"Brumadinho (MG): um novo crime anunciado"

26/01/2019

 

Mais uma barragem estourou na tarde desta sexta-feira (25) em Minas Gerais. Três anos após o maior crime socioambiental da história do país - do qual a Vale é responsável e continua impune- outra barragem da mineradora rompeu, dessa vez em Brumadinho, na grande Belo Horizonte. Segundo informações do Corpo Militar de Bombeiros, 200 pessoas ainda estão desaparecidas.

O rompimento da barragem Mina Feijão, pertencente à mineradora Vale, ocorreu na região do Córrego do Feijão, no quilômetro 50 da Rodovia MG-040. Quatro Barragens do complexo romperam criando uma grande onda de rejeitos.

O porta voz do Corpo Militar de Bombeiros disse em coletiva de imprensa: “sabemos que há um número grande de vítimas”. E agregou: “tem cerca de 100 funcionários envolvidos que estavam na área do refeitório da empresa e umas 200 pessoas que faziam parte da comunidade”. O fato ocorreu na hora do almoço. Segundo informações obtidas pelo Brasil de fato, 19 são os municípios que já estão sendo atingidos pela lama, e segundo informações de expertos consultados pelo jornal, o impacto vai comprometer a água até a foz do Rio São Francisco. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA) a barragem da Usina Hidroelétrica Retiro Baixo (que se encontra a 220 km do local do rompimento) possibilitaria amortecer a onda de rejeito.

A omissão de sempre
Desde o ano 2015, inúmeras denúncias vêm sendo feitas pelo risco de rompimento de Barragens no complexo, e ainda assim, teve a sua ampliação aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental, em dezembro de 2018. O Brasil de Fato (bdf) já denunciou no mês passado que os moradores se opuseram fortemente à autorização do governo de Minas Gerais para que as empresas Minerações Brasileiras Reunidas S.A e Vale operassem nos municípios de Brumadinho e Sarzedo.

Está situação não é um caso isolado. Segundo o último relatório da ANA sobre segurança em barragens, sem aumentos significativos na fiscalização nem nas informações enviadas à agência para a realização de relatórios, o número de barragens com risco sério de rompimento saltou de 25 para 45 no país. Um fator central é a impunidade com que as empresas mineradoras atuam no rubro. Em diálogo com o bdf, o coordenador estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Minas, Thiago Alves, afirmou: “a impunidade do crime de Mariana dá mais espaço e oportunidade para outros crimes. A forma com que as empresas atuam, especialmente a Vale no contexto do crime na Bacia do Rio Doce, e como a Justiça brasileira atua do lado das empresas, cria espaços e oportunidades para mais tragédias”.
 
Para o militante, “esse rompimento é o resultado de um modelo de mineração que é privatizado e transnacional, inteiramente à serviço do lucro das grandes empresas, contra os direitos dos trabalhadores e das comunidades, portanto, essa tragédia é mais um resultado deste modelo de morte”. Pablo Días, da coordenação nacional do movimento, se encontra atualmente na região do desastre, e expressou: “existe uma estimativa de que haja aproximadamente 350 desaparecidos. Foram destruídos o refeitório da empresa, uma pousada e um restaurante que ficavam logo abaixo, assim como comunidades que foram atingidas e cujo impacto está sendo ainda avaliado”. Disse ainda: “ existe uma grande preocupação, a incerteza do que serão os resultados deste desastre”.

 

Do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

 

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