"Reflexões sobre a Praça Tiananmen e a tentativa de acabar com o socialismo chinês"

14/06/2019

 

O dia 4 de Junho marca o 30º aniversário do tumulto antissocialista de 1989 na Praça Tiananmen, em Pequim, e os movimentos decisivos do governo da República Popular da China para enfrentar a contrarrevolução. O Departamento de Estado dos EUA, a mídia corporativa (e algumas pessoas irrefletidas que papagueiam suas mentiras) falarão sobre o “massacre” que nunca aconteceu, e usarão a oportunidade para dar alguma vida ao tigre de papel anticomunista que tem perdido seu poder de compelir ou convencer.

 

Revisando os eventos de 1989 – e isso pode ser estranho, ou até mesmo bizarro – muitos esquerdistas da época ficaram confusos com os eventos daquele ano na China, e alguns até tomaram o lado do tumulto. Não era raro ouvir coisas como “o movimento estudantil pró-capitalista estava liderando um esforço para ‘aprimorar o socialismo’”. Havia uma tendência de uma parte dos comunistas e progressistas ocidentais de imaginar um movimento que tinha como objetivo a criação de um sistema econômico-político que fosse semelhante ao dos EUA, e de alguma forma democrático e socialista.

 

É muito difícil para qualquer pessoa que se importa com fatos defender essa posição agora. Após a repressão à contrarrevolução, sem surpresa alguma, muitos de seus líderes fugiram para o Ocidente, onde escreveram livros e fizeram entrevistas para a imprensa, sem tentar esconder as verdades sobre seu movimento. Eles se orgulhavam de seus objetivos finais: uma economia de mercado e uma “democracia” de estilo ocidental. Eles não falavam sobre socialismo reformado e aprimorado, mas falavam com orgulho de acenar a bandeira vermelha em oposição à bandeira vermelha, de cantar o hino comunista – A Internacional – enquanto se opunham ao socialismo. Nada disso é um segredo. Qualquer um com um cartão de biblioteca pode encontrar essas coisas.

 

Embora seja correto dizer que esse movimento estudantil reacionário e privilegiado tinha algumas armadilhas vermelhas, ele tinha muitas que eram, acima de tudo, uma quase réplica do Estatuto da Liberdade da cidade de Nova York, apelidado de “Deusa da Democracia”. Os organizadores do tumulto fizeram a estátua enfrentar o grande retrato de Mao Zedong – em suas palavras, “confrontá-lo”.

 

Como na Europa Oriental e na União Soviética, o tumulto na China se originou de várias fontes. Os países socialistas não eram e não são utopias. A luta de classes continua a existir. As economias precisam ser desenvolvidas. Os comunistas não são perfeitos. De tempos em tempos eles cometem erros, e há reacionários domésticos com seus apoiadores estrangeiros que tentam tirar vantagem disso.

 

Na China Popular, como a antiga URSS e outros países socialistas, uma parte considerável de lideranças dos partidos comunistas que se sentaram nas altas posições de poder tornaram-se revisionistas, eles mudaram o marxismo de tal forma que deixa de ser revolucionário ou socialista, e cansando-se disso, todos eles abandonaram o marxismo.

 

Ao primeiro sinal da direita, movimentos reacionários nas ruas, alguns antigos comunistas na China e da Europa Oriental os encorajaram e uniram-se a eles com toda velocidade que puderam alcançar.

 

A razão pela qual o movimento estudantil reacionário da China foi tão perigoso para o socialismo não foi porque ele foi muito inteligente, alavancando assim um apoio social mais amplo. Foi uma ameaça por causa dos principais líderes do Partido Comunista – notavelmente o Secretário Geral Zhao Ziyang. É isso que, precisamente, levou à luta em Pequim e em outras cidades chinesas. Em jogo estava uma questão básica – quem ia conduzir a China?

 

Um lado é que, como os líderes do movimento estudantil reacionário, o chefe do partido Zhao Ziyang continuou a escrever um livro que foi publicado no Ocidente. Nele, ele declara abruptamente seu apoio à direita chinesa, advogando por um sistema político-econômico ao estilo ocidental e um fim para o papel de liderança do Partido Comunista.

 

Um dos mitos duradouros espalhados no Ocidente é o dos estudantes pacíficos reprimidos à força. Antes dos eventos de 4 de junho, os manifestantes da direita obtiveram algumas armas. Na medida que os acontecimentos de Pequim e de outras cidades começaram a sair do controle, a restrição relativamente excessiva das tropas foi seguida por combates generalizados que produziram baixas em ambos os lados. Nenhuma evidência convincente jamais foi apresentada de que algo como um massacre ocorreu na Praça Tiananmen e, após 30 anos de não-comprovação, pode-se ser dito com certeza, isso simplesmente não aconteceu.

 

Escrevendo sobre esses acontecimentos há 30 anos, declarei: “A questão da China é uma questão importante. A libertação de mais de 1/5 da humanidade do imperialismo dos EUA em 1949 permanece como a mais significativa vitória popular no período pós-Segunda Guerra Mundial. Uma compreensão da natureza da China é fundamental para qualquer análise da situação internacional e das perspectivas de guerra e paz. Finalmente, a forma como vemos os acontecimentos na China afetará a forma como vemos nossas tarefas neste país. Pode-se dizer que a China coloca a questão: ‘Nós seremos revolucionários?’ – comprometidos com a destruição da ordem existente e com o estabelecimento do governo popular – ‘ou nós seremos social-democratas?’ – cúmplices no anticomunismo dos nossos inimigos?” Isso ainda é verdade hoje.

 

 

04 de junho de 2019

 

Escrito por Mick Kelly

 

Do fightbacknews.org

 

Nota dos editores: nem todas as posições expressas neste texto condizem necessariamente e/ou integralmente com a linha política de nosso site ou da União Reconstrução Comunista.

 

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