Obras Escolhidas, tomo III. Editora Alfa-Omega. São Paulo, 1980.
[2] https://www.telesurtv.net/news/indigenas-colombia-asesinados-acuerdo-paz-20190904-0009.html
[3] Idem.
[4] https://www.telesurtv.net/news/asesinato-excombatientes-farc-colombia-20190907-0010.html

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