"Boicote às eleições!: o significado internacional da palavra de ordem"

13/09/2018

 

Era o ano de 1937. A Alemanha, a Itália e o Japão eram fascistas, os três eram avançados destacamentos do imperialismo mundial e estavam conspirando para dividir o mundo entre eles. O fascismo alemão e o italiano se intrometeram no cenário da Espanha, como apoiadores ativos do General Franco. A classe operária mundial saiu em apoio do governo da frente unida da Espanha, e foi formada uma brigada internacional com pessoas que vieram de diversos países. Infelizmente, Franco conseguiu obter sucesso em esmagar a resistência posta pela brigada internacional e assim impor a sua marca do fascismo na Espanha.

 

No mesmo momento, o Partido Comunista da China, comandado por Mao, libertou uma pequena área, Yenan, e levantou-se para se opor ao militarismo japonês. Não apenas isso. Eles destruíram todos os alicerces do militarismo japonês e começaram a criar uma zona libertada atrás de outra despertando os camponeses nas áreas ocupadas pelos japoneses. Essas zonas libertadas não somente sobreviveram aos ferozes ataques japoneses como também contra-atacaram duramente. No mesmo período, o Partido Comunista da China, liderado por Mao Tsé-tung não somente lutou contra o imperialismo japonês como também resistiu ao governo reacionário do Kuomintang, liderado por Chiang Kai-shek.

 

Em seguida a Segunda Guerra Mundial estourou. As colônias dos mais antigos países imperialistas ruíram como uma casa de cartas. Os povos das colônias viram perante seus olhos como as chamadas poderosas potências imperialistas fugiram diante a agressão japonesa, como um cão que apanhou e ficou com o rabo entre as pernas. O fascismo Alemão trouxe as potências imperialistas de toda a Europa, exceto os britânicos, para debaixo de seu salto, através de uma técnica militar e força superiores. Com toda a riqueza industrial e recursos da Europa à sua disposição, os fascistas alemães embriagados com o poder, se lançaram numa agressão contra a União Soviética, o único Estado na época em que a classe operária estava no poder. O Partido Comunista da União Soviética, liderado pelo grande Stalin, logo se recuperou do choque inicial deste ataque surpresa traiçoeiro e mobilizou todo o povo soviético, incutiu-os com a determinação sagrada para defender o país e assim esmagou todo o orgulho dos fascistas alemães. A derrota infligida ao fascismo alemão no campo de batalha de Stalingrado garantiu a vitória da União Soviética sob a liderança de Stalin. O exemplo do grande Partido Comunista da China inspirou os povos do mundo, onde quer que fossem oprimidos pelo fascismo a levantarem a mão para se opor ao fascismo e estabelecer bases rurais, com o propósito de lutar contra ele. Desse modo o fascismo foi destruído no mundo. Depois da guerra os antigos imperialistas tentaram reestabelecer a sua exploração como regra, porém a ira do mundo colonial, que haviam sido despertada e tinha se dado conta de sua própria força, se espalhou como um incêndio e as chamas da luta armada se espalharam pelas colônias e semicolônias. Nesse período o Partido Comunista da China, liderado por Mao, avançava para uma vitória decisiva, e surgia na Índia, Telengana, onde, sob a liderança de revolucionários comunistas, uma força de guerrilha camponesa foi formada, e centenas de milhares de camponeses foram despertados com o espírito de resistência revolucionária, e centenas de aldeias foram libertas.

 

A vitória da grande Revolução Chinesa e o estabelecimento da República Popular da China em 1949 provou conclusivamente o imensurável poder da Guerra Popular. O partido comunista da China, baseado no marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsé-tung estabeleceu a aliança dos operários, camponeses e outras pessoas que lutavam, em uma base firme, que levou o povo chinês à vitória ao longo do caminho da luta armada. Essa vitória incitou as pessoas do mundo colonial e a luta armada começou a se desenvolver firmemente nas colônias no Sudeste Asiático. A vitoriosa Revolução Chinesa claramente indicava para o povo das colônias e semicolônias o longo caminho que eles deveriam avançar para alcançar a vitória. Em seguida iniciou a era do colapso total do imperialismo mundial. Como o imperialismo se aproximava de seu colapso final, a direção revisionista dos partidos comunistas do mundo começou a trair as lutas populares. Após a morte de Stalin a camarilha revisionista da União Soviética usurpa a liderança do Partido Comunista e os renegados revisionistas de todo o mundo começaram a trabalhar em conjunto com o propósito de salvar o imperialismo mundial de sua destruição.

 

Os traidores renegados na Índia, que estavam mascarados como comunistas, estavam mortalmente assustados com a vitória da Revolução Chinesa e se retiraram incondicionalmente da luta em Telengana e tomaram o caminho parlamentar. Após o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, os renegados revisionistas soviéticos entraram em conluio com o imperialismo estadunidense, espalhando perturbação e confusão entre os povos das colônias e semicolônias onde quer que se travasse a luta armada. O Presidente Mao disse que o imperialismo mundial é como uma casa que repousa sobre um pilar solitário do imperialismo estadunidense. E assim, a destruição do imperialismo dos EUA irá esmagar completamente o imperialismo mundial. Por esse motivo a camarilha traidora de Khrushchev estendeu sua mão a cooperação com o imperialismo do EUA. E também, por essa razão, que o Presidente Mao nos avisou em 1957 e declarou que na era da fúria revolucionária, o revisionismo é o maior perigo.

 

A luta conta o revisionismo na arena internacional, cuja liderança era Mao em 1962, trouxe uma nova onda de entusiasmo entre os revolucionários marxista-leninistas de todo o mundo. O Partido Comunista de cada país do mundo começou a ferver em revoltas contra as lideranças revisionistas, e os revolucionários marxista-leninistas começaram a cerrar suas fileiras. A luta anti-imperialista entrou numa fase superior. No lugar de vanguarda da luta anti-imperialista estavam os heroicos combatentes vietnamitas, que desferiam golpes ao imperialismo estadunidense, o pilar solitário do imperialismo mundial. Ficou claro que o dia da condenação do imperialismo estava próximo.

 

Qualquer hesitação, mesmo que tão pequena, de reconhecer que o pensamento Mao Tsé-tung é o marxismo-leninismo da atual era, não pode deixar de enfraquecer a luta anti-imperialista. Isso porque ele atenua a própria arma com o qual o revisionismo será combatido. O presidente Mao nos ensinou que não podemos avançar nem um passo para atacar o imperialismo sem atacar o revisionismo.

 

Na atual era, na qual o imperialismo está seguindo para um colapso total, as forças revolucionárias em todos os países devem formar uma força armada; O revisionismo soviético, impossibilitado de continuar com a máscara do socialismo, foi forçado a adotar táticas imperialistas; a luta revolucionária mundial entrou em uma nova fase; o socialismo está marchando para a vitória – em tal era, pegar a via parlamentar significa parar a própria marcha para a revolução. Hoje, os revolucionários marxista-leninistas não podem optar pela via parlamentar. Essa é uma verdade não somente para os países coloniais e semicoloniais, mas também para os países capitalistas. Nessa nova era de revolução mundial, quando a vitória foi atingida na grande revolução cultural na China, isso transformou-se em principal tarefa dos marxista-leninistas de todo o mundo, para estabelecerem bases nas áreas rurais e construir uma sólida edificação, a fim de unir os trabalhadores, os camponeses e todas as pessoas que labutam através da luta armada. Portanto a consigna de “boicote as eleições” e o estabelecimento de bases rurais para a luta armada, no qual os revolucionários marxista-leninistas tem avançado, continuam válidas para toda a era.

 

Ao aderirem à via parlamentar os revolucionários de todo o mundo têm permitido um formidável acumulo de dívida de sangue ao longo dos tempos. A hora chegou para resolver tal dívida. Centenas de milhares de mártires caídos apelam aos revolucionários: “Ataquem o imperialismo que está morrendo e eliminem-no da face da terra!” é a hora de reconstruir o mundo de uma nova maneira! Nossa vitória nesta luta é certa!”

 

Por Charu Mazumdar, histórico dirigente comunista indiano, publicado na Revista “Liberation” a dezembro de 1968

 

Traduzido por Raquel Fernandes

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