Mao: "Recrutar em Grande Número os Intelectuais"

01/03/2019

 

1. Na longa e dura guerra de libertação nacional, na luta grandiosa pela construção duma China nova, o Partido Comunista necessita saber recrutar os intelectuais; só assim o Partido ficará em situação de constituir forças possantes para a resistência ao Japão, organizar por milhões as massas camponesas, desenvolver o movimento cultural revolucionário e alargar a Frente Única Revolucionária. Sem participação de intelectuais a revolução não pode triunfar.

2. Há três anos que o nosso Partido e o nosso exército vêm fazendo esforços consideráveis para recrutar intelectuais; um grande número de intelectuais revolucionários foi já incorporado no Partido e no exército, no trabalho dos órgãos do poder, no movimento cultural e no movimento de massas, o que ampliou a Frente Única. Isso constitui um êxito notável. Não obstante, muitos dos quadros do nosso exército ainda não atentaram bem na importância que revestem os intelectuais, continuam a olhá-los com receio, chegando mesmo a tender para afastá-los. São muitas as nossas escolas de quadros que não ousam recrutar sem reservas e em grande número os jovens estudantes. Muitos dos comités locais do Partido ainda se recusam a admitir intelectuais. Isso acontece porque não se compreende o papel importante dos intelectuais para a causa da revolução, a diferença entre os intelectuais dos países coloniais e semi-coloniais e os dos países capitalistas, a diferença entre os intelectuais ao serviço dos senhores de terras e da burguesia e os que estão ao serviço da classe operária e do campesinato, nem se entende esse fenómeno, muito sério, que consiste em os partidos políticos burgueses se encarniçarem em disputar-nos os intelectuais, e o imperialismo japonês, também ele, tentar por todos os meios comprar os intelectuais chineses e paralisar-lhes o espírito, e sobretudo porque não se vê esse fator favorável que é o fato de o nosso Partido e o nosso exército terem já constituído uma possante armação de quadros provados, estando portanto capazes de dirigir os intelectuais.

3. Por isso é que, desde agora, fazemos incidir a nossa atenção sobre os pontos seguintes:

3.1) Todas as organizações do Partido nas zonas de guerra e todas as unidades militares dirigidas pelo Partido devem recrutar em grande número intelectuais para o nosso exército, para as escolas de quadros e para os órgãos do poder. Devemos, sob formas diversas, recrutar todos os intelectuais que desejem combater a agressão japonesa, sempre que se mostrem relativamente leais, trabalhadores e aptos a suportar dificuldades e privações; devemos dar-lhes formação política, ajudá-los a temperar-se no decorrer da guerra e do trabalho e levá-los a servir o exército, o governo e as massas populares; além disso, importa, segundo os casos, fazer com que ingressem no Partido os intelectuais que preencham as condições de admissão. Quanto aos que não podem ou não querem aderir, devemos, no trabalho em comum, estabelecer boas relações com eles e guiá-los.

3.2) Ao aplicarmos a política de amplo recrutamento de intelectuais, devemos em absoluto velar por impedir a infiltração nas nossas fileiras da gente enviada pelo inimigo e pelos partidos políticos burgueses e nunca permitir que ingressem elementos desleais. Há que ser bem rigoroso a esse respeito. Quanto aos que já conseguiram infiltrar-se no Partido, exército ou órgãos do poder, devemos eliminá-los resolutamente, mas com discernimento, baseando-nos em provas dignas de fé. Mas há que guardar-se de suspeitar dos intelectuais que dão provas de suficiente lealdade, há que ser extremamente vigilante face as tentativas dos contra-revolucionários no intuito de difamarem os indivíduos honestos.

3.3) Fixaremos tarefas adequadas a todos os intelectuais que sejam relativamente leais e possam ser-nos úteis em algo, cuidaremos bem da sua educação política e guiá-los-emos, de modo que, na luta prolongada, possam vencer passo a passo as suas insuficiências, possam imbuir-se de espírito revolucionário, identificar-se com as massas e fazer corpo com os velhos membros e velhos quadros do Partido, bem como com os comunistas de origem operária e camponesa.

3.4) Devemos convencer efetivamente os nossos quadros, sobretudo certos quadros das forças armadas principais, ainda opostos a participação dos intelectuais no nosso trabalho, de que é necessário recrutá-los. Por outro lado, devemos encorajar realmente os nossos quadros de origem operária e camponesa a estudar com aplicação, para elevarem o seu nível cultural. Devemos fazer com que os quadros operários e camponeses sejam intelectuais e, ao mesmo tempo, com que os intelectuais se identifiquem com as massas de operários e camponeses.

3.5) Nas regiões dominadas pelo Kuomintang e nas regiões de ocupação japonesa, os mesmos princípios valem no essencial mas, ao admitirmos os intelectuais no Partido, devemos manter um cuidado muito especial quanto ao grau de lealdade destes, a fim de garantir uma coesão mais estreita das organizações do Partido. Quanto ao grande número de intelectuais não comunistas que simpatizam connosco, devemos estabelecer com eles laços adequados e encaminhá-los para a grande luta de resistência ao Japão e pela democracia, encaminhá-los para o movimento cultural e para o trabalho da Frente Única.

4) Todos os camaradas do Partido precisam de compreender que uma política justa relativamente aos intelectuais constitui uma das condições importantes para a vitória da revolução. Que nunca mais se verifique essa atitude incorreta que se adotou nas organizações do Partido, a respeito dos intelectuais, em muitas regiões e unidades militares no tempo da Revolução Agrária; aliás, para formar os seus próprios intelectuais, o proletariado não pode passar sem a ajuda dos intelectuais já existentes. O Comité Central espera que os comités do Partido dos distintos escalões, bem como todos os camaradas no Partido, dispensem a esse assunto a mais séria das atenções.

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