"Sobre a 'A Filosofia da Vida' de Oswald Spengler"

30/04/2019

 

No desenvolvimento das técnicas contemporâneas são refletidas as mais profundas contradições de classe da época do imperialismo e da revolução proletária. A história mundial tem conhecido muitos exemplos de retrocesso, de declínio dos velhos e gastos sistemas econômicos e culturas. Tem conhecido também muitos exemplos de nascentes e prósperos novos sistemas econômicos e novas relações de produção. Mas não conheceu exemplos tão notáveis de declínio do velho e ascensão do novo como estamos testemunhando hoje.

 

Eletrificação em justaposição com o “plano picareta e pá.” Magnitogorsk e Kuznetsk em justaposição com alto-fornos fechados e se fechando na indústria capitalista. A grandiosa ascensão das forças produtivas na União Soviética e o eterno aprofundamento da crise nos países capitalistas. De fato, a boa e velha história nunca teceu um pano de contrastes tão coloridos.

 

O desenvolvimento das técnicas contemporâneas é um aparato de medição sensível indicando a pressão da Revolução na caldeira a vapor da luta de classes. Muitos confundem o aparato de medição com a caldeira a vapor, como os tolos que confundem o barômetro com a tempestade.

 

As técnicas hoje em dia se tornaram um dos mais importantes índices da Revolução. Todo fenômeno novo da decadência técnica nos países capitalistas e toda nova perfeição técnica na União Soviética são vitórias significantes para a Revolução Proletária. Por esta razão nós prosseguimos com a mais severa atenção à cruzada anti-técnica que está se espalhando em todos os países capitalistas junto com o desenvolvimento da crise econômica mundial.

 

A expressão mais significante contra o progresso técnico é o livro de Oswald Spengler, O Homem e a Técnica. Spengler não é o único que se opõe à máquina. Uma galáxia inteira de escritores e cientistas burgueses ultimamente têm emergido articulando a consciência antitécnica das massas pequeno burguesas e da nobreza capitalista, ideólogos de “combate-à-máquina.” Nos Estados Unidos, Stuart Chase aproveita a popularidade de Spengler, apesar do tratamento deste tão complexo tema para as mentes burguesas e seus ideólogos é reconhecidamente trabalhado com uma habilidade bem maior por Spengler. Spengler é um “filósofo.” Ele sintetiza fatos – à seu proprio modo é claro. Seu livro traz o subtítulo, Uma Contribuição para a Filosofia da Vida. Por efeito, não é nada além da filosofia da morte do capitalismo – o que faz o livro de Spengler ser extremamente valioso. É um daqueles documentos preciosos da era a qual dizem que se não existisse teria de ser inventada.

 

A filosofia de Spengler não é complicada. No capítulo, Herbívoros e Aves de Rapina, Spengler expõe sua Weltanschauung [1] a seguir: “O homem é uma fera de rapina. Pensadores perspicazes, como Montaigne e Nietzche, sempre souberam disso. ... Esperteza no sentido humano, esperteza perspicaz, pertence apenas às feras de rapina. Os herbívoros são por comparação estúpidos.”

 

Nos dias de Wilhelm II, Tenente Prussiano e “Almirante do Atlântico”, as classes dominantes da Alemanha eram alimentadas por esta “sabedoria” Nietzschiana. O imperialismo alemão pré-guerra, com a sombra de Sedan, com um grande programa naval e os exercícios militares prussianos, com uma indústria crescente de metalurgia, carvão, química e eletrotécnica, foi verdadeiramente longe de ser anêmica. A teoria do “Super Homem”, a teoria do homem como uma fera de rapina correndo atrás da canhoneira “Pantera” ou atrás das forças expedicionárias para a China, estava aumentando a fama do império do Kaiser. Mas louvar a teoria do super homem hoje, a teoria do direito do forte de roubar, quando a burguesia alemã está estirada de baixo da mesa da sala de conferência da Liga das Nações, é, para dizer o mínimo, um absurdo do ponto de vista das suas próprias classes dominantes.

 

Como, então, pode se explicar o Nietzcheanismo de Spengler? Primeiro, pela constante agudização da luta de classes na Alemanha e a procura da burguesia por “mãos fortes” dos fascistas para suprimir o crescente movimento revolucionário do proletariado. Segundo, Spengler precisa do “Super Homem” para racionalizar sobre a destruição de sua classe. Aparentemente a atmosfera do trabalho coletivo e da tecnologia é sufocante para a alma aristocrática da fera de rapina. O “Super Homem” já não aguenta mais o cheiro de óleo hidráulico. Stuart Chase reclama amargamente que a máquina, que o homem concebeu e cuidou com tanto carinho, se espalhou e multiplicou de acordo com suas próprias leis, e que a criatura humana de repente despertou para se encontrar “cercado e dominado por uma nova raça de feras selvagens e perigosas.” Chase coloca isso sem rodeios. Com Spengler a mesma ideia é envolvida com um bordado filosófico sobre o “Super Homem” e analogias históricas duvidosas a respeito da destruição de Roma e antigas culturas.

 

“O objetivo da humanidade”, escreve Spengler, “é libertar todo o indivíduo de uma grande parte do trabalho que pode ser feito pela máquina. Mas a liberdade dos ‘escravos assalariados’ da ‘pobreza’, igualdade em conforto e luxo, igualdade no ‘gozo da arte’, é um grito por ‘Pão e Circo.’”

 

Da pele do super homem sai o típico capitalista furioso. Os ideólogos da classe do ócio, dos rentistas hedonistas, e da nobreza capitalista, não podem nem ao menos permitir a ideia de que os “escravos assalariados” devem usar máquinas para fazer seu trabalho, para que eles vivam confortavelmente e aproveitem os refinamentos da arte. Isso tem muito gosto de Revolução e ditadura do proletariado. Por isso Spengler proclama o declínio do ocidente, o declínio da civilização. Se Roma pereceu junto com seus escravos, a Europa, também, perecerá com suas técnicas e “escravos assalariados.” Somente as classes dominantes, aparentemente, tem direito à vida e ao gozo da arte. Sem elas a vida e a civilização devem perecer.

 

As classes dominantes têm muito ciúme da sua vida e cultura. Elas imitam as tribos anciãs cujo o costume era de enterrar o chefe com seu cavalo e esposa.

 

“O último instrumento, o violino de Stradivarius, perecerá no fim das contas. Todo o mundo encantado de nossas sonatas, trios, sinfonias, arias será esquecido.”

 

Há não muito tempo, durante uma sessão plenária da Comissão Executiva da Juventude Comunista em Kharkov, quando a questão das exigências culturais maiores dos trabalhadores foi trazida à discussão, os líderes trovejaram suas demandas da plataforma: “Música de Chopin no clube dos trabalhadores!” “Os trabalhadores jovens e velhos hoje em dia estão interessados na música de Liszt, Beethoven e Chopin.”

 

Hoje, quando os Spenglers estão prontos para enterrar a cultura humana, o mestre de nosso grandioso país, o antigo “escravo assalariado” que já está fazendo a máquina trabalhar para si e que o próprio só trabalha 7 horas por dia, aprecia a música de Chopin, Liszt e Beethoven.

A Nona Sinfonia finalmente encontrou uma audiência merecedora. Seu timbre completo, no entanto, será ouvido somente quando todos os exploradores forem varridos da face da terra. O violino de Stradivarius não perecerá.

 

“Na realidade, no entanto, está fora do poder, quer das cabeças, quer das mãos, alterar de alguma forma o destino da máquina-técnica, pois isso se desenvolveu a partir de necessidades espirituais internas e agora está correspondentemente amadurecendo para seu cumprimento e fim. Hoje nós estamos no ápice, no ponto quando o quinto ato está começando. As últimas decisões estão acontecendo, a tragédia está se fechando.”

 

Ainda assim houve um tempo, no início do capitalismo, quando a burguesia pensava que iria sentar-se na espinha da história para sempre. Então a burguesia estava a frente da revolução industrial e usava técnicas para fortalecer sua dominação de classe. Mais que isso, rotulava todos os oponentes do uso capitalista das máquinas como inimigos do progresso técnico e social.

 

Spengler, o ingrato descendente, lamenta as conquistas de seus ancestrais. “O senhor do mundo está se tornando escravo da máquina. ... O vencedor, caído, é arrastado para a morte pelo time. ... O pensamento Faustiano começa a ficar enjoado das máquinas.”

 

De acordo com Spengler, o espírito Faustiano representa uma época inteira em que na sua opinião é o hoje no seu declínio. Mas o que Spengler apresenta é uma bagunça de fatos históricos desordenados que começa com “A dinâmica Galiléia, a dogmática Católica e Protestante, as grandes dinastias do Barroco, o destino de Lear, a Madonna-ideal” e termina com “a última linhagem de Fausto II.”

No fim de Fausto II, Goethe levanta as extremidades da cortina da história para revelar o sonho do capitalismo em botão. O Fausto de Goethe finalmente se encontra em um empreendimento técnico gigantesco, na construção de uma represa. Antes de sua morte, já cego, Fausto comunica à Mefistófeles com a emoção de exultação em sua voz.

 

“Como eu regojizo, ao ouvir o tinir das pás!

É a multidão, por mim em serviço labutando

Até que a terra seja reconciliada com o trabalho

Até as orgulhosas ondas se acalmarem

E o mar cingido com uma zona rápida.”

 

Fausto regojizou ao ouvir o tinir das pás (não haviam escavadoras na época de Goethe!), enquanto o odor de óleo hidráulico leva Spengler à loucura, e ele profetiza que as técnicas vão perecer com a alma Faustiana.

 

Confrontado com o perigo de uma revolução iminente na Europa ocidental, Spengler profetiza o fim das técnicas das máquinas. Ele identifica o fim de sua classe com o fim da cultura humana. Os confrades de sua classe, os Ramsins, estavam destruindo máquinas no país da ditadura do proletariado. A burguesia não quer deixar legado algum para o proletariado. Empurrada do palco da história, quer levá-lo com “sua” propriedade. O capitalismo sempre foi ganancioso. O espírito de Shylock o seguiu até sua tumba. No Estado proletário os Ramsins se tornaram destruidores de máquinas e sabotadores. Quando a revolução está zarpando os Spanglers pregam o declínio das técnicas e criam uma atitude hostil para com o progresso técnico. Derrotismo na arte e na ciência da engenharia, o Spanglerismo e o movimento antimáquina são todas variantes da reação capitalista e intolerância de classe.

 

A curva histórica do capitalismo completou seu ciclo – dos líderes da revolução industrial, a represa Faustiana, decaindo até Spengler e Ramsin. Nesse ponto uma nova linha a corta, a linha da revolução proletária. Essa linha se move numa direção oposta. Quando Fausto estava construindo sua represa os primeiros proletários estavam quebrando e destruindo as máquinas dos mestres capitalistas. O começo da revolução industrial foi acompanhada por um movimento militante de destruidores de máquinas, os Ludistas. O começo da reconstrução socialista na União Soviética foi acompanhada por uma onda de sabotagens pelos engenheiros burgueses. Enquanto Goethe estava escrevendo a segunda parte de Fausto, Byron escreveu sua “Canção para os Ludistas.”

 

Enquanto a Liberdade repousa sobre o mar

Compraram sua liberdade, e barata, com sangue,

Então nós, meninos, nós

Morreremos lutando, ou vivemos livres.

E abaixo com todos os reis menos o Rei Ludd!

Quando a teia que tecemos estiver completa,

E o transporte trocado pela espada,

Nós arremessaremos a mortalha

Sobre o déspota aos nossos pés

E tingí-lo-emos profundamente nos coágulos que ele derramou.

 

Embora negro como seu coração sua matiz,

Desde que suas veias estão corrompidas pela lama,

Ainda assim este é o orvalho

Que a árvore renovará

Da Liberdade, plantada por Ludd!

 

Os operários Ludistas ainda não podiam distinguir entre o uso capitalista das máquinas e o socialista, nem vagamente entender as leis gerais do desenvolvimento histórico. A classe operária logo aprendeu a origem de classe das técnicas e o uso de classe das máquinas. O movimento revolucionário do proletariado direcionou seus ataques contra o uso capitalista das máquinas e não contra as próprias máquinas.

 

Quando a Revolução Proletária foi realizada e os operários se tornaram os mestres da máquina, o sonho dos Luditas, (“quando a teia que tecemos estiver completa”) foi realizado, sob uma nova base social. Os descendentes dos Luditas nos dias de hoje são os udarniks[2] da construção socialista. O balancete da história revela o curso do desenvolvimento de duas classes: dos Luditas aos brigadistas de choque; de Fausto e os líderes da revolução industrial até Spengler e Ramsin, os sabotadores.

 

O livrinho de Spengler revela a extensão que a desintegração do capitalismo atingiu a consciência dos seus ideólogos.

 

“A mecanização do mundo entrou numa fase de perigoso excesso de tensão... A máquina está começando a contradizer até mesmo a prática econômica de várias maneiras (até que enfim! G. V.) A máquina, por sua multiplicação e seu refinamento, está por fim derrotando seu próprio propósito. Em grandes cidades o automóvel por seus próprios números já destruiu seu próprio valor, e se anda mais rápido a pé. Na Argentina, Java, e seja qual for o lugar o simples arado a cavalo dos pequenos cultivadores se mostra economicamente superior aos grandes implementos motorizados, e está deixando o último para trás... os fortes e criativos talentos estão se voltando contra os problemas práticos e as ciências em favor da especulação pura... A tensão entre o trabalho de liderança e o trabalho de execução chegou ao nível de catástrofe... Começa o motim das Mãos contra seu destino, contra tudo e contra todos. A organização do trabalho, como existiu por milhares de anos, baseada na ideia do ‘fazer coletivo’ e a consequente divisão do trabalho entre líderes e liderados, cabeças e mãos, está sendo desintegrada de baixo para cima.... Ao fechar do último século, a cega vontade-de-poder começou a cometer seus erros decisivos. Ao invés de manter estritamente para si o conhecimento técnico que constituía sua maior posse, as pessoas ‘brancas’ complacentemente ofereceram-no para todo o mundo, em todo Hochschule[3], verbalmente e no papel.... E então, no lugar de exportar exclusivamente produtos finalizados, eles começaram uma exportação de segredos, processos, métodos, engenheiros e organizadores.”

 

Um notável talentoso conjuro de loucura! O penúltimo retrato da morte foi de fato escrito com uma excelente destreza.

 

A revolução quebra a espinha do capitalismo com todas as suas superestruturas. Não somente as técnicas capitalistas, mas também a organização do trabalho capitalista entrou num beco sem saída. O capitalismo transformou o operário e o intelectual técnico numa mera junta da máquina e a própria máquina num apêndice do livro de cheques. Mas quando os operários começam a se rebelar, Spengler propõe a destruição das máquinas e o retorno à natureza e à diversão para que talvez assim seja mais fácil morrer.

 

A Revolução Proletária está não apenas agrupando a técnica, mas criando sua própria organização do trabalho socialista, isto é, brigadas, de competição socialista, brigadas avançando com contra planos, brigadas de contabilidade econômica, etc. Milhões de trabalhadores participam ativamente e conscientemente na construção econômica. A atividade político-econômica das massas não é menos importante para o desenvolvimento econômico do que a eletricidade. Até hoje, no período de transição do capitalismo para o socialismo completo, não há mais nenhuma diferença gritante entre aqueles que dirigem e aqueles que trabalham, como existe nos países capitalistas. Nós estamos construindo Socialismo, no qual a distinção entre trabalho mental e físico será obliterada.

 

Para se imaginar e entender o futuro do socialismo humano, é necessário subir aos mais altos picos da revolução proletária. Os Spenglers, íngremes no seu fanatismo de classe, não podem compreender a magnitude desta grandiosa época histórica.

 

“Não há nenhuma questão de retiro prudente ou renúncia sábia. Só os sonhadores acreditam que existe um jeito. Otimismo é covardia. Nós nascemos neste tempo e devemos seguir bravamente o caminho para o fim destinado. Não há outra maneira. Nosso dever é agarrar ao posto perdido, sem esperança, sem resgate, como aquele soldado Romano cujo os ossos foram encontrados na frente de uma porta em Pompéia, o qual, durante a erupção do Vesúvio, morreu no seu posto porque eles esqueceram de substituí-lo. Isso é grandiosidade. Isso é o que significa ser de raça pura. O fim honorável é a coisa que não pode ser tirada de um homem.”

 

É assim que Spengler termina seu último livro. Um fim bem “honesto” para um sujeito guardando o cofre a prova de fogo, o qual, incidentalmente, está cheio de cheques protestados e ações que não pagam nenhum dividendo.

 

O capitalismo, no entanto, não tem a intenção de morrer na maneira que Spengler prescreve. Os Hitleristas estão se preparando para uma briga. As garras sangrentas da fera de rapina, o “super homem” do capitalismo, estão se agarrando nos peitos do proletariado. Não obstante, Spengler permanece como um sintoma de morte. Sua filosofia é apenas uma pedra de toque para as armas de Hitler.

 

Para nós na União Soviética que estamos diretamente envolvidos na construção socialista, Spengler e seus escritos têm um significado definido. Enquanto olhamos para essa “mortalha” de capitalismo, nossa pátria socialista com seu grandioso Partido e seu heroico proletariado se tornam ainda mais queridos para nós. Nosso trator, automóvel e gigantes químicos, nossos Rebentos e seus corações elétricos, nossa Ucrânia industrial, a crescente industrialização dos grisalhos Urais, Dnieprostroy, Kuznetzstroy, Karagandam Volga, Sovkhozy, Kolkhozy, etc. – Como regojizamos ao ouvir seus tinires!

 

Nós torcemos pelas técnicas e pelas máquinas. Nos deem mais máquinas e mais técnicas para nossos empreendimentos socialistas. A Europa não perecerá. Somente a Europa capitalista morrerá. Similarmente nossa construção socialista não sofrerá nenhum declínio, porque nós estamos construindo uma sociedade socialista sem classes pela primeira vez na história.

 

 

Notas do tradutor:

[1] Weltanschauung: fil conjunto ordenado de valores, impressões, sentimentos e concepções de natureza intuitiva, anteriores à reflexão, a respeito da época ou do mundo em que se vive; cosmovisão, mundividência.

[2] Udarnik: (Russo: уда́рник) É um termo utilizado para designar os trabalhadores superprodutivos na União Soviética e outros países ex-comunistas. Esses trabalhadores muitas vezes formavam “times de trabalho de choque” (udarnaya brigada, normalmente traduzido como brigada de choque). Udarnik do Trabalho Comunista (Ударник коммунистического труда), inclusive, era um título honorário soviético.

[3] Hochschule: Uma das modalidades de ensino superior na Alemanha.

 

 

G. VASILKOVSKY

 

Tradução de Henrique Monteiro

 

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