O verdadeiro conteúdo da "frente ampla" dos revisionistas do PCdoB é a formação da "frente única" com a extrema-direita

17/01/2019

 

Recentemente o PCdoB, partido controlado por elementos oportunistas de direita, anunciou o seu apoio a Rodrigo Maia (DEM), deputado direitista que apoiou o golpe de Estado contra a presidente Dilma Rousseff e inúmeros outros ataques contra as massas trabalhadoras. Os oportunistas utilizam as mais variadas desculpas esfarrapadas para seguirem enganando elementos mais atrasados do movimento popular, que infelizmente ainda seguem sob sua influência. Analisemos, pois, os argumentos dos revisionistas.

 

Na última terça-feira (15) a direção nacional do PCdoB publicou uma nota onde anuncia o seu esdrúxulo apoio ao candidato direitista. Diz a nota: "Maia é o que está mais credenciado, por seu itinerário parlamentar e perfil político, a se comprometer com a autonomia do Poder Legislativo e exercer a presidência da Casa de acordo com o regimento interno, com respeito institucional à oposição (...) Nesse contexto em que o país se encontra, sob a regência de um governo autoritário, de extrema direita, com a perda do equilíbrio entre os três Poderes da República e o deliberado enfraquecimento do Legislativo, o PCdoB considera importante que a presidência da Casa seja exercida por uma liderança que se comprometa com a sua autonomia e sua democracia interna.

 

Para além do linguajar demagógico e adulador do texto, ao se posicionar dessa maneira, o PCdoB nada mais faz do que semear a confusão. Em primeiro lugar, não existe nenhum indício de que Maia seria uma liderança "comprometida com a "autonomia da casa" e com sua democracia interna. Rodrigo Maia é um elemento abertamente direitista, um verdadeiro representante do imperialismo no parlamento; suas movimentações políticas sempre acabaram, de maneira ou de outra, beneficiando as manobras das forças políticas direitistas e reacionárias no parlamento. Como falamos anteriormente, Maia foi um apoiador ferrenho da imposição de Dilma Rousseff, apoia com unhas e dentes os projetos que visam atacar os direitos dos trabalhadores, tais como a Reforma Trabalhista e da Previdência, bem como outras medidas antipovo. Para não falarmos do fato de que a candidatura de Rodrigo Maia também estar sendo apoiada pelo PSL, partido de Bolsonaro.

 

Este é um fato tão óbvio que impressiona vermos certos setores da "esquerda" perdendo tempo com tal tipo de discussão (sobre se é correto ou não apoiar Maia). A caracterização que a direção nacional do PCdoB faz do deputado direitista, portanto, não corresponde absolutamente a realidade dos fatos. É uma completa inversão e manipulação da realidade concreta, em nome da defesa de interesses particulares de certos grupos da direção do partido. Aqui vale lembrar os ensinamentos de Lenin, para quem: "Em política, os homens sempre foram vítimas ingênuas do engano dos outros e de si próprios, e continuarão a sê-lo, enquanto não aprenderem a descobrir por trás de todas as frases, declarações e promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses de uma ou outra classe". No caso do PCdoB, é de se perguntar se tais acordos e manobras seriam apenas frutos de uma ingenuidade ou do simples engano.

 

Não acreditamos que a posição do PCdoB seja fruto de uma "análise equivocada", apenas. Antes de tudo, representa a prática concreta de uma organização que se orienta por uma linha política completamente oportunista e direitista, que há anos abandonou qualquer coisa parecida com marxismo-leninismo, apesar da retórica. Especialmente após a realização do seu 12. Congresso, o PCdoB abriu mão de seu antigo Programa Socialista (1995) e adotou um novo programa, baseado de cabo a rabo em teses nacionalistas-burguesas que apregoam a adoção de um chamado "projeto nacional de desenvolvimento" como caminho para o Socialismo no Brasil. O que aproximaria o Brasil do socialismo não seria mais a luta decidida das massas populares contra o Estado burguês-latifundiário, mas sim a luta por um "projeto de nação" e pelo "desenvolvimento da economia nacional". Este tipo de ideia reacionária não é nenhuma novidade dentro do movimento comunista brasileiro e são uma espécie de reedição das velhas teses revisionistas da Declaração de Março de 1958. Os revisionistas acreditam que é possível lutar por um "projeto de nação", ou seja, promover o desenvolvimento da economia nacional, dentro da velha ordem existente no país. Neste sentido, acabam realizando diversos tipos de alianças espúrias com a reação, em nome da "unidade da nação", um verdadeiro sonho pequeno-burguês.

 

É preciso deixar claro que na época do imperialismo, não existe espaço para um verdadeiro desenvolvimento autônomo e independente de um país oprimido, sem que primeiro a classe operária e os seus aliados fundamentais tomem o poder político e fundem um novo Estado, de orientação socialista. Neste sentido, a tarefa do Partido Comunista não pode ser o de assessorar e auxiliar a burguesia brasileira em nome da implementação de um suposto "projeto nacional", mas sim deve ser a de mobilizar as forças sociais que irão derrubar a ordem vigente e instaurar uma nova, e aí sim criar todas as condições políticas, econômicas e sociais que possibilitarão o desenvolvimento independente da Nação, sob hegemonia e direção do proletariado.

Deixemos de lado essas questões mais gerais e voltemos a analisar os argumentos que o PCdoB utiliza para defender sua profunda subordinação ao direitista Maia. O PCdoB continua apresentando os seus argumentos e afirmam que o diálogo do partido, dentro do parlamento, "se estenderá ao espectro partidário e de parlamentares de centro, a exemplo do Partido Progressista (PP), visando a formação de um bloco mais amplo, tendo como objetivo assegurar a pluralidade na Mesa Diretora e nas comissões temáticas". Aqui o PCdoB volta a delirar, e convida para sua "frente ampla" o Partido Progressista (PP), partido abertamente direitista (erroneamente qualificado pelos revisionistas como partido de "centro") e que durante anos abrigou a figura de Bolsonaro e atualmente apoia sua presidência. O apoio a Rodrigo Maia, portanto, de nada tem a ver com a luta pela "defesa da democracia", como dizem os figurões do PCdoB. O apoio do PCdoB a Rodrigo Maia, na verdade representa a mais completa capitulação e subordinação dessa organização às forças mais atrasadas da sociedade brasileira.

 

É também na defesa da "democracia" em abstrato que o PCdoB também manifesta todo o seu idealismo. Não é de hoje que os documentos e posições oficiais do PCdoB costumam apresentar a "luta pela defesa da democracia" como uma de suas mais importantes bandeiras, abandonando por completo qualquer referência e traço de marxismo-leninismo em suas análises. Para o PCdoB, o regime existente no Brasil, desde o fim da ditadura militar seria um tipo de democracia, e tal democracia teria sido fortalecida durante os governos de Lula e Dilma. Essa é uma visão completamente alheia ao marxismo-leninismo, que considera que em países capitalistas, a "democracia" nada mais é do que uma forma de dominação da grande burguesia. Lenin, por exemplo, dizia que "a «democracia pura» é uma frase mentirosa de liberal que procura enganar os operários" (A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky). Uma verdadeira democracia, proletária, só pode existir em um regime dominado e dirigido pelo proletariado, ou seja, em um novo Estado socialista. Se falar em democracia de maneira abstrata, já era algo ridículo no período político anterior, imaginem agora onde o país vive submetido por um novo regime de caráter fascistizante, produto direto de um golpe de Estado reacionário. Isso, evidentemente, não quer dizer que os marxistas não devam se preocupar com a preservação dos direitos democráticos das massas, conquistados por meio de inúmeras e violentas batalhas contra as classes exploradoras. Porém, isso não equivale a confundir o atual regime existente como uma "democracia". É verdade que essa posição, dentro da esquerda brasileira, não é algo exclusivo do PCdoB, porém outras forças, tais como PT, PSOL, etc., pelo menos não se apresentam diante das massas como marxistas e comunistas, portanto nesse quesito são menos dissimulados que os revisionistas.

 

Como não poderia deixar de ser, a posição do PCdoB causou polêmicas dentro do movimento popular. Uma grande parte da base social do PCdoB vem manifestando um profundo desconforto com tal atitude, um verdadeiro banho de água fria naqueles militantes honestos que ainda querem lutar contra o golpe de Estado e contra o avanço da reação fascista. Como vai ficando provado por sua prática abertamente oportunista e direitista, o PCdoB é uma força política que atua no movimento popular no sentido de colocar este a reboque das forças mais atrasadas e reacionárias. Contudo, saudamos os oportunistas e direitistas por essas recentes manobras, já que elas absolutamente provam o nosso ponto de vista e facilitam o nosso trabalho em explicar o porquê do PCdoB ser um partido revisionista e porque o Partido Comunista do Brasil precisa ser refundado. Nesse sentido, a prática do PCdoB revisionista pode ser bastante pedagógica.

 

Muitos são os temas e problemas que precisam ser debatidos dentro do movimento comunista brasileiro. Nesse processo, não nos apresentamos de maneira exclusivista como única organização disposta em levar adiante esse debate. Reconhecemos como positiva as contradições e inquietações que vão se apresentando no seio das mais diversas organizações de esquerda. Porém, é evidente que nesse debate temos um lado bem definido, de aberta defesa da teoria científica do proletariado. Com paciência e dedicação, com toda certeza chegará a hora em que o proletariado saberá reconstruir o seu partido revolucionário, fazendo avançar para uma etapa superior a Revolução Brasileira. Foi para isso que o Partido Comunista fora fundado em 1922 e reorganizado em 1962. O oportunismo de direita, uma vez mais, será colocado na lata do lixo da história.

 

Please reload

Leia também...

"RPDC responde provocações dos Estados Unidos"

31/03/2020

Aos 98 anos morre Riachão, sambista e cronista popular

31/03/2020

"Brasil, colônia e pilhagem"

30/03/2020

Bancos sobem os juros em meio a crise: quem sofre com isso?

27/03/2020

1/3
Please reload

NOVACULTURA.info

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • YouTube