Repressão contra o povo e resistência às oligarquias

01/08/2018

 

A crise do velho sistema semicolonial e semifeudal brasileiro tem se traduzido na crescente repressão ao povo em luta e seus dirigentes. O massacre dos direitos das massas trabalhadoras, o arrocho de seus salários, a corrupção a deus dará e o roubo das terras de lavradores e minorias nacionais não podem ser postos respectivamente em prática sem uma repressão massiva. O NOVACULTURA.info há muito já denuncia para seus leitores tais arbitrariedades, mas nos últimos dias, os estados de Santa Catarina, Pará e Rondônia foram palcos de acontecimentos tão importantes quanto deploráveis e merecem nossa denúncia.

 

2018 perpetua massacres contra camponeses pobres no Pará e Rondônia, que mantêm a resistência

O ano de 2018, se não tem testemunhado um aumento da violência dos grandes grileiros e fazendeiros contra camponeses e minorias nacionais, ao menos tem mantido a tendência do último ano dos massacres e execuções contra lideranças e militantes do movimento popular rural. Os estados de Rondônia e Pará, sozinhos, concentraram pelo menos metade dos pelo menos 70 dirigentes e militantes dos movimentos de massas no campo executados pela pistolagem no ano passado, e ambos foram palcos de perseguições, execuções e massacres nestes últimos dias.

 

Em Seringueiras, interior de Rondônia, no final do mês de junho, cerca de cem famílias camponesas do acampamento Paulo Freire IV, organizadas pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) estão ameaçadas de despejo por fazendeiros que se autodenominam donos das terras dos lavradores, ainda que estes ali vivam desde o ano de 2007 e tenham transformado as outrora imensas fazendas improdutivas em terras que hoje produzem e dinamizam a economia local. As pretensas “audiências de conciliação” realizadas em 25 de julho, conduzidas pelo Estado reacionário para pretensamente “conciliar” os interesses dos lavradores com os de grileiros ladrões nada mais servem para dar um colorido “legalista” ao roubo de terras públicas por estes fazendeiros e grandes empresas. Todo o colorido legalista não foi suficiente para que pistoleiros abrissem fogo contra o carro do morador Ismauro Fatimo, que o executaram e feriram sua filha de 16 anos gravemente, simplesmente por haver dado apoio à recente ocupação camponesa Enilson Ribeiro. Há alguns dias, em Vilhena, também foi executado por pistoleiros o lavrador Lucas Lima Batista. Outro caso deplorável foi o ataque recente – por parte de policiais militares que também fazem o “trabalho sujo” do latifúndio – contra as famílias camponesas que, em Alvorada do Oeste, ocupavam uma imensa fazenda grilada (o latifúndio Verde Vale) e terminaram espancadas, humilhadas e despejadas pela polícia. Cerca de 50 camponeses – entre mulheres, crianças e idosos – terminaram presos e levados à delegacia local.

 

Também no interior de Rondônia, em Nova Mamoré, os bate paus da polícia militar atacaram a tiros posseiros de uma fazenda da chamada Linha 29 C. O massacre terminou com pelo menos dois posseiros assassinados, embora moradores locais falem em até seis mortos, enquanto pelo um já está confirmado desaparecido. Mas os posseiros resistiram ao ataque, abrindo fogo também contra os policiais e executando o PM João Batista.

 

No Pará, em Marabá, 450 famílias posseiras do MST, despejadas do latifúndio Santa Tereza no final do ano passado, reocuparam-no no último dia 27 de julho, ocupação esta que foi rapidamente atacada por uma operação conjunta entre pistoleiros e policiais militares, que espancaram e humilharam até mesmo idosos, crianças e moças. O grileiro da fazenda Santa Tereza, Rafael Saldanha, já é um velho conhecido dos movimentos camponeses, déspota local e dono da polícia e prefeitura já enfeudadas. Mesmo após o ataque e posterior despejo das famílias, pistoleiros seguem rondando o acampamento perseguindo os camponeses sem-terra.

 

Caravana dos Fóruns e Redes da Cidadania do Maranhão cruza o Brasil de Norte a Sul para denunciar a execução do vereador progressista Marcelino Chiarello

Diversos movimentos de massas democráticos organizados pelas FER (Fóruns e Redes da Cidadania) do estado do Maranhão cruzaram o Brasil em caravana a partir do final do mês de junho, rumo à cidade de Chapecó, no estado de Santa Catarina, para participar do julgamento popular do caso da morte do vereador progressista Marcelino Chianello, assassinado no ano de 2011 por conta de sua intransigência em denunciar a corrupção local e em defender os camponeses massacrados pelo atravessamento das grandes empresas.

 

 

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