As tarefas internacionalistas dos brasileiros sob o governo Bolsonaro

30/10/2018

 

No decorrer do processo das eleições farsantes de 2018, Jair Bolsonaro passou a ser o candidato que encastelou os setores majoritários e mais reacionários das classes dominantes, e também o imperialismo norte-americano. A candidatura de Alckmin, que não "decolou" ao longo das eleições, foi logo descartada. Para o imperialismo norte-americano, o governo fascista de Bolsonaro tem missões bastante visíveis sob o ponto de vista internacional. Sob tal perspectiva, o Brasil é um dos mais importantes países do mundo, e o alinhamento geopolítico para o qual este pende permite alterar de força substancial as correlações de forças a nível mundial. Até então, Bolsonaro tem levantado como bandeira política o aprofundamento do caráter semicolonial e semifeudal de nossa sociedade, a venda do Brasil como colônia ianque, e sua submissão aos interesses estratégicos dos Estados Unidos e Israel sionista. Portanto, diante de tal importância, os brasileiros verdadeiramente democratas e patriotas terão para agora e para os próximos anos uma série de importantes tarefas de solidariedade internacional e anti-imperialista aos povos do Terceiro Mundo.

A Venezuela bolivariana, que nas últimas décadas passou por relevantes transformações anti-imperialistas, encontra-se agora na mira do imperialismo ianque. Mais de uma vez, o fascista Trump já declarou "não descartar uma intervenção militar contra a Venezuela". Durante o período de campanha eleitoral, Hillary Clinton já havia declarado que, diante das constantes instabilidades políticas no Oriente Médio, o imperialismo ianque deveria buscar outras regiões petroleiras para expandir sua influência econômica, política e militar. Que outras grandes regiões petroleiras, de peso semelhante, há no mundo fora do Oriente Médio, senão na Venezuela e no Brasil? A ofensiva imperialista que vem há alguns anos se desenhando contra a Venezuela e o Brasil (neste sentido, Bolsonaro já se apresenta como um perfeito títere) manifesta a tendência do imperialismo de monopolizar e controlar as fontes de matérias-primas, e nesse sentido o petróleo possui um papel estratégico. Numa palavra, o governo Bolsonaro buscará utilizar o Brasil como peão para uma nova guerra imperialista de agressão contra a Venezuela e seu povo, junto aos Estados fantoches da Colômbia e Peru. É sua grande bandeira política. Em manifestação na Avenida Paulista, cidade de São Paulo, Bolsonaro declarou - a despeito de toda demagogia - que com seu governo "vamos tirar Maduro de lá". Aqui, os patriotas e democratas de nosso país terão a sagrada tarefa de denunciar a nova guerra de agressão que se está a gestar contra a Venezuela, transformando sua indignação nacional e anti-imperialista em ações concretas, pois trata-se de uma guerra imperialista não apenas contra a Venezuela e seu povo, mas também contra o Brasil e os povos latino-americanos. Junto à guerra de agressão, o governo fantoche de Bolsonaro buscará entregar o que puder e o que não puder para as aves de rapina ianques. Tentando terceirizar sua guerra de agressão utilizando-se da tríplice aliança reacionária, Brasil-Colômbia-Peru, os imperialistas encherão seus bolsos de lucros ao venderem seu excedente bélico para nossos países. Estando nosso país com uma economia combalida, a crise piorará ainda mais ao ter que jogar sobre o povo trabalhador e as camadas médias aumentos exorbitantes de impostos para financiar uma guerra a serviço dos monopólios estadunidenses. Cinicamente, Bolsonaro e sua camarilha de vagabundos irão se aproveitar do desemprego massivo do qual sofrem os jovens das favelas, periferias e campos para jogarem-nos como bucha de canhão para a invasão contra a Venezuela, para que derramem o sangue de um povo irmão e satisfaçam os lucros monopolistas estrangeiros. Os próximos protestos que os setores progressistas já preparam nas grandes cidades brasileiras deverão denunciar os tambores da guerra imperialista em alto e bom tom, esforçando-se para trazer para o campo democrático e progressista os setores mais amplos do povo trabalhador e das camadas médias. Devemos ter como grande exemplo a luta que na década de 1950 desenvolveu em nosso país o Partido Comunista do Brasil - PCB, com uma ampla campanha de solidariedade internacional à Coreia socialista e seu povo, contra o envio de tropas brasileiras para a guerra de agressão que então se conduzia contra a Coreia.

Além disso, Bolsonaro nunca deixou de declarar abertamente seus intentos de submeter nosso país à Entidade Sionista israelense. Há muitos anos, o Brasil já desenvolve relações comerciais com Israel genocida, que fornece para as forças armadas reacionárias brasileiras os fuzis que executam em massa a juventude pobre das favelas e periferias. Da mesma forma, há alguns se denuncia o papel que grandes empresas locais (Taurus e Imbel, particularmente) têm tido no fornecimento de materiais bélicos para o genocídio de palestinos por parte do exército reacionário sionista. Não podemos ter dúvidas que, nos próximos anos, principalmente por conta da retórica armamentista disseminada por Bolsonaro e seus lacaios fascistas, Israel sionista tentará instalar em nosso país diversas fábricas para a produção armamentista, aproveitando-se da mão de obra barata do operariado brasileiro para assassinar nossos irmãos palestinos. Portanto, não apenas durante os grandes protestos de massas como também em nossos locais de atuação, junto às massas trabalhadoras, devemos erguer ainda mais alto a bandeira internacionalista de solidariedade ao povo e à causa palestinos, pela dissolução da Entidade Sionista e o retorno do território palestino original aos seus legítimos habitantes.

Num período em que o campo democrático, de modo geral, teme que o pior ainda está por vir, deveremos honrar as trajetórias combativas de nosso povo e elevar nossa moral revolucionária. Quais são os possíveis caminhos para se fazer isso? Poucos lembram, mas em 1º de janeiro de 2019, quando o fascista Bolsonaro assumirá de vez a gerência do velho Estado brasileiro, o povo brasileiro e os povos do mundo terão o dever moral de celebrar o aniversário de 60 anos da vitória da Revolução Cubana, quando os combatentes dirigidos por Fidel Castro derrubaram a ditadura títere de Fulgencio Batista e o imperialismo ianque. O que há de ser feito nesse sentido? Celebremos a vida e a luta dos mártires da Revolução Cubana, que se levantaram em armas pela libertação de seu povo e dos povos latino-americanos, demonstrando que um povo pobre e pequeno, ainda que pouco organizado e mal armado, pode vencer a tirania fantoche do imperialismo, tornando-se organizado e bem armado, caso persista em sua causa e numa linha política correta. Levantemos bem alto a palavra de ordem de resistir ao fascismo e retomar o caminho iluminado da Revolução Cubana, nas ruas, nas favelas, nos morros, aldeias, acampamentos e assentamentos, onde quer que o povo esteja! Que 2019 seja o grande ano de celebrar e honrar a memória dos grandes combatentes revolucionários Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos! Ainda que por enquanto a demagogia social de Bolsonaro ainda seja aceita por certa parcela de nosso povo, sua suposta "popularidade", artificial e sustentada por uma imprensa demagógica e enganadora do povo, não se sustentará nem por um ano sequer diante do desastre que este trará para as massas ao vender nosso país como protetorado americano. Comparando Bolsonaro com Fulgencio Batista ou Hitler, apenas lembramos que tanto um como outro foram derrubados pelas lutas revolucionárias das massas.

 

Bolsonaro será nosso Fulgencio Batista e deverá ser derrubado - não por outro grupo reacionário-fascista que pretende abocanhar o leão da exploração do povo, mas por este próprio em sua luta pela Revolução.

 

 

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