Mao: "Oposição à discriminação racial do imperialismo dos EUA"

03/08/2018

 

Um líder Negro Americano agora refugiado em Cuba, Sr. Robert Willlians, o presidente anterior de Moroe, Carolina do Norte, sede local da Associação Nacional para o Avanço de Pessoas de Cor, já me pediu duas vezes uma declaração em apoio à luta dos Negros Americanos contra a descriminação racial. Eu gostaria de aproveitar essa oportunidade, em nome do povo chinês, para expressar nosso apoio resoluto aos Negros Americanos em sua luta contra a descriminação racial, pela liberdade e direitos iguais.

 

Há mais de 19 milhões de Negros nos Estados Unidos, ou cerca de 10 por cento da população total. A posição deles na sociedade é aquela da escravização, opressão e discriminação. A esmagadora maioria dos Negros é privada de seu direito ao voto. Em geral, somente os trabalhos mais penosos e desprezados estão abertos a eles. A média de seus salários varia somente de um terço à metade daqueles dos homens brancos.  A taxa de desemprego entre eles é a mais alta. Em muitos estados eles não podem ir às mesmas escolas, comer à mesma mesa, ou se assentar na mesma seção de ônibus ou trem que as pessoas brancas. Negros são frequente e arbitrariamente perseguidos, espancados e assassinados por autoridades dos EUA de vários níveis e membros da Ku Klux Klan e outros racistas. Cerca de metade dos Negros Americanos estão concentrados em onze estados no sul dos Estados Unidos. Lá, a discriminação e perseguição que eles sofrem são particularmente alarmantes.

 

Os Negros Americanos estão despertando, e sua resistência está crescendo ainda mais forte. Nos últimos anos, a luta de massas dos Negros Americanos contra a discriminação racial e em prol da liberdade e direitos iguais vem se desenvolvendo constantemente.

 

Em 1957, o povo Negro em Little Rock, Arkansas, travou uma luta feroz contra a restrição de suas crianças nas escolas públicas. As autoridades usaram força armada contra eles, e resultou no incidente em Little Rock que chocou o mundo.

 

Em 1960, Negros em mais de vinte estados mantiveram demonstrações de “sente-se” em protesto contra a segregação racial em restaurantes locais, lojas e outros lugares públicos.

 

Em 1961, os Negros lançaram a campanha dos “cavaleiros da liberdade” para se opor à segregação no transporte, uma campanha que rapidamente se estendeu a muitos estados. 

 

Em 1962, os negros no Mississipi lutaram por direitos iguais de matrícula em faculdades e foram saudados pelas autoridades com repressão que culminou em um banho de sangue.  

 

Este ano, a luta dos Negros Americanos começou em abril em Birmingham, Alabama. Desarmados, com as mãos limpas, massas de Negros foram sujeitas a prisões indiscriminadas e a mais bárbara repressão meramente porque eles estavam fazendo encontros e paradas contra a discriminação racial. Em 12 de junho, um extremo foi alcançado com o assassinato cruel do Sr. Medgar Evers, um líder do povo Negro no Mississipi. Essas massas Negras incitadas à indignação e intrépidas diante da violência implacável, continuaram suas lutas ainda mais corajosa e rapidamente e ganharam o apoio de Negros de todas as camadas e de pessoas de todos os estados Unidos. Uma luta gigante e vigorosa por toda nação está seguindo em quase todos os estados e cidades nos Estados Unidos, e a luta continua em ascensão.   

 

O desenvolvimento veloz da luta dos Negros Americanos é uma manifestação do constante agravamento da luta de classes e da luta nacional nos Estados Unidos; isso tem causado grave ansiedade na camarilha dominante dos EUA. A administração Kennedy recorreu a táticas ardilosas de “duas caras”. Por um lado, continua a ser conivente e tomar parte na discriminação contra os Negros e na sua perseguição; até mesmo manda tropas para reprimi-los.  Por outro lado, está desfilando como um defensor da “defesa dos direitos humanos” e da “proteção dos direitos civis dos Negros”, está convocando o povo Negro a exercer “moderação”, e está propondo ao Congresso a assim chamada “legislação de direitos civis” em uma tentativa de paralisar o desejo de luta do povo Negro e enganar as massas através do país. No entanto, essas táticas da Administração Kennedy estão sendo vistas por mais e mais Negros. As atrocidades fascistas cometidas pelos imperialistas dos EUA contra o povo Negro expuseram a nu a verdadeira natureza da assim chamada democracia e liberdade nos Estados Unidos e revelaram a ligação intrínseca entre as políticas reacionárias seguidas pelos Estados Unidos no interior e suas políticas de agressão no exterior.

 

Eu convoco os operários, camponeses, intelectuais revolucionários, elementos esclarecidos da burguesia, e outras personalidades esclarecidas de todas as cores no mundo, brancos, negros, amarelos, marrons etc., a unir-se à oposição à discriminação racial praticado pelo imperialismo dos EUA e apoiar os Negros Americanos em sua luta contra a discriminação racial. Em análise final, uma luta nacional é uma questão de luta de classes. Nos Estados Unidos, é somente a camarilha dominante entre os brancos que está oprimindo o povo Negro. Eles não podem de forma alguma representar os operários, agricultores, intelectuais revolucionários e outras personalidades esclarecidas que compreendem a maioria esmagadora das pessoas brancas. Atualmente, ela é um punhado de imperialistas, encabeçados pelos Estados Unidos, e seus apoiadores, os reacionários em diferentes países, que estão defendendo a opressão, agressão e intimidação contra a esmagadora maioria das nações e povos do mundo. Eles são a minoria, e nós somos a maioria. Em sua totalidade eles perfazem menos de 10% dos 3 bilhões de pessoas do mundo. Eu estou profundamente convencido de que, com o apoio de mais de 90% das pessoas do mundo, a luta justa dos Negros Americanos certamente será vitoriosa. O sistema maligno do colonialismo e imperialismo cresceu juntamente com a escravização de Negros e a venda de Negros; ele chegará certamente ao seu fim com a completa emancipação do povo Negro.

 

 

Por Mao Tsé-tung, publicado no Peking Review No. 33, 1963.

 

Traduzido por Glauco Lobo

 

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