Stalin: "O terrorismo econômico e o movimento operário"

02/08/2018

 

A luta dos operários não teve sempre e por toda a parte a mesma forma. Houve tempo em que os operários, lutando contra os patrões, quebravam as máquinas, incendiavam as oficinas. A máquina: eis a origem da miséria! A oficina: eis o lugar da opressão! Quebremo-las, pois, incendiemo-las! – diziam então os operários. Era a época dos conflitos espontâneos, anárquicos, da revolta cega.

 

Conhecemos, também, outros casos em que os operários, perdida a confiança na eficácia dos incêndios e das destruições, passaram a “forma de luta mais violentas”, ao assassinato dos diretores, administradores, dirigentes, etc. Não se podem destruir todas as máquinas e oficinas, diziam então os operários, e além do mais isso não é vantajoso para nós, mas se pode sempre cortar as unhas dos administradores, incutindo-lhes terror: batamo-los, pois, assustemo-los!

 

Era a época dos conflitos terroristas individuais, nascidos da luta econômica.

 

O movimento operário condenou francamente ambas as formas de luta, relegando-as ao passado.

 

E é compreensível. Não há dúvida de que, na realidade, a oficina é o lugar se exploram os operários, e a máquina dá mão forte à burguesia para ampliar essa exploração, mas isso ainda não significa que a máquina e a oficina sejam a origem da miséria. Pelo contrário, justamente a oficina e a máquina dão ao proletariado a possibilidade de romper as cadeias da escravidão, de destruir a miséria, de dar cabo de qualquer opressão; é necessário somente que se transformem, de propriedade privada de capitalistas isolados, em propriedade social do povo.

 

Por outro lado, que seria da vida, se nos metêssemos realmente a destruir e incendiar as máquinas, as oficinas, as ferrovias? A vida tornar-se-ia um deserto pavoroso, e os operários seriam os primeiros a privarem-se de um pedaço de pão!

 

É claro que não devemos destruir as máquinas e as oficinas, mas apoderar-nos delas, quando for possível, se verdadeiramente aspirarmos à supressão da miséria.

 

Eis por que o movimento operário não aprova os conflitos anár­quicos, a revolta cega.

 

Não há dúvida de que também o terrorismo econômico tem uma certa “justificação” evidente, desde que seja aplicado para incutir medo na burguesia. Mas de que vale esse medo, se é passageiro, fugaz? E que só possa ser passageiro torna-se claro também pelo único fato de que é impossível praticar o terrorismo econômico sempre e onde quer que seja. Isso em primeiro lugar. Em segundo lugar, que nos pode proporcionar o medo passageiro da burguesia e a concessão que dele deriva, se não tivermos às nossas costas uma forte organização de massa dos operários, sempre pronta a lutar pelas reivindicações operárias e em condições de não permitir que lhe tirem a concessão conquistada? De resto, os fatos mostram com evidência que o terrorismo econômico torna inútil tal organização, tira aos operários a vontade de unir-se, de agir de maneira autônoma, desde que dispõem de heróis terroristas, os quais podem agir por eles. Não devemos nós desenvolver nos operários o espírito de iniciativa? Não devemos desenvolver neles o desejo de ser unidos? Naturalmente que sim! Mas poderemos talvez praticar o terrorismo econômico, se este inculca nos operários outra coisa?

 

Não, companheiros! Não compete a nós meter medo na burguesia atacando os indivíduos imprevisivelmente: deixemos que certos bandidos se ocupem desses “assuntos”. Devemos agir abertamente contra a burguesia, devemos mantê-la sempre, até a vitória definitiva, sob o pesadelo do medo! E para fazê-lo, não é necessário o terrorismo econômico, mas uma forte organização de massas, capaz de guiar os operários na luta. Eis por que o movimento operário repele o terrorismo econômico. Depois de tudo quanto se disse, a última resolução dos grevistas da Mirzoiev, dirigida contra os incêndios e os assassinatos “econômicos”, adquire um interesse especial. Nessa resolução, a comissão unificada dos 1.500 operários da Mirzoiev, pondo em relevo certos fatos, como o incêndio da seção de caldeiras (em Balakhani) e o assassinato do diretor, devidos a razões econômicas (Surakhani), declara que “protesta contra métodos de luta tais como o assassinato e o incêndio” (Gudok, n.º 24).

 

Os operários da Mirzoiev rompem assim definitivamente com as antigas tendências terroristas, com a revolta cega.

 

Põem-se eles assim decididamente no caminho de um verdadeiro movimento operário.

 

Aplaudimos os companheiros da Mirzoiev e convidamos todos os operários a se poderem de maneira igualmente decidida no caminho do movimento proletário de massa.

 

 

Artigo não assinado

 “Gudok” (“A Sirena”), n.º 25

30 de março de 1908

 

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