"O investimento do capitalismo burocrático beneficia o imperialismo"

28/08/2018

 

O que caracteriza o capitalismo burocrático é sua condição de monopólio desde sua aparição. Quer dizer, desde o momento em que se dedica a produzir alguma mercadoria o faz com um capital imenso, que podem ser capitais particulares ou combinados, e que estão formados por capitais dos velhos latifundiários, dos grandes burgueses e dos banqueiros; e também por capitais imperialistas.

 

O benefício da indústria mineira peruana para a indústria imperialista é bastante notável. Basta destacar um exemplo para ele. A indústria mineira Buenaventura de Alberto Benavides explora uma variedade de minerais no território peruano, como o zinco, o chumbo, o cobre, o alumínio e outros [1]. Aonde flui a maior quantidade de minerais, senão todos? Claro que para os países imperialistas, como Estados Unidos e outros países, dos quais servem para desenvolver sua indústria pesada, que é a base de seu capitalismo. Ao Peru somente se direciona uma pequena porção de minerais semielaborados, majoritariamente para a indústria metalúrgica e à indústria química básica, que servem para agilizar e aprofundar o comércio que desenvolve o capitalismo burocrático. No concreto para aprofundar mais a etapa mercantil.

 

Normalmente esses minerais nossos deveriam servir a nossa economia nacional, especificamente a nossas indústria pesadas e leves, mas devido a opressão imperialista que nos cai em cima como uma maldição, não as detemos; é assim que os Estados Unidos e outras potências não o permitem, utilizando para si os governantes dóceis e o capitalismo burocrático. Mas por quê? Simplesmente porque não querem outro competidor imperialista que lhes concorra na América Latina. Porque se fosse assim, em seu caso, o Peru se industrializaria pouco a pouco até chegar a ser uma potência capitalista como os Estados Unidos, Japão, Inglaterra, França, etc. [2], convertendo-se em outro rival todo-poderoso, e como tal, colonizar e arrasar com territórios e governantes latino-americanos como primeiro passo, não deixando espaço aos Estados Unidos na exploração desses territórios repletos de minerais e petróleo, e ao mesmo tempo, do mercado latino americano. Pois o Peru, ao converter-se em um país imperialista industrial teria por necessidade interna que requerer uma abundância de matérias primas e minerais para desenvolver sua indústria pesada e leve até o máximo, e desde logo, tampouco permitiria que o país que domina e subjuga torne-se industrializado, e lhes deixe sem um território que já era seu. Para que não ocorra isso criaria nos países latino-americanos que domina um tipo especial de capitalismo chamado burocrático, e submeter a todos os governantes para servir a seus interesses. E ai de quem ousar a desobedecer. O exemplo que fez os Estados Unidos contra Salvador Allende no Chile basta como advertência.

 

Este processo se submissão ante o imperialismo sucede em todos os setores vitais da economia nacional: indústria, agricultura, mineração, bancos, política e cultura.

 

Exemplificando, assim ocorre com a grande indústria agrícola, que também é burocrática: a alcachofra e as uvas se vão a servir o comércio imperialista, porque eles têm capacidade de consumo, pois o capitalismo ensinou e educou os operários e cidadãos a consumir todo o comestível desde o momento de desenvolver seu mercado interno para logo rapidamente passar ao mercado externo.

 

Na pesca: a melhor farinha e pescados são voltados ao comércio imperialista. Que ilógico. Se produzem em território peruano e os peruanos não os consomem. Isso é justamente o que faz um capitalismo burocrático nos países semifeudais: jamais prioriza de maneira normal o mercado interno, mas sim somente o mercado externo. Um capitalismo de tipo normal é exatamente o oposto. Primeiro ocupa o mercado interno até inundá-lo para depois chegar ao mercado externo. E não ao contrário como ocorre no Peru.

 

Normalmente as indústrias capitalistas cobrem as necessidades materiais e espirituais de sua população com produtos baratos, de uma maneira ascensional, isso é claro. Mas isso não ocorre com as indústrias burocráticas. Entretanto, tampouco se pode dizer rigorosamente que o capitalismo burocrático não cobre nenhuma necessidade do mercado interno. Os cobre algumas vezes, e sempre de uma maneira amputada e anormal, pois não pode abastecer o mercado interno de produtos comestíveis e materiais baratos ao alcance do povo por sua mesma posição de monopolista anormal e porque o país está em um estado de economia de autossuficiência que limita o mercado interno.

 

Capítulo IV do livro “El Capitalismo Burocratico - Hacia una morfologia del atraso”

 

Escrito por David Huamani Pumacahua

 

Notas

[1] Para uma compreensão didática a este respeito, vejamos o que disse Eduardo Galeano, em seu livro “As Veias Abertas da América Latina”, no capítulo: “As fontes subterrâneas do poder”: “O petróleo segue sendo o principal combustível de nosso tempo e os norte-americanos importam a sétima parte do petróleo que consomem. Para matar vietnamitas, necessitam de balas e balas necessitam de cobre: os Estados Unidos compram de fora de suas fronteiras a quinta parte cobre que consomem. A falta de zinco torna-se cada vez mais angustiosa: cerca da metade vem do exterior. Não se pode fabricar alumínio sem bauxita. Seus grandes centros cirúrgicos – Pittsburgh, Cleveland, Detroit – não encontram ferro suficiente nas jazidas de Minessota, que estão a caminho de esgotarem-se, nem manganês no território nacional: a economia norte-americana importa um terço do ferro e todo o manganês que necessita. Para produzir os motores de retropropulsão, não contam com níquel, nem com cromo no subsolo. Para fabricar aços especiais, requer-se de tungstênio: importam a quarta parte. Esta dependência, crescente, com respeito aos fornecimentos estrangeiros, determina uma identificação também crescente dos interesses dos capitalistas norte-americanos na América Latina, com a segurança nacional dos Estados Unidos. A estabilidade interior da principal potência do mundo aparece intimamente ligada às inversões norte-americanas ao sul do Rio Bravo. Cerca da metade dessas inversões está dedicada à extração de petróleo e à exploração de riquezas minerais, indispensáveis para a economia dos Estados Unidos, tanto na paz como na guerra.”

 

[2] Recordando do que disse Marx no prefácio de “O Capital” referindo-se ao futuro dos capitalismos nascentes: “de ti a fábula está narrada”. Este é somente o caso de seguir o caminho capitalista, sem nenhuma intromissão de outro país capitalista em potência. Em tal caso chegaríamos até a última fase do capitalismo: o imperialismo.

 

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