Dimitrov: "conteúdo e formas da Frente Única"

20/02/2019

 

Qual é e qual deve ser o conteúdo principal da frente única na etapa atual?

 

A defesa dos interesses econômicos e políticos imediatos da classe operária, sua defesa contra o fascismo, há de ser o ponto de partida e o conteúdo principal da frente única em todos os países capitalistas.

 

Não nos devemos limitar a lançar simples apelos à luta pela ditadura do proletariado, temos que encontrar e preconizar as palavras de ordem e formas de luta que se deduzam das necessidades vitais das massas, do nível de sua capacidade de luta em cada etapa de seu desenvolvimento.

 

Devemos indicar às massas o que hão de fazer hoje para defender-se da exploração capitalista e da barbárie fascista.

 

Devemos conseguir que se estabeleça a frente única mais ampla por meio de ações conjuntas das organizações operárias das diversas tendências, para defender os interesses vitais das massas trabalhadoras.

 

Isto significa, em primeiro lugar, a luta conjunta por descarregar de um modo efetivo as consequências da crise sobre os ombros das classes dominantes; numa palavra, sobre os ombros dos ricos.

 

Significa, em segundo lugar, a luta conjunta contra todas as formas da ofensiva fascista, pela defesa das conquistas e diretos dos trabalhadores, contra a liquidação das liberdades democrático-burguesas.

 

Significa, em terceiro lugar, a luta conjunta contra o perigo cada vez mais iminente da guerra imperialista, luta que dificultaria a preparação desta guerra.

 

Devemos preparar sem descanso a classe operária para as mudanças rápidas de formas e métodos de luta, ao variarem as circunstâncias. A medida que cresça o movimento se fortaleça a unidade da classe operária, teremos que ir mais longe e preparar a passagem da defensiva à ofensiva contra o capital, dirigindo-nos para a organização da greve política de massas. Condição obrigatória desta greve é que nela tomem parte os sindicatos principais de cada país.

 

Naturalmente, os comunistas não podem nem devem renunciar um só minuto à sua tarefa própria e independente de educação comunista, de organização e mobilização das massas. Não obstante, para assegurar aos operários o caminho para a unidade de ação, é preciso conseguir aos mesmo tempo firmar acordos a curto e a longo prazo sobre ações comuns com os partidos social-democratas, os sindicatos reformistas e as demais organizações dos trabalhadores contra o inimigo de classe do proletariado. Nesses pactos, a atenção principal deve encaminhar-se para o desencadeamento de ações de massas nos diversos lugares, que deveria ser realizada pelas organizações de base mediante resoluções locais. Ao mesmo tempo que cumprirmos lealmente as condições de todos os acordos firmados com elas, desmascararemos implacavelmente qualquer sabotagem cometida contra as atividades conjuntas por pessoas ou organizações que tomem parte na frente única. A quantas tentativas se façam para frustrar os acordos firmados – e estas tentativas possivelmente se farão – responderemos apelando para as massas e continuando infatigavelmente a luta pelo restabelecimento da unidade de ação violada.

 

Resta dizer que a realização concreta da frente única nos diversos países se efetuará de diferentes modos e revestirá diferentes formas, segundo o estado e o caráter das organizações operárias, seu nível político, a situação concreta do país de que se trate, segundo as mudanças operadas no movimento operário internacional, etc.

 

Estas formas podem ser, por exemplo: atividades conjuntas dos operários, coordenadas para casos determinados e por motivos concretos, por reivindicações isoladas ou sobre a base de uma plataforma geral; ações coordenadas em determinadas empresas ou ramos industriais; ações coordenadas sobre um plano local, regional, nacional ou internacional; ações coordenadas para as organizações de lutas econômicas dos operários, para a realização de movimentos políticos de massas, para a organização da autodefesa comum contra os assaltos fascistas; ações coordenadas para ajudar os presos e suas famílias, para lutar contra a reação social; ações conjuntas para a defesa dos interesses da juventude e das mulheres; na defesa das cooperativas, da cultura, do esporte, etc.

 

Não obstante, seria ilusão dar-se por satisfeitos com o firmar de um pacto sobre atividades conjuntas e criar comitês de ligação dos partidos e organizações envolvidas na frente única, como acontece, por exemplo, na França. Isto é apenas o primeiro passo. Os pactos são meios auxiliares para a realização de ações conjuntas, mas não são ainda a frente única. Os comitês de ligação entre as direções dos Partidos Comunistas e Socialistas são necessários para facilitar a realização de atividades conjuntas, mas estão muito longe de bastar para o desenvolvimento efetivo da frente única, para arrastar as amplas massas à luta contra o fascismo.

 

Os comunistas e todos os operários revolucionários devem esforçar-se por criar órgãos de classe de frente única à margem dos partidos, eleitos (nos países de ditadura fascista, escolhidos entre as pessoas mais prestigiadas no movimento de frente única) nas empresas, entre os desempregados, nos bairros operários, entre a gente modesta da cidade e do campo. Só estes órgãos podem abranger, no movimento de frente única, as enormes massas não organizadas dos trabalhadores, contribuir para desenvolver a iniciativa das massas na luta contra a ofensiva do capital, contra o fascismo e a reação, para criar sobre esta base o extenso corpo de ativistas operários da frente única, que é indispensável, e formar nos países capitalistas centenas e milhares de bolcheviques sem partido.

 

As atividades conjuntas dos operários organizados são o começo, são a base. Mas não podemos perder de vista que a esmagadora maioria dos operários é constituída pelas massas não organizadas. Assim, na França, o total dos operários organizados, comunistas, socialistas e filiados aos sindicatos de diferentes tendências, é ao total, aproximadamente, de um milhão e a estatística total de operários atinge 11 milhões. Na Inglaterra, pertencem aos sindicatos e aos partidos de todas as tendências uns cinco milhões de operários organizados, mas o total de operários é de 14 milhões. Nos Estados Unidos da América há, aproximadamente, cinco milhões de operários organizados, mas o total de operários na América do Norte é de 38 milhões; E a mesma relação existe, pouco mais ou menos, em outra série de países. Em tempos “normais” esta massa permanece, substancialmente, à margem da vida política. Mas na atualidade, esta massa gigantesca se põe cada vez mais em movimento, incorpora-se à vida política, chega à discussão política.

 

A criação de órgãos de classe à margem dos partidos é a melhor forma de realizar, ampliar e fortalecer a frente única na mesma base das amplíssimas massas. Estes órgãos serão também o melhor baluarte contra todas as tentativas dos adversários da frente única para romper a unidade de ação alcançada pela classe operária.

 

Georgi Dimitrov

 

Trecho retirado de “A Unidade Operária Contra o Fascismo”, discurso proferido

no VII Congresso Mundial da Internacional Comunista a 2 de agosto de 1935.

Please reload

Leia também...

"Entrevista de Stalin a Roy Howard"

12/12/2019

"A trabalhadora na Rússia Soviética"

11/12/2019

"Se querem a paz, vocês têm que lutar por ela"

10/12/2019

O Socialismo Científico de Marx e Engels e o combate às ideias antiproletárias

09/12/2019

1/3
Please reload

NOVACULTURA.info

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • YouTube