O Socialismo utópico

29/04/2019

 

Breve História do Movimento Operário

III

No artigo anterior, fizemos um pequeno histórico sobre os principais nomes do socialismo utópico. O chamado socialismo utópico carecia de fundamentações científicas, vindas somente mais tarde após a elaboração teórica de Marx e Engels.

Pensadores como Saint-Simon, Fourier e Owen eram utópicos não por acaso, mas, por não compreenderem a luta de classes e o papel revolucionário dos operários para a efetiva revolução social e a transformação da sociedade. No entanto, ao mesmo tempo, é inegável seu valor enquanto crítica ao modo de produção capitalista e a sua exploração desumana contra a classe operária. Foram estes pensadores, porém, que fizeram importantes críticas - em várias de suas obras - contra o capitalismo e esclareceram importantes questões aos operários. Ou seja, plantaram uma pulguinha atrás da orelha dos trabalhadores que viviam sem qualquer informação e consciência sobre as condições reais que viviam e eram superexplorados.  


Coube ao socialismo utópico, com todas as limitações, conclamar a sociedade à construção de um novo regime social, de caráter socialista e comunista. E isto é um grande mérito desta corrente de pensamento. Marx e Engels também classificavam esta corrente como “socialismo e comunismo crítico-utópicos” e não desmereciam os seus representantes; reconheciam como uma etapa necessária no desenvolvimento das teorias socialistas que ao longo da História - desde os períodos como o do domínio do Império Romano até o século XIX - vinha pavimentando o caminho revolucionário.

Sant-Simon, Fourier e Owen, como humanistas, ocupam um lugar na história do movimento operário, embora, em relação ao socialismo utópico, não se pode sonegar o seu lado negativo que é como apontamos acima, o seu caráter anticientífico e de ter sido elaborado à margem da classe operária. Era um movimento burguês, em sua essência, onde todo o sectarismo e as contradições estavam presentes. Como diz Marx e Engels em O Manifesto do Partido Comunista: “à medida que a luta de classes se acentua e toma forma, esse desdém fantasista de luta, esse esforço de imaginação para negar a luta perde todo o valor prático, toda justificação teórica”.

A falta da compreensão de que a luta de classes era inevitável fez com que muitas das organizações socialistas utópicas capitulassem a burguesia ou, muitas vezes, chegaram até a receber recursos da própria burguesia para porem fim aos projetos coletivistas. Mais tarde, muitos dos fourieristas e owenistas vieram a se opor às lutas concretas dos operários franceses e ingleses nos movimentos sindicais que surgiram mais à frente. A miséria em que vivia a classe operária não diminuiria com as ideias coletivistas do socialismo utópico, muito pelo contrário, se acentuaria em toda a Europa industrial; e, nos países periféricos e coloniais, seria ainda pior com os resquícios do feudalismo e os regimes escravistas como os vigentes em toda a América Latina, particularmente no Brasil. Esta miséria levaria ao acirramento da luta de classes e aumentaria a consciência de classe dos operários e operárias, obrigando-os, do ponto de vista histórico e material, à organização de um movimento operário qualitativamente muito superior às teorias do socialismo utópico.

No próximo artigo, veremos exemplos pontuais de lutas operárias na História do Movimento Operário, como as primeiras grandes greves e a organização de sindicatos cada vez mais combativos.     

               
Por Clóvis Manfrini

 

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