"Não Passarão!"

20/10/2018

 

Operários! Camponeses! Antifascistas! Espanhóis patriotas! Diante da sublevação militar fascista, que todos ponham-se de pé, para defender a República, para defender as liberdades populares e as conquistas democráticas do povo!

 

Por meio das notas do governo e da Frente Popular, o povo conhece a gravidade do momento atual. Em Marrocos e em Canarias lutam os trabalhadores, unidos com as forças leais para com a República, contra os militares e fascistas sublevados.

 

Ao grito de “o fascismo não passará, não passarão os carrascos de outubro”[1], os operários e camponeses de distintas províncias da Espanha se incorporam na luta contra os inimigos da República levantados de armas nas mãos. Os comunistas, os socialistas e anarquistas, os republicanos democratas, os soldados e as forças fiéis a República têm infligido as primeiras derrotas para os fascistas, estes que se afundam na lama da traição da honra militar de que tantas vezes alardearam.

 

Todo o país treme de indignação diante destes desalmados que querem afundar a Espanha democrática e popular em um inferno de terror e morte.

 

Mas não passarão!

 

A Espanha inteira se dispõe ao combate. Em Madrid, o povo está nas ruas, apoiando o governo e estimulando-lhe com sua decisão e espírito de luta para que chegue até ao fim o esmagamento dos militares e fascistas sublevados.

 

Jovens, preparem-se para a luta!

 

Mulheres, heroicas mulheres do povo! Lembrai-vos do heroísmo das mulheres asturianas em 1934; lutem também ao lado dos homens para defender a vida e a liberdade de vossos filhos, que o fascismo ameaça!

 

Soldados, filhos do povo! Mantenham-se fiéis ao governo da República, lutem ao lado dos trabalhadores, ao lado das forças da Frente Popular, junto a vossos pais, vossos irmãos e companheiros! Lutem pela Espanha do 16 de fevereiro, lutem pela República, ajudando-os a triunfar!

 

Trabalhadores de todas as tendências! O governo põe em nossas mãos as armas para que salvemos a Espanha e o povo do horror e da vergonha que significaria o triunfo dos sanguinários carrascos de outubro.

 

Que ninguém vacile! Todos dispostos para a ação. Cada operário, cada antifascista deve considerar-se um soldado em armas.

 

Povos da Catalunha, Vasconia e Galiza! Todos os espanhóis! Para a defesa da República democrática, para a consolidação da vitória conquistada pelo povo no 16 de fevereiro.[2]

 

O Partido Comunista chama-os para a luta. Os chama especialmente vocês, operários, camponeses, intelectuais, a ocupar um posto no combate para esmagar definitivamente os inimigos da República e das liberdades populares.

 

Viva a Frente Popular! Viva a união de todos os antifascistas! Viva a República do povo! Os fascistas não passarão! Não passarão!

 

NOTAS

[1] Dolores Ibárruri utiliza o “carrascos de outubro” para referir-se ao militares reacionários que reprimiram o levante dos trabalhadores das Astúrias em 5 outubro de 1934. Esse episódio teve uma duração de 15 dias e contou com a participação de mineiros anarquistas, comunistas e socialistas. Os quartéis da força pública da região foram aos poucos sendo tomados pelos revoltosos e, mais tarde, estes chegaram a tomar duas fábricas de armas. Mas o movimento acabou isolado e as forças reacionárias encabeçadas pelo general Lópes Ochoa esmagaram brutalmente o levante. Segundo informações dadas pelo historiador Julián Casanova em seu livro “República y Guerra Civil” (2007), neste episódio morreram 1100 e acabaram feridas mais de 2000 pessoas que apoiaram a revolta. Do lado das forças repressoras (guardas, policiais e soldados do exército), aproximadamente 300 foram mortos.

[2] 16 de fevereiro de 1936 foi a data da vitória da Frente Popular antifascista (constituída por sindicatos, o Partido Comunista, o Partido Socialista Operário Espanhol e setores progressistas da pequena e média burguesia) nas eleições para o Parlamento, onde obteve a maioria das cadeiras. No cargo de Chefe de Governo subiu o socialista Francisco Largo Caballero, chegando ao poder na Espanha um governo com base na Frente Popular.

 

 

Por Dolores Ibárruri, discurso pronunciado em nome do Partido Comunista da Espanha

diante dos microfones do Ministério de Governo, em 19 de julho de 1936.

 

Traduzido por Igor Dias

 

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