"Intervenção Terrorista dos Estados Unidos nas Filipinas"

03/07/2018

 

Não há nada de novo ou surpreendente sobre divulgações atuais sobre o papel direto e de liderança desempenhado pelos EUA no confronto sangrento em Mamasapano, Maguindanao. Desde que os EUA designaram as Filipinas como a "segunda frente" na sua "guerra contra o terror" em outubro de 2001, tem levado a cabo uma ampla e profunda intervenção nos assuntos internos do país de maneira ininterrupta. Em conivência com o governo fantoche, os EUA violam sem parar a soberania das Filipinas, bem como leis e regulamentos internacionais e locais.

 

Desde o início dos anos 2000, os EUA têm invocando o espectro do "terrorismo" nas Filipinas para justificar a entrada e a permanência de suas tropas “antiterroristas" no país. O grupo bandido Abu Sayyaf, que fora formado por ex-forças dos Estados Unidos e que haviam se envolvido em atividades subversivas no Afeganistão, foi ligada pelos Estados Unidos a Al Qaeda e outros grupos acusados de perpetrar o ataque terrorista em Nova Iorque, a 11 de setembro de 2001.

 

Em 2005, os EUA incluíram em sua lista de terroristas o Novo Exército Popular, o Partido Comunista das Filipinas e o Prof. Jose Maria Sison. Em 2002, os Estados Unidos planejaram declarar a Frente Moro de Libertação Islâmica como terrorista, acreditando que este tinha ligações ainda mais amplas com Jemaah Islamiyah em comparação com o Abu Sayyaf, mas decidiu retirá-lo da lista e tentar fazer com que este concordasse em assinar um cessar-fogo de duração indefinida e se engajar em negociações de paz.

 

A intervenção militar dos Estados Unidos foi massiva durante as operações contra o Abu Sayyaf, este que estava por trás do sequestro de 20 indivíduos do resort Dos Palmas, em Palawan em novembro de 2001.

 

Em meados de 2003, entre 600 a 900 soldados estadunidenses sob as “Operações Especiais Conjuntas Força Tarefa – Filipinas” (JSOTF-P), uma unidade do Comando do Pacífico dos Estados unidos, estavam estacionados dentro do acampamento Navarro, que é um acampamento militar do Comando de Mindanao Ocidental das Forças Armadas das Filipinas.

 

A fevereiro de 2002, os EUA enviaram 1.300 soldados para Basilan usando o manto de Balikatan 02-1, o primeiro exercício militar conjunto lançado em Mindanao. Entre eles estavam 160 tropas do Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC), o chamado "exército privado" do presidente dos Estados Unidos, do qual ele libera para execuções extrajudiciais de elementos arbitrariamente declarados como “terroristas”, bem como os seus simpatizantes civis.

 

Para tornar a sua presença nas comunidades civis “agradável” e a fim encobrir a brutalidade de suas operações, os militares dos EUA derramaram fundos para projetos civis e de infraestrutura. De acordo com um relatório do embaixador dos EUA nas Filipinas Kristie Kenney, as forças estadunidenses estavam envolvidas em, pelo menos, 255 diferentes projetos cívicos e humanitários entre 2006-2009.

 

Estes 193 projetos são constituídos por reparação de estradas, construção de portos, clínicas, escolas e sistemas de água. Os EUA também realizaram várias campanhas de propaganda sob a MIST (Equipe de Apoio de Informação Militar), disseminando fotografias, textos e revistas, e anúncios de rádio e televisão, com a finalidade melhorar a imagem de suas tropas, bem como as das Forças Armadas das Filipinas (FAF) em comunidades civis Moro.

 

Os EUA da mesma forma enviaram 300 soldados engenheiros para realizar projetos civis e militares, tais como a reparação de estradas em Basilan.

 

Documentos do Congresso de Estado dos Estados Unidos apresentam que a “Operação Balikatan” envolveu a incorporação de equipes de dois homens cada dos soldados estadunidenses em operações de combate de selecionadas companhias das Forças Armadas das Filipinas, mas sem estarem subordinadas ao comando deste último. A “Operação Balikatan” atingiu seu ápice em 7 de junho de 2002, após os Estados Unidos terem descoberto o Acampamento de Abu Sabaya (Aidam Tilao), onde as vítimas sequestradas estavam sendo mantidas.

 

Usando as "operações de resgate" como cobertura, os EUA lideraram as tropas filipinas no ataque ao acampamento com a ajuda de seus drones de vigilância e de ataque.

 

Duas semanas após a operação sangrenta que resultou na morte de dois prisioneiros de Abu Sayyaf, agentes filipinos executaram Abu Sabaya, enquanto ele estava escapando da costa da Cidade de Zamboanga. Sabaya, que então tinha uma recompensa de 5 milhões de dólares por sua cabeça, oferecido pelos EUA, foi localizado através de seu telefone via satélite que, não sabido por ele, havia sido fornecido pela CIA. Dois navios da Marinha dos EUA que transportaram uma equipe do US Navy Seals e uma parte do Comando Conjunto de Operações Especiais, apoiaram a operação. Os EUA declararam "Operação Balikatan" um sucesso em julho de 2002.

 

A fevereiro de 2003, o Exército dos Estados Unidos enviou mais tropas em face de uma série de atentados em centros civis no final de 2002, dos quais os EUA alegaram que foram perpetradas por Abu Sayyaf. Entre os soldados enviados pelos Estados Unidos para as Filipinas, estavam mais de 350 agentes especiais em Sulu e 450 tropas em Zamboanga, que se juntaram nas operações de combate com as Forças Armadas das Filipinas na região.

 

Estas tropas foram apoiadas por navios de guerra que ostentavam 1.000 fuzileiros navais e 1.300 da Marinha dos Estados Unidos, helicópteros de ataque e aviões de combate, que foram estrategicamente posicionados no Mar Sulu. Além de tudo isso, os EUA trouxeram equipamentos militares, incluindo aviões de vigilância P-3 que são utilizados em guerras de mar (e cuja utilização já não tinha nada a ver com a perseguição de Abu Sayyaf).

 

As "regras de engajamento", elaboradas pelos EUA e o Estado filipino, onde os soldados estadunidenses incorporados em batalhões filipinos iriam realizar papéis "não-combatentes". No entanto, eles têm a permissão de retaliar quando atiram, uma situação intrínseca a uma operação militar.

 

Além das operações mais importantes que envolvem as forças americanas, os EUA também estiveram envolvidos em operações menores, mas mais extensas em outras partes de Mindanao. Houveram pelo menos 23 casos documentados em que as tropas estadunidenses se juntaram abertamente as operações de combate das Forças Armadas das Filipinas em Basilan, Sulu, Tawi-Tawi, Sultan Kudarat, Zamboanga e Maguindanao, isso tudo só entre 2002 e 2008. Muitas dessas operações, que foram lançadas contra a Frente Moro de Libertação Islâmica, resultaram na morte de civis e na destruição de suas comunidades.

 

Em abril de 2008, as tropas americanas foram vistas num posto de comando tático das Forças Armadas das Filipinas em Barangay Ngan, Compostela e Compostela Valley. Elas estavam fornecendo apoio técnico para estas que estavam levando a cabo manobras contra o Novo Exército Popular (NEP) na região.

 

Desde 2010, tem havido um número de casos em que a intervenção direta dos EUA foi exposta. Entre elas estava o chamado Cerco de Zamboanga de setembro 2013 em que as forças dos EUA forneceram direção e apoio nos combates às tropas das FAF e uma tentativa de liquidar Marwan através do uso de "bombas inteligentes" em fevereiro de 2012, em Jolo, Sulu.

 

do Ang Bayan de 21 de fevereiro de 2015

 

Traduzido por I.G.D.

 

Please reload

Leia também...

Cabral: "Palavras de Ordem"

22/05/2020

Mao: "Sobre a Nossa Política"

22/05/2020

"Chile: Em meio à pandemia, revolta popular"

22/05/2020

"Cuba: Direitos sexuais e emancipação"

21/05/2020

1/3
Please reload

NOVACULTURA.info

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • YouTube