Lenin: "A luta de partidos na China"

26/06/2019

 

O povo chinês obteve êxito em derrubar o antigo sistema medieval e o governo que o apoiava. Uma republica foi estabelecida na China, e o primeiro parlamento deste grande país asiático, o qual alegrava o coração dos reacionários de todas as nações por sua imobilidade e estagnação – o primeiro parlamento chinês foi eleito, convocado e tem se reunido por várias semanas.

 

Na câmara inferior do parlamento chinês, um pequena parcela pertence aos apoiadores de Sun Yat-sen, do Kuomintang, dos nacionalistas – para expressar a essência do partido no contexto das condições russas, ele deveria ser chamado de Partido Republicano Narodnik-radical; Partido da Democracia. Na câmara superior há uma considerável maioria.

 

O partido sofre com a oposição de partidos moderados ou conservadores, com todos os tipos de nomes como “Radicais”, e assim por diante. Na verdade, todas estes partidos são partidos de reacionários, especificamente de burocratas, proprietários de terras e burgueses. Todos eles flertam com o cadete chinês Yuan Shikai, o presidente provisório da República, que vem agindo cadê vez mais como um ditador. Como um cadete, ele vem mudando de posições: ontem ele era um monarquista; agora que a democracia revolucionária ganhou, ele é um republicano; amanhã ele pretende ser o líder do Estado, de novo um Estado monarquista, isto é, trair a república.

 

O partido de Sun Yat-sen é sediado no sul da china, que é a área mais desenvolvida, e mais avançada industrial e comercialmente, e onde a influência da Europa é mais forte.

 

Os partidos de Yuan Shikai estão sediados no norte da China.

 

Os primeiros confrontos terminaram com a vitória de Yuan Shikai, que uniu todo os partidos moderados (i.e., reacionários), dividiu a sessão dos nacionalistas, colocou um aliado seu para preencher o posto de presidente da câmara inferior do parlamento, e contrário às vontades do deste, obteve um empréstimo da “Europa’’, i.e., Bilionários Europeus. Os termos do empréstimo são pesados, francamente usurados, com o “salt gabelle” como segurança. O empréstimo colocará a China em penhor com a burguesia mais reacionária da Europa, que é preparada para acabar com a liberdade de qualquer nação, uma vez que os lucros estão envolvidos. Os capitalistas europeus vão conseguir grandes lucros nesse empréstimo, de quase 250 milhões de rublos.

 

Para o partido de Sun Yat-sen, a luta contra essa aliança é dificílima.

 

Qual é a fraqueza deste partido? A fraqueza está no fato de ele não foi capaz de envolver de maneira abrangente as massas do povo chinês na revolução. O proletariado na China ainda é muito fraco. Não há, entretanto, uma classe resoluta e consciente, capaz de levar a cabo uma revolução democrática até o fim. Os camponeses, que não possuem um líder do proletariado, é terrivelmente oprimido, ignorante e indiferente para a política. Apesar da derrubada revolucionária da velha e corrupta monarquia, apesar da vitória da República, a China não possui voto universal!  Só podia votar para o parlamento quem tivesse a seguinte qualificação: possuir uma propriedade que tivesse o valor de cerca de 500 rublos! Isso também mostra o quão pequena é a participação da grande massa popular na República da China. Mas sem tal apoio, sem uma classe firme e organizada para liderar, a República não será estável.

 

Ainda, apesar das grandes deficiências do líder Sun Yat-sen (instabilidade e indecisão, que é devido ao fato de não ter apoio suficiente do proletariado), a democracia revolucionária fez um grande trabalho em despertar a população para garantir a liberdade e instituições democráticas consistentes. Por trazer as grandes massas camponesas para o movimento, e para a política, o partido de Sun Yat-sen (para a amplitude na qual este processo está acontecendo) está se tornando símbolo de progresso para a Ásia e para a humanidade. Independente das derrotas que este partido sofrer, seja dos ditadores, da polícia ou dos aventureiros, seu esforço não terá sido em vão.

 

 

Publicado no Pravda nº 100, em 3 de maio de 1913.

 

Escrito por V. I. Lenin

 

Traduzido por Mateus Braga

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