Governo indiano censura importante página de divulgação do marxismo

18/11/2018

 

Os ventos da censura reacionária têm avançado na Índia, a suposta “maior democracia do mundo”. A importante página de internet Banned Thought, ou “Pensamento Banido”, será censurada pelo governo fascista indiano pelas ditas “propagandas naxalitas e anti-nacionais”. No último dia 11 de novembro, a Secretária de Segurança e Leis Cibernéticas do Ministério de Eletrônica, Informações e Tecnologias do governo indiano enviou um e-mail para os editores da página, comunicando que em 14 de novembro seria realizada em Nova Délhi uma conferência para discutir sobre a censura da página (ou, pelo menos, das partes relacionadas às informações sobre a Índia). Inclusive, chamando cinicamente para que os editores enviassem um “representante” da página para oferecer suas objeções, que nada mais seria que ladainha burocrática num país em que os direitos mais elementares do povo são violados sistematicamente.

 

Ainda que a página Banned Thought não seja hospedada na Índia e tampouco tenha conexões com quaisquer organizações ou movimentos políticos indianos, desde 2007 publica documentos e informações sobre a luta revolucionária e democrática na Índia, principalmente após a censura do jornal People’s March e da prisão de seus editores. A página Banned Thought tem fornecido acesso a uma série de documentos importante de oposição ao regime reacionário indiano que são censurados e banidos neste país. Ademais, sendo também um veículo importante de estudos sobre o Marxismo, a história e a trajetória do movimento comunista numa série de países, cumpre papel importante em divulgar as vitórias das guerras populares nos países do mundo colonial e semicolonial, inclusive no Brasil. As próprias Edições Nova Cultura encontraram no site Banned Thought uma fonte importante de documentos a serem divulgados de forma impressa para o público brasileiro.

 

Portanto, a censura da página Banned Thought na Índia constitui um dos maiores absurdos e mais um dos diversos ataques cometidos pelo Estado reacionário indiano contra os direitos fundamentais do povo. Ainda neste ano, o importante ativista e poeta anti-imperialista Varavara Rao fora preso sob acusações de “conexões com o Maoísmo”, “ligações com os Naxalitas”. Desde 2014, o importante ativista e professor universitário G. N. Saibaba está preso nas masmorras do fascismo indiano mesmo com mais de 90% de seu corpo paralisado por uma doença rara. Além disso, o professor Saibaba tem tido todos os seus mais elementares direitos democráticos enquanto prisioneiro político violados, pois tem sido proibido constantemente de receber visitas de advogados, familiares e amigos seus, inclusive de sua esposa. Os fascistas indianos não apenas têm impedido o contato do professor Saibaba com pessoas próximas, como inclusive negado ao mesmo acesso a medicamentos importantes para o tratamento de sua paralisia e demais doenças.

 

Infelizmente, o conjunto de ataques aos direitos democráticos do povo – dentre os quais se insere agora a censura do site Banned Thought pelo governo indiano – não tem se restringido à Índia. Seguindo os ventos fascistas que sopram de países como Ucrânia, Polônia e Hungria (com as bênçãos da CIA, da Igreja Católica e dos multibilionários das empresas de comunicação e conglomerados industriais de “fake news”), Eduardo Bolsonaro tem proposto desde 2016, na Câmara dos Deputados, o estabelecimento de uma lei fascista que objetiva “criminalizar a apologia ao comunismo e seus símbolos”, por supostamente “ser uma ideologia igual ao nazifascismo”. Ironicamente, não se questiona como o nazifascismo tenha sido empregado e financiado pelas próprias grandes empresas capitalistas transnacionais (principalmente alemãs) para destruir os tais “Marxismo judeu” ou “bolchevismo judeu” que haveriam se apoderado da Rússia e tentavam se apoderar da Alemanha e do mundo, exatamente o mesmo estilo que hoje o fundamentalismo anticomunista usa em nosso país para impor goela abaixo da educação brasileira fantasias medievais como “Escola Sem Partido” para combater os tais “Marxismo cultural” ou “bolivarianismo” que buscam “doutrinar as crianças”, “impor o homossexualismo”, “impor a ideologia de gênero”, dentre outras sandices.

 

A censura reacionária do governo indiano não terá outra consequência que despertar entre a intelectualidade progressista indiana uma curiosidade ainda maior acerca da guerra contra o povo que se desenvolve em operações militares sangrentas – como a “Operação Caçada Verde” – e as ações revolucionárias conduzidas pelo Partido Comunista da Índia (Maoísta), que desde 1967 desenvolve uma contundente guerra popular prolongada para derrotar o imperialismo norte-americano e as classes dominantes indianas.

 

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