"A mulher anamita e a dominação francesa"

27/09/2018

 

A colonização já é por um ato de violência do mais forte sobre o mais fraco. Tal ato de violência torna-se ainda mais odioso quando é exercido sobre mulheres e crianças.


É amargamente irônico descobrir que a civilização – simbolizada em suas várias formas, como liberdade, justiça, etc., pela imagem suave de mulher e levado a cabo por uma categoria de homens bem conhecidos por serem campeões da elegância – inflige a seu “emblema vivo” o tratamento mais ignóbil e danifica-o vergonhosamente em suas maneiras, em sua modéstia e até mesmo em sua vida.


O sadismo colonial é de inacreditavelmente explícito e cruel, mas vamos nos limitar aqui a recordar alguns casos observados e descritos por testemunhas consideradas insuspeitas de parcialidade. Tais fatos permitirão que nossas irmãs ocidentais compreendam tanto a natureza da “missão civilizadora” do capitalismo quanto os sofrimentos sentidos pelas irmãs delas nas colônias.


“Na chegada dos soldados, alega um colono, “a população fugiu; só permaneceram dois velhos e duas mulheres: uma donzela e uma mãe amamentando seu bebê e segurando uma menina de oito anos de idade pela mão. Os soldados pediram dinheiro, bebidas espirituosas e ópio”. (...) Como eles não podiam fazer-se entender, um soldado ficou furioso e derrubou um dos homens velhos com coronhadas. Mais tarde, dois deles, já bêbados quando os outros soldados chegaram, se divertiam durante muitas horas ao queimar outro idoso em uma fogueira. Enquanto isso, os demais estupraram as duas mulheres e a menina de oito anos. Então, cansados, assassinaram a menina. A mãe então foi capaz de escapar com seu bebê e, a 100 metros de distância, escondida em um arbusto, viu seu companheiro sendo torturado.

 

Ela não sabia o motivo pelo qual o assassinato foi perpetrado, mas ela viu a menina deitada de costas, amarrada e amordaçada, enquanto um dos soldados, muitas vezes, enfiava e retirava lentamente a baioneta em seu estômago. Em seguida, cortou o dedo da menina morta para tomar um anel e sua cabeça para roubar um colar”.


“Os três cadáveres jazem sob o chão liso de um pântano de água salgada: a menina de oito anos nua, a jovem mulher estripada após ter erguido seu braço com o punho fechado para o céu indiferente e o velho, horrível, nu como os outros, desfigurado pelas queimaduras, com a pele da barriga derretida já em processo de coagulação, que se encontrava inchada, grelhada e dourada, assim como a pele de um porco assado”.


por Ho Chi Minh, publicado no Le Paria, em agosto de 1922

 

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