"A libertação das mulheres é uma parte integrante da revolução proletária"

07/08/2019

 

O 8 de março é o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras. Este dia festivo comemora a gloriosa história da união na luta pela libertação por parte das mulheres trabalhadoras de todo o mundo. Essa luta é intimamente conectada com o avanço vitorioso da causa da libertação do proletariado do mundo.

 

Hoje, nessa alegre ocasião, centenas de milhões de mulheres trabalhadoras pela nossa vasta pátria socialista estão energicamente tomando parte na grande luta política para criticar Lin Biao e Confúcio, repudiando a ideologia das classes exploradoras incluindo a ideia de que “homens são superiores e mulheres são inferiores”. Na indústria, na agricultura e outros campos de empenho, as mulheres estão fazendo sua parte com suas contrapartes masculinas pela construção socialista do Estado. Elas estão dando tudo de si com suas atividades e vivendo seu papel como “a outra metade”. As mulheres na China desfrutam de status iguais com os homens em todas as esferas da vida – política, econômica, cultural, social e no lar.

 

As mulheres trabalhadoras sofriam penosamente na velha China. Não só eram exploradas e oprimidas pelo imperialismo estrangeiro, pelo governo reacionário, pelos latifundiários e capitalistas em casa assim como os homens, mas elas também sofriam com os 2000 anos de ideologia confuciana na qual “homens são superiores e mulheres são inferiores”. Não somente eram privadas do direito de tomar parte nas atividades políticas e sociais, elas também eram colocadas em uma posição inferior no lar.

 

Por muitos anos como um quadro preocupado com o trabalho das mulheres eu não estou só completamente consciente do enorme contraste entre o passado e o presente, também tenho profundo conhecimento da sua significância enquanto tomo parte na luta para mudar o status das mulheres.

 

O que faz tal mudança fundamental no status das mulheres chinesas na Nova China possível? Sinto profundamente que o motivo é porque nós mulheres chinesas, sob a liderança do Presidente Mao e do Partido Comunista, temos tomado parte junto com os homens nas longas lutas revolucionárias, estabelecemos a ditadura do proletariado e persistimos na continuação da revolução sob esta ditadura. Desde o aparecimento do proletariado no palco da história, o movimento de mulheres chinesas liderado pelo Partido Comunista tem, em cada estágio, sido integrado com o movimento de revolução social, desenvolveu-se com o avanço da revolução e se tornou uma parte integrante da revolução democrática e da revolução socialista liderada pelo nosso Partido.

 

Eu gradualmente compreendi a razão para tal depois de experienciar pessoalmente muitos atrasos no curso do trabalho e pelo estudo contínuo ligando teoria à prática.

 

Por que as mulheres eram oprimidas?

Eu comecei o trabalho conectado com as mulheres em 1937. A China então estava lutando uma guerra de resistência contra a agressão japonesa e minha função era organizar as mulheres no campo para se juntar ao movimento para resistir ao Japão e salvar o país. Eu era uma estudante que tinha acabado de entrar em contato com a revolução e sabia pouco sobre a teoria revolucionária. Eu sabia que a maioria das mulheres eram mulheres trabalhadoras e falar sobre a libertação das mulheres sem elas era só desilusão das classes exploradoras e conversa vazia dos intelectuais. Mas sobre como as amplas massas de mulheres trabalhadoras ganhariam sua libertação, eu não tinha uma ideia clara. Eu via a infelicidade de muitas mulheres e dúvidas enchiam minha mente angustiada. Por que as mulheres eram tão oprimidas? Por que mulheres e homens não eram iguais? Como as mulheres iriam alcançar a libertação? No início eu pensava que por serem maltratadas pelos homens e pelos sogros, para ganhar a igualdade, as mulheres tinham de ganhar seus devidos direitos dos homens e lutar pela liberdade no lar. Essa visão não era incomum entre algumas mulheres e quadros naquela época. Isto era tentar resolver o problema das mulheres no isolamento e se provou muito impraticável.

 

Engels apontou: “O primeiro antagonismo de classe que apareceu na história coincide como o desenvolvimento do antagonismo entre homem e mulher no casamento monogâmico, e com isso a primeira opressão de classe do sexo feminino pelo masculino.” As mulheres ocupavam uma posição altamente respeitada pelo período da sociedade primitiva até a ascensão das gentes patrilineares. A mudança no status social entre homens e mulheres tomou lugar gradualmente com a dissolução da sociedade primitiva e a emergência da propriedade privada e o aparecimento de classes. A opressão das mulheres trabalhadoras antes de tudo é uma opressão de classe e a desigualdade de sexos acompanha a desigualdade de classe.

 

Uma vez que a opressão das mulheres tem suas raízes sociais na propriedade privada e exploração de classe, uma mudança completa no status desigual das mulheres trabalhadoras só pode ser atingida pela revolução, através da eliminação da propriedade privada e da exploração de classes. Precisamente por conta disso a grandiosa tarefa para a libertação completa das mulheres recai sobre os ombros do proletariado cuja missão histórica é eliminar a propriedade privada e a exploração de classe. Por isso, a libertação das mulheres não pode deixar de ser parte integrante da revolução proletária. Uma vez que o movimento pelos direitos das mulheres da burguesia busca “a igualdade dos sexos” na forma, e não leva em conta as classes e a luta de classes e está divorciado do movimento revolucionário social, elas só podem desviar o movimento de libertação das mulheres.

 

Ao apontar o único caminho correto para a revolução chinesa, o grande líder do povo chinês, o Presidente Mao, também apontou o único caminho correto para que as mulheres chinesas ganhassem a libertação completa. Em 1927, o Presidente Mao disse em seu trabalho Relatório Sobre uma Investigação a Respeito do Movimento Camponês em Hunan que um homem na China normalmente é sujeitado à dominação de três sistemas de autoridade – político, de clã e religioso – enquanto que uma mulher, além de ser dominada por esses três sistemas de autoridade, também é dominada pelo homem (autoridade do marido). “A autoridade política dos latifundiários é a espinha de todos os outros sistemas de autoridade. Com ela derrubada, toda a autoridade do clã, a autoridade religiosa e a autoridade do marido começa a oscilar.” “Bem como o sistema de clãs, a superstição, e a desigualdade entre homem e mulher, sua abolição seguirá como uma consequência natural da vitória nas lutas política e econômica.” Esta é uma profunda exposição da relação entre a libertação da mulher chinesa e da luta revolucionária popular. Só ao derrubar o domínio do regime reacionário a posição das mulheres vai ser mudada fundamentalmente.

 

Só a Revolução Irá Trazer a Libertação

Para que as amplas massas de mulheres ganharem a libertação elas devem tomar parte na revolução social. Para que a revolução liderada pelo proletariado ganhe a vitória ela deve ter a participação das amplas massas de mulheres. Marx disse: “Qualquer um que saiba alguma coisa de história sabe que grandes mudanças sociais são impossíveis sem a agitação feminina.” E Lenin disse: “Não pode haver revolução socialista a não ser que muitas mulheres trabalhadoras tomem uma grande parte nela.” O Presidente Mao disse: “As mulheres compreendem metade da população. O status econômico das mulheres trabalhadoras e o fato delas serem especialmente oprimidas prova não só que as mulheres precisam urgentemente da revolução mas também que elas são uma força decisiva no sucesso ou na falha da revolução.”

 

Durante os diversos períodos históricos da revolução chinesa, nosso Partido sempre esteve prestando atenção para que as amplas massas de mulheres participassem dela. Por exemplo, em 1934-35 grandes números de mulheres avançadas estavam nas 25.000 - li da mundialmente famosa Longa Marcha do Exército Vermelho Chinês. Elas eram firmes e corajosas como os camaradas homens, cruzando montanhas cobertas de neve e campinas desoladas, superando dificuldades inimagináveis para vitoriosamente alcançar seu destino. Hoje, muitas delas são excepcionais quadros do Partido.

 

Durante a Guerra de Resistência Contra o Japão (1937-45), eu trabalhei em diversas áreas base atrás das linhas inimigas ao sul na província de Hopei. Eu me lembro vividamente como se fosse ontem como as mulheres participaram entusiasticamente no esforço de guerra, incitando maridos e filhos à se juntar ao exército e confeccionaram calçados para o exército popular, serviram como maqueiras, cuidaram dos doentes e feridos e agiram como mensageiras. Algumas mulheres pegaram em armas e lutaram em batalhas.

 

Na reforma agrária e no movimento de apoio ao front de luta durante a Guerra de Libertação (1946-49), as mulheres participaram ativamente e cumpriram um tremendo papel. Muitas heroínas surgiram na história da revolução chinesa e seus atos heroicos ainda são celebrados e cantados pelo povo.

 

Enquanto a luta revolucionária se desenvolvia vitoriosamente, a causa da libertação das mulheres também teve muitas vitórias. O status das mulheres melhoraram passo à passo. Eu lembro da primeira eleição de representantes do povo na região fronteiriça Shansi-Chahar-Hopei em 1940. Oitenta e cinco porcento das cidadãs mulheres votaram e vinte porcento dos representantes nos níveis regional, de condado e de vila eram mulheres. Um crescente número de mulheres ocuparam posições de liderança. Para alguém preocupada e engajada no trabalho com mulheres, essa grande mudança no seu status foi encorajador.

 

Mudança Fundamental no Status das Mulheres

Precisamente porque centenas de milhões de mulheres chinesas participaram ativamente nas lutas revolucionárias junto do resto do povo, o domínio sombrio do imperialismo, feudalismo e do capitalismo burocrático foi derrubado em 1949 e o povo chinês foi libertado. A libertação das amplas massas de mulheres assim entrou em um novo estágio.

 

Com a fundação da República Popular da China, o povo operário se tornou o mestre do país. O Partido e o Governo elaboraram uma constituição, leis e toda uma série de políticas para garantir o direito das mulheres desfrutarem igualdade com os homens politicamente, economicamente, culturalmente, socialmente e no lar. A Lei do Casamento promulgada em 1950 desfez completamente o sistema feudal arbitrário e compulsório, proibiu a extração de dinheiro ou dotes em conexão com o casamento e introduziu a liberdade de casamento para tanto os homens quanto para as mulheres. As Regulações de Segurança do Trabalho promulgadas em 1951 continham previsões especiais para salvaguardar os interesses das mulheres e crianças.

 

Mas a revolução não parou por aí. Quando a República Popular foi fundada em 1949, o Presidente Mao convocou as mulheres de todo o país: “Unir e participar da produção, e da atividade política para melhorar o status político e econômico das mulheres.” Em 1955, o Presidente Mao apontou que a verdadeira igualdade entre homens e mulheres poderia ser realizada somente no curso da transformação socialista de toda a sociedade.

 

Sob a orientação da linha revolucionária do Presidente Mao, as mulheres na China participaram ativamente nos últimos 20 anos nas reformas democráticas e na revolução socialista. Em particular, desde o início da Grande Revolução Cultural Proletária, as mulheres juntas do resto do povo da China se lançaram na batalha para esmagar os dois quartéis generais da burguesia encabeçados por Liu Shaoqi e Lin Piao.

 

Nas lutas elas estudaram diligentemente o Marxismo-Leninismo-Pensamento Mao Tsé-tung e suas consciências na luta de classe e na luta de duas linhas foi grandemente elevada. Elas prestaram atenção nos assuntos do Estado e do mundo e focaram suas mentes em como melhor servir ao povo. Elas ligaram seu trabalho na construção do socialismo, apoiando a revolução mundial e a libertação das mulheres de todo o mundo e na causa da libertação de toda a humanidade. Um grande número de mulheres excepcionais foram admitidas no Partido Comunista e mulheres delegadas compõem vinte porcento dos delegados do Décimo Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês em 1973. Doze porcento dos Membros e Membros Alternativos do Comitê Central do Partido são mulheres.

 

O rápido desenvolvimento da economia e da cultura socialista forneceu uma ampla gama de oportunidades para mulheres participarem no trabalho produtivo social. Todo ano, grandes números delas se juntam às fileiras de operárias. Nas cidades muitas mulheres romperam os limites restritos da família para estabelecer e dirigir todo o tipo de fábrica e criar riqueza para a sociedade e, ao mesmo tempo, melhorar seu status econômico.

 

No campo as amplas massas de mulheres, incluindo dezenas de milhares de jovens mulheres educadas que foram para o campo se instalar após completar seus estudos, estão trabalhando tenazmente para transformar a natureza e construir um novo campo socialista. Um grande contingente de “doutoras de pés descalços” apareceu no campo nos últimos anos. Elas são uma força substancial na melhora das muito atrasadas condições médicas e de saúde nas áreas rurais. Na educação, nas artes e na ciência e outras áreas, grandes números de mulheres estão trabalhando diligentemente pelo socialismo. Isso tudo também descreve bem o fato de que os tempos mudaram e hoje homens e mulheres são iguais. Qualquer coisa que os camaradas homens podem conseguir as camaradas mulheres também podem.

 

Por toda China cantinas públicas, creches e jardins de infância, e outras unidades de cuidado de crianças e mães estão crescendo em número. O planejamento familiar é defendido e o trabalho doméstico é dividido entre maridos e esposas. Tudo isso garante a saúde das mulheres e ao mesmo tempo as livra do fardo das tarefas domésticas, permitindo que elas tenham mais oportunidades para participar nas atividades políticas e no trabalho produtivo.

 

Deve-se fazer menção especial ao grande número de excepcionais jovens mulheres operárias e camponesas que têm sido promovidas à posições de liderança desde a libertação e, em particular, desde o início da Grande Revolução Cultural. As mulheres hoje ocupam cargos de liderança que vão desde os mais altos órgãos do Partido e do governo bem como do Congresso Nacional Popular até os vários órgãos locais, fábricas e comunas populares. Operárias têxteis comuns têm se tornado líderes do Partido e do Estado e ex-servas no Tibete são agora quadros de liderança respeitados por todos. Elas mantém laços próximos com as massas e as servem diligentemente, cumprindo um papel cada vez mais grandioso. A emergência de grandes números de quadros mulheres é uma indicação importante da libertação das mulheres chinesas.

 

Ao lembrarmos da história de luta do movimento de mulheres chinesas, este pode ser visto claramente como uma parte integrante da revolução de nova democracia e da revolução socialista liderada pelo proletariado. Todo avanço na revolução trazido pelo movimento de libertação das mulheres é um passo adiante.

 

A velha opressão e escravidão das mulheres chinesas foi embora para sempre. O estabelecimento do sistema socialista tem aberto perspectivas ilimitadas para sua completa libertação. No entanto, as forças reacionárias esquematizando para girar para trás a roda da história ainda existem. Devemos esmagar seus planos de retrocesso e restauração da velha ordem. Remanescentes do velho conceito de que “homens são superiores e mulheres são inferiores” e velhos hábitos e costumes restantes da velha sociedade ainda devem ser completamente eliminados. O atual movimento revolucionário nacional para criticar Lin Biao e Confúcio inevitavelmente se tornará uma tremenda força impulsionando as mulheres da China para completar sua libertação.

                                                                        

 

Escrito por Hsu Kwang, vice-diretora da Federação de Mulheres de Pequim

 

Peking Review #10, 8 de março de 1974

 

Traduzido por Henrique Monteiro

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