"Partido Comunista e Movimento de Massas"

16/08/2018

 

Cada vez mais vemos como dominante a concepção, herdada tanto da concepção democrático-burguesa do que são os partidos políticos e sua função, quanto das concepções revisionistas dos caminhos para a revolução nas democracias burguesas, de que o Partido Comunista é a organização dos comunistas, dos marxista-leninistas, os quais, autoproclamados em vanguarda do proletariado e autodenominados como de massas(por definição, vocação e ponto), defendem os interesses do proletariado e apresentam e propõem a este “seu” programa que, quase que por casualidade, para ser realizado, passa por “organizar a Revolução Socialista”.


E então, o trabalho do autodenominado “Partido Comunista”, autoproclamado “porque Lenin disse e ensinou assim” (o que é uma falácia ou uma má interpretação absurda) em “vanguarda revolucionária do proletariado”, é “chegar às massas para fazê-las alcançar o programa comunista” e que estas, despertas por comunistas tão sábios e hábeis, consigam “fazer a Revolução” deixando-se serem guiadas por esta "vanguarda" tão particular e sui generis de si mesmas, que curiosamente, até então não teriam o prazer de conhecer aquela que diz ser sua própria vanguarda revolucionária, como se "as massas" estivessem sofrendo um tipo de transtorno de personalidade dissociativa que separava com uma parede invisível a consciência "as massas" de sua própria "vanguarda."


E logo, claro, semelhantes comunistas começam a estranhar tanto que as massas operárias os enxerguem como estranhos, as vezes inclusive de forma simpática, mas totalmente alheios e desconectados de sua realidade, falando coisas muito raras para eles, e usando conceitos tão refinados que chegam a ser quase que incompreensíveis a não ser que você seja da universidade, coisa que estas massas quase nunca são.


"Pobres alienados ignorantes! Nem sabem quem defende verdadeiramente seus interesses! Como solucionamos estes problemas e chegamos nas massas?" Se perguntam, confusos e surpreendidos estes "marxista-leninistas". Estas perguntas são sua obsessão e foco de sua vida como revolucionários, muito sinceros, mas eternamente frustrados.


E, submetidos à esta dinâmica de atividade frenética e desesperada para "chegar às massas proletárias", isto faz com que eles vejam as árvores, mas não o bosque. Não entendem que sua concepção fundamental que tem de partido comunista e de movimento comunista revolucionário parte de premissas falsas, adulterações burguesas e revisionistas do problema.


Para começar, o papel dos comunistas científicos e dos marxista-leninistas não é criar por sua conta e risco um "partido comunista que defenda os interesses do proletariado através da revolução". Esta é a concepção burguesa de um Partido que represente os interesses de um setor da sociedade, e está pensado para o processo eleitoral e não para dirigir um processo revolucionário proletário. Esta concepção cria uma entidade apartada das massas (proletárias ou não), e que oferece a estas um programa que competiria com programas de outros partidos. Seria como se fosse uma proposta comunista confrontando com outras propostas não-comunistas. Tudo muito democrático-burguês.


A única diferença prática entre os ”partidos comunistas" que se erguem sobre estas bases são as formas que desenham para “chegar às massas e ganhá-las para a causa”, e o programa defendido por cada uma delas. A alienação, o estranhamento e a separação entre esse "Partido Comunista" e o proletariado dificilmente pode ser maior. Em conexão com as massas, os anarcossindicalistas e sindicalistas "neutros ou apolíticos" ganham de goleada desta "vanguarda do proletariado".


Este esquema e concepção de Comunismo e de Revolução se diferencia da de Owen, apenas nos sujeitos que dirigem a pregação "comunista" e quem se deve "convencer" de que o comunismo é o caminho, o melhor dos mundos, apesar do que dizem  as mentiras burguesas sobre o Comunismo.


A função e o papel real, verdadeiro, dos marxista-leninistas é levar o Marxismo-leninismo ao movimento operário a fim de que o proletariado mais consciente e decidido dê um conteúdo político comunista e científico à sua luta de modo que se converta em luta pelo poder político, por conquistá-lo e edificar a ditadura de classe revolucionária e em seguida construir a sociedade comunista.


Os marxista-leninistas não fundam partidos comunistas, não devem fazê-lo, porque deste modo não podem fundar um Partido de Novo Tipo. Os marxista-leninistas se unem e organizam para levar a teoria socialista aos setores mais avançados em consciência e decisão, da atividade prática da luta operária, e assim fazer com que estes se convertam em lideres operários comunistas.


Estes lideres natos, esta vanguarda operária, proletária, não precisa criar conexão com as massas proletárias, pois já detém esta conexão a partir de anos de atividade natural e espontânea, prévia da liderança destas lutas. Seus companheiros já os conhecem, os respeitam, os escutam e os seguem. Através destes líderes, desta vanguarda ganha para o marxismo-leninismo, é que existem e se ampliam as conexões com as massas proletárias. Os marxista-leninistas se fundem com estas vanguardas, e não simplesmente com as massas per se, já que estas as apoiam e as auxiliam em suas lutas e criam formação política e revolucionária, com seu exemplo e incansavelmente. Estas lideranças tomam para si a consciência política que se une à sua previa consciência de classe e começam a imbuir-se desta consciência combinada e potente, ampliada às lutas operarias que lideram desde sempre, por serem lideres natos dotados de consciência de classe e de luta.


O esquema revisionista, e herdado do modelo burguês de partido, que os comunistas que fundam por sua conta e risco “partidos comunistas revolucionários de vanguarda por definição" ainda estão presos, não encontram maneira humana de conseguir esta conexão com o proletariado.


Este esquema básico que faz com que o marxismo-leninismo se penetre nas vanguardas operárias e no setor das massas populares que estas mobilizam, é assim que surge um verdadeiro partido comunista de massas e revolucionário, desta vez não por definição, mas sim por ser concretamente de novo tipo, e resultado da própria auto-organização política da vanguarda operária, desta vez munida do marxismo leninismo, ciência revolucionaria que alcançaram exitosamente, não apenas através de leituras teóricas.


Até este momento, não há Partido Comunista de fato, apenas Partidos que se dizem comunistas (concebidos na forma burguesa de partido), que defendem os interesses objetivos da classe operária, que tem tanto boa-fé como ausência de resultados práticos e revolucionários. Assim não é um "partido de novo tipo", mas sim um partido clássico típico das democracias burguesas, tão velho quanto elas, que de novo não tem nem o “tipo” e nem nada.


O Partido de Novo Tipo deve ser aquele fundado pelos reais elementos da vanguarda da classe operária, uma vez tendo assimilado e adquirido para si o marxismo-leninismo, fundido com os comunistas, que organizados em diversos grupos conseguiram chegar a estes destacamentos avançados da classe operária. E apenas então, que os marxista-leninistas "puros" e teóricos acima de tudo, se unem aos comunistas da vanguarda real, ganhada pela causa, no nascente e inflamado Partido Comunista, que nasce já ligado ao movimento operário, e não antes, como um bebê prematuro de 5 meses. E nasce já da ciência revolucionária, da ideologia e linha realmente marxista-leninista, dotados de objetivos, estratégica e tática revolucionárias.


Já nasce como -  e não tendo que se converte-se em (não se sabe como) - a máxima expressão organizativa política do proletariado, nascida do seio do movimento operário, e no quartel general da Revolução, que desde o primeiro dia se incumbe a tarefa de colocar mãos à obra para estruturar todos os elementos organizativos destinados a pôr em marcha o processo.


Pode realizar este trabalho desde o primeiro momento porque desde sua própria gestação, este Partido de Novo Tipo contou como seus membros, não apenas a vanguarda teórica, mas também a parte mais combativa da classe operária, do proletariado e das massas populares em geral. E porque todos estes comunistas compreenderam que até que esta fusão do marxismo-leninismo com o movimento operário não tenha sido completa ou se estivesse muito avançada, não existiria Partido Comunista algum, nem em teoria e nem na prática, pois seria incapaz de cumprir suas funções revolucionárias por carecer da base material real para estas. O que havia até então, era um processo consciente e organizado de gestação do dito Partido Comunista, mas não era ainda um Partido Comunista verdadeiro, concreto e atuante. Não poderia sê-lo, não tinha esta capacidade, como um feto sem as capacidades de um bebê e ninguém sensato e com conhecimentos de biologia ousaria definir um feto da mesma forma que um bebê.


Como articular este processo descrito, e como manter este verdadeiro Partido Comunista, limpo da sujeira e poeira revisionista, desviacionista e burguesa, já é outro debate, e o trabalho teórico e prático a se realizar pelos marxista-leninistas ainda desconectados do movimento operário e mais adiante de trabalho coletivo de Partido. Estas são as tarefas a se realizar pelos comunistas de nosso tempo, e não fundar e unificar supostos partidos comunistas que cheguem às massas por meio de caminhos “'geniais" e magnificamente "eficazes".


Em nossa opinião, se não tivermos como claras estas bases e princípios elementares, não há nada a se fazer no que tange a Revolução Comunista, pois falta sua base material e orgânica, seu cérebro e espinha dorsal que não é outra coisa senão o Partido Comunista.

 


Do site Revolución o barbarie

Please reload

Leia também...

"O 29º Aniversário da Morte de V. I. Lenin"

21/01/2020

As críticas de José Duarte à Direção Nacional do PCdoB em 1988

20/01/2020

Fidel: "Roubo de cérebros"

17/01/2020

ILPS: 'Responder aos ataques fascistas na Índia!'

17/01/2020

1/3
Please reload

NOVACULTURA.info

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • YouTube