"A contínua necessidade da luta das minorias nacionais na atualidade filipina"

03/04/2019

 

A Frente Democrática Popular de Cordilheira transmite sua máxima solidariedade ao Novo Exército Popular (NEP), em celebração de seu aniversário de ouro, em 29 de março deste ano. Apesar de toda a sujeira arremessada pelos sucessivos regimes fantoches, a luta armada revolucionária travada pelo NEP, sob a liderança do Partido Comunista das Filipinas, conseguiu ser o farol de esperança para todo o povo oprimido e explorado em todo o país.

 

Na Cordilheira, o papel da luta revolucionária no avanço da luta das minorias nacionais pela autodeterminação e democracia é inegável. Desde que a 1ª unidade do NEP pisou em Ifugao, em 1971, ela rapidamente expandiu através de seis províncias da Cordilheira. No fim da década de 70, ela criou raízes entre várias tribos indígenas da Cordilheira. O empreendimento meticuloso da massa trabalhadora, investigação social e estudo da situação particular das minorias nacionais na região, e a linha correta da massa são a chave para fazer a revolução nesta terra montanhosa. Sua compreensão correta das particularidades da luta das minorias nacionais por autodeterminação e democracia foi aguçada através da prática implacável. O movimento revolucionário foi, também, o primeiro a estudar a história e as circunstâncias que trouxeram a opressão nacional como o problema particular que sobrecarregava o povo da Cordilheira. Este estudo específico e contínuo deu frutos a documentos como o Curso Especial das Massas sobre as minorias nacionais da Cordilheira, a Constituição e os Estatutos e o Programa de 10 Pontos da Frente Democrática Popular da Cordilheira.

 

As lutas de Chico Dam e Cellophil estavam entre as primeiras descobertas sobre o regime marcial tirânico da ditadura de Marcos. Essas lutas, juntamente com as várias campanhas de massa realizadas nas diferentes províncias de Cordilheira, incluindo as áreas fronteiriças de Ilocos Sur, como as lutas contra a mineração, a recuperação do chamado Parque Marcos em Taloy Sur, Tuba, Benguet; as campanhas anti-tribais; a Regionalização e Além, entre outros, fortaleceram a determinação do povo de defender firmemente suas terras e recursos contra os donos de terras e agressores que querem saquear terras ancestrais em nome do chamado "desenvolvimento". Elas adotaram calorosamente o NEP como seu verdadeiro exército contra os mercenários reacionários do Estado. Se não fosse pelas duras e espirituosas lutas empreendidas pelas minorias nacionais, com o apoio do exército popular, para proteger as terras ancestrais, a Cordilheira teria se acabado há muito tempo.

 

A juventude da Cordilheira, seus profissionais, setor religioso e afins também desempenharam um papel na propagação da revolução nacional-democrática e na exposição das injustiças contra as minorias nacionais, entre elas os protestos anti-Grand Canao e o protesto aberto contra a discriminação dos Igorots. Um número significante de jovens da Cordilheira, tanto da cidade quanto do campo, ingressou no NEP quando compreenderam que o lugar da juventude é na luta armada em defesa da terra e em assegurar um futuro melhor. O avanço da luta armada na Cordilheira foi um dos mais ressonantes em todo o norte de Luzon durante a segunda metade da década de 1980. O desmembramento da facção traidora do Exército de Libertação do Povo da Cordilheira, de Conrado Balweg, não impediu a expansão das fileiras do NEP.

 

A luta armada revolucionária das minorias nacionais na Cordilheira alcançou seu auge com a fundação da Frente Democrática Popular da Cordilheira (FDPC), de 1981 em diante. Desde então, foi forjado o vínculo entre as várias tribos e setores em união na luta por seu bem-estar e, finalmente, pela libertação de todo o país. A FDPC foi, também, instrumental em construir os primeiros órgãos de poder político nas vastas partes da Cordilheira, lugares que foram, por muito tempo, abandonados e negligenciados pelo governo reacionário. Por meio das formações de Conselhos de Vilas e Municípios em diferentes municipalidades, o povo pôde experienciar, pela primeira vez, um poder político verdadeiramente democrático. As experiências positivas derivadas disso mostraram ao governo fantoche de Manila que o povo pode governar a si mesmo. Foi esse poder que abalou seu núcleo e os obrigou a usar todos os recursos dados pelo imperialismo para usar uma força excessiva contra o povo.

 

Atualmente, muitos desafios tiveram de ser encarados. A contínua exploração e destruição das terras ancestrais da Cordilheira também trouxe a crescente erosão de nosso sistema sócio-político tradicional e cultural. A fim de ter um desenfreado controle sobre as terras e recursos da Cordilheira, uma ofensiva generalizada contra o povo dali foi desencadeada. Os políticos da Cordilheira renovaram seus esforços para pressionar pela falsa autonomia da Cordilheira, impulsionada pela recente construção da Região Autônoma de Bangsamoro, em Muslim Mindanao (RABMM). O atraso agrícola ainda prevalece, tornado ainda pior pelo governo negligente. A cultura indígena também foi mercantilizada, como evidenciado pelo crescente número de festivais motivados pelo turismo e pelo lucro que brotam em todas as províncias até os níveis barangay. A cultura podre imperialista é propagada, especialmente entre os jovens da Cordilheira, com o propósito de destruir a tradição militante do povo dali e de fazê-los provedores dóceis da decadente cultura burguesa. Para silenciar a oposição do povo a projetos como mineração em grande escala, represas e projetos de energia, a crescente militarização e os esforços da guerra psicológica têm como alvo comunidades e organizações progressistas de agricultores, mulheres e jovens. Para afastá-los do caminho da luta e romper a unidade das tribos, a juventude e os agricultores de Cordilheira são levados a serem mercenários pagos pelo Estado, que os recruta para o serviço militar e paramilitar. Sistemas sociopolíticos indígenas, como o dap-ay e o bodong, também têm sido rebaixados para servir nos programas de contra-insurgência do governo, o que trouxe desunião entre as comunidades.

 

Apesar dos ataques caluniosos e demonizadores do regime Duterte, o NEP é profundamente respeitado e querido pelas minorias nacionais da Cordilheira, devido ao fato de ter mostrado sua consciência de princípios e seu máximo comprometimento na luta pelos interesses do povo e seu bem-estar. O povo ainda não consegue esquecer, até o momento presente, como o NEP travou sua campanha contra atividades anti-sociais como jogos de azar, assaltos e roubo de gado nas comunidades. O NEP também facilitou a resolução pacífica de muitos conflitos inter-tribais, em contraste com o incitamento de muitas disputas tribais pelas Forças Armadas das Filipinas (FAF), resultando em guerras tribais. O NEP também promoveu campanhas agrárias entre as comunidades. E, acima de tudo, somente o NEP esteve firmemente com o povo da Cordilheira ao longo dos anos em sua luta para defender sua terra e seus recursos contra projetos destrutivos de grandes compradores e imperialistas. Ações punitivas como a lançada contra a gigante companhia mineradora Philex, em fevereiro de 2017, e contra a companhia mineradora consolidada Lepanto são expressões desse compromisso contínuo.

 

A FDPC é unificada, com o PCF e o NEP, na luta pela liberdade e democracia nacional. A FDPC acredita firmemente que somente através da vitória completa da revolução nacional-democrática e da subsequente revolução socialista, o direito à autodeterminação e à democracia das minorias nacionais pode ser plenamente alcançado. Enquanto a revolução armada está, ainda, sendo travada no presente momento, a FDPC continuará a estar na linha de frente das minorias nacionais que lutam contra a opressão nacional e os três problemas básicos do imperialismo, capitalismo burocrático e feudalismo. A FDPC deve continuar suas tarefas, integradas com as três tarefas principais do NEP no vasto campo, que são educação, construção de base e revolução agrária. Além disso, a FDPC se compromete a esclarecer mais pessoas, especialmente os jovens da Cordilheira, sobre as questões urgentes do país e incentivá-los a participar das lutas do povo. Pois o exército do povo é o verdadeiro bastião da força e os verdadeiros soldados do povo.

 

Vida longa ao Novo Exército Popular!

 

Amar e cuidar do Exército do Povo!

 

Continuar a revolução até a vitória!

 

21 de março de 2019

 

Escrito por Simon Ka “Filiw” Naogsan, Porta-voz da Frente Democrática Popular de Cordilheira

 

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