"Macri, basta de fome!"

18/09/2018

 

A política do governo de submissão ao FMI agrava todas as dificuldades dos trabalhadores e do povo, beneficiando aos grandes banqueiros, latifundiários e exportadores. Construamos ativamente a greve geral nacional!

 

1. Macri reafirmou o ajuste e o entreguismo abraçado ao FMI

O povo nas ruas enfrenta essa política que levou o país para a crise social, financeira, econômica e que, agora, também é uma crise política.

 

O auge das lutas de massas nas ruas contra o ajuste e a entrega do país pactuados por Macri e pelo FMI, junto do agravamento da crise social e econômica, resultaram e numa crise política do governo macrista.

 

Houveram vários dias de negociatas e fortes pressões para que houvesse uma mudança de ministros, para que se ampliassem as alianças ou para que, ao menos, o governo pudesse “limpar a barra” de seu gabinete. Mas o enfraquecimento do governo, as mudanças se reduziram a uma troca de seis por meia dúzia, apenas com um novo ordenamento hierárquico em que as decisões mais importantes são tomadas diretamente por Macri.

 

A disputa pelos novos cargos nos gabinetes agravaram as fissuras dentro da coligação macrista “Cambiemos” (“Mudemos”, em tradução livre). E as pressões para troca de figuras mostraram as disputas entre os setores do bloco dominante; disputas que tem por trás os interesses das diferentes forças imperialistas que competem pela hegemonia na Argentina e na América Latina.

 

Macri disse: “Estamos em estado de emergência!”, “reajamos rápido e peçamos ajuda ao FMI!”. Em seu discurso, ele ratificou profundamente sua política, agora com mais austeridade e com menos ministérios. Ele jogou a responsabilidade na herança que supostamente teria recebido de governos anteriores e na piora das condições internacionais, e redobrou a aposta levando ao FMI um novo e mais duro acordo, que ficou explícito para todos quando o ministro Dujovne reconheceu a veracidade do documento interno do governo que prevê para este ano 42% de inflação e 2,5% de retração na produção.

 

Ficaram muito para trás as falsas promessas de “pobreza zero com trabalho de qualidade” do governo Macri. Cínico como é, reconheceu que a pobreza e o desemprego crescem e afirma que continuarão crescendo, pedindo ao povo que aguente a “dor e o sacrifício”.

 

2. As dores são nossas, as vaquinhas são estrangeiras

Macri vai novamente ajoelhar-se diante do FMI. Redobra a aposta com mais um ajuste e com mais entreguismo, agravando a dependência e a concentração latifundiária e do poder oligárquico.

 

Em muitos lugares do país, as famílias mais pobres têm acesso restrito à comida, faltando-lhes leite e farinha. Cai o consumo devido ao brutal aumento dos preços dos alimentos e remédios. Macri busca tocar o coração dessas famílias e lhes pede que aguentem mais “sofrimento e dor”. Que infame!

 

O governo gasta mais com o pagamento dos juro e correções da brutal dívida que contraiu do que com os salários de trabalhadores estatais ou com o que destina para as obras públicas e para as universidades federais.

 

O ajuste é para que os trabalhadores arquem com ele. A inflação prevista de 42% é um machado cortando os salários, diante das correções salariais que não passam do teto de 15%. Este teto é o mesmo para aposentados e demais pensionistas. Os monopólios vão descarregar novos impostos sobre os trabalhadores urbanos, camponeses e pequenos agricultores. Mais tarifas e impostos vêm para compensar a subida do dólar, e o repasse deste aumento no transporte, somado ao fim dos subsídios, castiga fortemente as regiões mais afastadas do país.

 

Os bancos, companhias de cereais, petroleiras, mineradoras e outros setores ligados ao imperialismo e aos grandes latifundiários estão em festa.

 

“As dores são nossas, as vaquinhas são estrangeiras”, dizia o cantor e compositor Atahualpa Yupanqui. O acordo de Macri com o FMI, junto dos demais acordos que cobram os imperialistas que dirigem o fundo monetário, agravam a dependência, além de aumentar a concentração e a desnacionalização das terras argentinas nas mãos dos latifundiários.

 

3. Dirigir, aprofundar e coordenar as lutas e a preparação

As lutas enfrentam o ajuste e o entreguismo macrista.

 

As massas tem enfrentado essa política nas ruas. Avançaram, foram calando os beneficiários do ajuste e do entreguismo macrista.

 

Quase um mês de luta dos estudantes universitários, encabeçados pela combativa Conadu Histórica [1], e acompanhados pelas massas do povo, levaram os jovens a impressionante mobilização de 350 mil pessoas na Plaza de Mayo, mesmo sob forte chuva, além de grandes marchas e atos por todo o país. O povo defende a Universidade pública como parte do futuro de seus filhos, como bem disse Luis Tiscornia, líder da Conadu Histórica.

 

Os trabalhadores do Estaleiro Rio Santiago seguem com seus planos de luta. Marchas e paralisações grevistas nos estaleiros diante das demissões que crescem a cada semana. Seguem também as lutas dos professores de Buenos Aires.

 

Em todo o país pipocam as lutas, que muitas vezes são duras e prolongadas, sem que o governo abra mão de sua posição. As lutas não diminuem, entre avanços e retrocessos, elas persistem.

 

A CCC, a CTEP e os Barrios de Pie põem em marcha um novo plano de luta, com jornadas de 6 a 12 de setembro. As CTA tem convocado uma paralisação nacional de 36 horas a partir do dia 24 de setembro. A CGT convocou uma paralisação nacional para o dia 25 do mesmo mês, e um setor de seus sindicatos pretende avançar com a luta contra o novo ajuste.

 

Ante uma situação cada vez mais difícil para o povo, a resposta só poderá ser mais lutas, cada vez mais firmes e prolongadas.

 

4. Em marcha, para tirar a Argentina do Fundo

A situação política está mudando muito. O governo paga em suas políticas pelo seu desgaste. O povo discute uma saída, sem voltar para trás.

 

Nada garante que a crise política do governo tenha se encerrado com as mudanças cosméticas de gabinetes. “Aumenta o protagonismo dos sindicatos e dos movimentos sociais, que canalizarão nos próximos meses um onda de protestos cujas dimensões e consequências não podem ser medidas. Que não se surpreenda Macri: será a resposta das ruas ao ajuste econômico e à liquidação de seu poder político”. É o que alardeia o diário oligárquico La Nación no último dia primeiro.

 

Os protestos de rua de diversos agrupamentos tem conformado um amplo espaço de oposição com diferentes matizes políticas.

 

Com a forte presença dos Cayetanos, foi lançado em março, junto de outras forças sociais e políticas, uma consulta popular para tirar a Argentina do Fundo. Nasceu para acumular forças e para fazer outra política, uma política a favor do povo e que defenda o trabalho, a indústria e o comércio nacional. Lutando nas ruas e nas eleições. Abrindo um novo caminho, com vontade de conquistar um outro governo, um que seja popular, nacional e democrático, criado pela rebelião popular.

 

O PTP avança com plenárias e afiliações para agradar sua personalidade. O PCR acertou ao assinalar que o triunfo eleitoral de Macri em 2017 não pavimentaria seu caminho até a reeleição. Que as lutas nas ruas seriam para ele um tribunal e que estas lutas cresceriam até tornarem-se tempestades. Macri confirmou que arrebentaram contra ele todas as tempestades juntas. O povo e as forças populares se preparam para estas tempestades.

 

Escrito por Ricardo Fierro

 

Traduzido por F. Fernandes

 

Nota:

[1]: Trata-se de uma organização de massas argentina de caráter universitário.

 

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