"Vale lucra com o crime"

19/02/2019

 

A barragem B1, que rompeu no dia 25 de janeiro, estava desativada desde 2016. Sua área total era de aproximadamente 27 hectares e 87 metros de altura e a operação começou na década de 70, quando ainda pertencia a mineradora Ferro e Carvão. Uma época que não se aproveitava a extração do minério puro em sua totalidade.

A proprietária da barragem, a Vale S.A., que sabia dos riscos do rompimento, solicitou a câmara técnica do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) o licenciamento ambiental para o reaproveitamento dos rejeitos de minério de ferro da barragem B1. O Copam autorizou a licença em dezembro de 2018.

Para moradores de Córrego do Feijão, que também são trabalhadores nas áreas de mineração, a Vale lucra com o rompimento da barragem de B1. “É rejeito rico, todo esse material escoado nesses 10 km será reaproveitado. Só esse material que está aí paga toda as indenizações. A Vale já ia começar beneficiar esse rejeito, era para ter começado em 2015”, relata Luciano de Oliveira Lopes, vice-presidente da Associação dos Moradores de Córrego do Feijão.

De acordo com esclarecimento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a Vale não utilizaria a barragem B1 para disposição de rejeitos e utilizaria de tecnologias avançadas de armazenamento do novo rejeito, como pilhas de maneira seca, sem barragens de água.

Vale e seu plano econômico  

No dia 29 de janeiro, a Vale anunciou um plano de descomissionamento de dez barragens na mesma situação da barragem de Mina de Córrego do Feijão, com investimento de R$ 5 milhões para o trabalho. São quatro no Complexo Vargem Grande – Vargem Grande, Capitão do Mato, e Tamanduá – e outras cinco- Jangada, Fabrica, Segredo, Joao pereira e Alto Bandeira.

No entanto a Vale já possuía um plano econômico para essas barragens construídas nas décadas de quarenta e setenta. Em 2013 a Vale anunciou um projeto de reaproveitamento do minério de ferro de baixo teor, que foram guardados em pilhas ao longo dos anos, que abrangia dois complexos de mineração da Vale, uma em Itabira e outra no complexo Vargem Grande, em Nova Lima.

O intitulado Projeto Itabiritos previa o “investimento em tecnologias de processamento, que iria aumentar o atual volume de produção e aumentar a vida útil de quatro minas da região”. Na época, o projeto também teria o investimento no entorno de R$ 5,5 bilhões na construção e adaptação de usinas de beneficiamentos e teria sua conclusão em 2015.

Na época a empresa divulgou que o aumento da capacidade de produção de minério de ferro da empresa nos dois complexos seria em 65 milhões toneladas/ano.

“O plano de descomissionamento das barragens é um plano econômico da Vale. Várias barragens que são antigas ainda têm muito minério no rejeito. E agora isso se torna uma atividade econômica de grande interesse da empresa. Ou seja, a mineradora não fez isso de graça, é um processo de licenciamento para lavrar a própria barragem e gerar lucro”, resgata o processo, Joceli Andreoli, da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

O coordenador ainda denuncia o grande alarde da mineradora na imprensa “A Vale está falando agora que fará isso em dez barragens e propagandeando na imprensa, dizendo que todas aquelas iguais a Mina do Feijão. Essas dez já estavam no plano econômico da empresa para extrair. A Vale tem muito mais barragens na tecnologia a montante com mais risco de romper do que essas dez”.   

O Movimento dos Atingidos por Barragens defende a paralização imediata das barragens a montante e que o descomissionamento seja, principalmente, para evitar o perigo de novos rompimentos. “É preciso esclarecer a sociedade que essa propaganda da empresa estar fazendo um ‘bem’, é tática da Vale. Ela está fazendo algo de interesse dela. É um processo que precisar ser acompanhado pela sociedade e com a participação das comunidades ao entorno, porque ao fazer isso, ela pode provocar novos problemas”, esclarece Joceli.

 

Do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

 

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