Mao: "Unidade até o fim"

21/12/2018

 

O terceiro aniversário da Guerra de Resistência contra o Japão e o décimo nono aniversário da fundação do Partido Comunista da China cumprem-se num mesmo momento. Ao celebrar-se hoje o aniversário da Guerra de Resistência, nós, os comunistas, sentimos com intensidade bem particular a nossa responsabilidade. A responsabilidade pelo futuro da nação chinesa, pela sua existência ou subjugação, deve ser assumida por todos os partidos e grupos políticos que resistem ao Japão, bem como pela totalidade do povo, mas nós, os comunistas, entendemos ser sobre nós que recai o mais pesado da responsabilidade. O manifesto sobre a situação atual, publicado pelo Comité Central do nosso Partido, é, na essência, um apelo a resistência e a unidade até ao fim. Nós esperamos vê-lo aprovado pelos exércitos e partidos amigos, bem como por todo o povo chinês. Todos os membros do Partido Comunista devem aplicar com particular consciência a linha política definida nesse manifesto.

 

Os comunistas precisam de estar todos conscientes de que só resistindo até ao fim se pode permanecer unido até ao fim, e só permanecendo unidos até ao fim se pode resistir até ao fim. Essa a razão por que devem ser duma conduta exemplar, tanto em matéria de resistência como de unidade. O que combatemos é o inimigo, mais os capitulacionistas e os anti-comunistas obstinados; quanto aos restantes elementos, esforçamo-nos seriamente por juntá-los a nós. Aliás, seja onde for, os capitulacionistas e os anti-comunistas obstinados não constituem mais que uma minoria.

 

Eu fiz uma investigação sobre a composição do pessoal dum dos órgãos do poder local. Entre mil e trezentos membros não havia mais de quarenta a cinquenta anti-comunistas obstinados, ou seja, menos de quatro por cento; todos os outros eram pela unidade, pela resistência. Como é evidente, nós não podemos mostrar-nos tolerantes para com os capitulacionistas e anti-comunistas obstinados, pois isso significaria permitir-lhes a sabotagem da resistência e da unidade. Daí o devermos combater com resolução os capitulacionistas e repelir com firmeza, mas em legítima defesa, os ataques dos elementos anti-comunistas. A não ser assim, passamos ao oportunismo de direita, com prejuízo da unidade e da resistência. Mas com relação a todos os que não são capitulacionistas nem anti-comunistas obstinados, devemos praticar uma política de unidade. Entre estes, uns fazem jogo duplo, outros agem por coação e outros ainda encontram-se apenas momentaneamente lançados num falso caminho. Há que ganhar todos esses indivíduos a nossa causa, de modo que se mantenha a unidade e se prossiga a resistência. A não ser assim, cai-se no oportunismo de “esquerda”, o que igualmente prejudicaria a unidade e a resistência. Todos os comunistas devem estar conscientes de que, como promotores da Frente Única Nacional Anti-japonesa, temos por dever perseverar nessa frente. No momento em que se agrava a já desastrosa situação do país e se produzem profundas mudanças na situação internacional, o nosso dever é assumir a pesada responsabilidade pelo futuro da nação chinesa, sua, existência ou subjugação. Derrotaremos o imperialismo japonês e faremos da China uma república independente, livre e democrática. Para isso é indispensável unir o maior número possível de indivíduos, sejam ou não membros de partidos ou grupos políticos. Mas os comunistas não admitem a formação duma frente única sem princípios, tornando-se por consequência indispensável lutar contra todas as manobras cujo objetivo seja dissolver, limitar, conter ou perseguir o Partido Comunista, bem como contra o oportunismo de direita no próprio seio deste. E, ao mesmo tempo, não poderá admitir-se que os comunistas violem a política de frente única do Partido. Os membros do Partido devem pois, na base do princípio de resistência, unir todos os elementos ainda dispostos a resistir ao Japão e combater o oportunismo de “esquerda” dentro do Partido.

 

 

Assim, na questão do poder, nós pronunciamo-nos pelo poder de frente única, opomo-nos a ditadura de um só partido, seja qual for o partido que a exerça, incluído o Partido Comunista, e somos pela ditadura conjunta de todos os partidos e grupos políticos, setores sociais e forças armadas, quer dizer, somos por um poder de frente única. Quando, depois de destruirmos na retaguarda do inimigo os órgãos do poder fantoche, criamos órgãos do poder antijaponês, devemos aplicar o “sistema dos três terços”, tal como o Comitê Central do nosso Partido decidiu. Os membros do Partido Comunista não entrarão pois senão por um terço, nos organismos governamentais e nos órgãos representativos da vontade popular, a fim de que os dois terços restantes possam ser integrados por outros partidos, grupos políticos e indivíduos sem afiliação partidária, favoráveis a resistência e a democracia. Todos os que nem são pela capitulação nem pelo anticomunismo podem participar nos organismos governamentais. Todo o partido ou grupo político, que não seja pela capitulação nem combata o Partido Comunista, tem o direito de existir e prosseguir as suas atividades sob poder antijaponês.

 

Quanto a questão do exército, o manifesto do nosso Partido precisa que continuaremos a respeitar a decisão de “não criarmos organizações do Partido no seio dos exércitos amigos”. Ali onde as organizações do Partido não tenham seguido rigorosamente essa decisão, impõe-se-nos restaurar imediatamente a situação. Convém manter uma atitude amistosa relativamente a todas as tropas que se abstenham de provocar fricções com o VIII Exército e o Novo IV Exército. Aliás, há até que restabelecer relações amistosas com as tropas que provocaram fricções, sempre que cessem esse tipo de atividade. Essa a nossa política de frente única quanto ao exército.

 

Para responder as necessidades da resistência ao Japão, torna-se indispensável, no domínio das finanças, economia, cultura, educação e eliminação dos traidores, seguir a política de frente única que se baseia no reajustamento dos interesses das diferentes classes e lutar contra o oportunismo de direita e de “esquerda”.

 

Na situação internacional presente, a guerra imperialista está a estender-se pelo mundo inteiro e as crises extremamente graves que engendra, políticas e econômicas, hão-de inevitavelmente fazer estalar a revolução em muitos países. Vivemos um momento novo de guerras e revoluções. A União Soviética, que não se deixou arrastar para o turbilhão dessa guerra imperialista, ajuda todos os povos e nações oprimidos do mundo. Tudo isso são circunstâncias que favorecem a Guerra de Resistência da China. Não obstante, o perigo de capitulação é maior do que nunca, uma vez que, ao preparar-se para invadir os países do Sudeste Asiático, e ao intensificar os seus ataques contra a China, o imperialismo japonês induzirá certos hesitantes do nosso país a capitular. O quarto ano da Guerra de Resistência será o mais duro. A nossa tarefa é unir todas as forças que resistem ao Japão, lutar contra os capitulacionistas, vencer todas as dificuldades e manter a Guerra de Resistência em escala nacional. Todos os membros do Partido Comunista devem unir-se estreitamente aos partidos e exércitos amigos para realizar essa tarefa. Estamos convencidos de que, graças aos esforços conjugados dos membros do nosso Partido, dos exércitos e partidos amigos e da totalidade do nosso povo, conseguiremos conjurar a capitulação, vencer as dificuldades, expulsar os invasores japoneses e recuperar o solo da pátria. São realmente brilhantes as perspectivas da nossa Guerra de Resistência.

 

Julho de 1940

 

Por Mao Tsé-tung

 

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